Lançamentos em 2025: a realidade superou até as projeções mais entusiásticas

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O estudo “O futuro dos lançamentos espaciais: projeções e impactos econômicos (2025–2031)”, publicado pelo Brazilian Space em 24/02/2025, traçou cenários de crescimento para o setor de lançamentos orbitais com base nas tendências observadas até 2024. Mesmo em seus cenários mais otimistas, o artigo tratava 2025 como um ano de consolidação do crescimento, e não como um salto disruptivo.

Figura 01- Infográfico dos Dados de Lançamentos de 2025


Entretanto, os dados reais de 2025 superaram esse enquadramento inicial.

Comparação direta: expectativa do estudo × realidade de 2025

O artigo indicava que o mercado global vinha operando, até então, em um patamar anual da ordem de 200 a 260 lançamentos orbitais, com crescimento progressivo puxado principalmente por constelações, reutilização e aumento da cadência operacional — especialmente nos EUA e na China.

Contra esse pano de fundo, 2025 fechou com 323 lançamentos orbitais, o que representa:

  • +24% a +61% acima do intervalo de referência histórica usado no estudo (200–260)

  • Um acréscimo absoluto de 63 a 123 lançamentos em relação ao patamar que ainda era considerado “alto” poucos anos antes

Ou seja, em um único ano, o setor avançou o equivalente a vários ciclos de crescimento incremental previstos nos modelos.

Crescimento não apenas em volume, mas em maturidade

Além do volume absoluto, a qualidade operacional de 2025 foi ainda mais surpreendente quando comparada às expectativas implícitas do estudo:

  • Taxa de sucesso: 97,52%

  • 315 lançamentos bem-sucedidos em 323 tentativas

  • Apenas 8 falhas, sem falhas parciais

Em um cenário de expansão acelerada, o estudo alertava para riscos naturais de degradação temporária de confiabilidade. O que ocorreu foi o oposto:
📈 crescimento rápido acompanhado de alta confiabilidade, algo que nem os cenários mais entusiásticos colocavam como garantido para tão cedo.

Distribuição global acima do esperado

O estudo também antecipava maior diversificação de atores, mas 2025 foi além:

  • 10 países realizando lançamentos orbitais

  • Mais de 20 empresas, agências ou organizações

  • Um nível de cadência mensal que culminou em 40 lançamentos apenas em dezembro

Esse ritmo mensal — acima de 1,3 lançamento por dia no último mês do ano — não aparece como linha de base explícita no estudo, reforçando que a curva real de crescimento ficou mais íngreme do que o antecipado.

Conclusão

À luz do próprio estudo do Brazilian Space, 2025 não foi apenas um ponto dentro da curva prevista, mas um ano que antecipou tendências, comprimindo em doze meses um volume de crescimento que era esperado para um horizonte mais longo.

Em termos objetivos:

  • O número de lançamentos superou com folga o patamar de referência utilizado no estudo

  • A confiabilidade ficou acima do que seria esperado em um ano de forte expansão

  • A cadência operacional global avançou mais rápido do que os cenários mais otimistas sugeriam para o curto prazo

Assim, os dados confirmam que 2025 superou não apenas expectativas conservadoras, mas também as mais entusiásticas projeções implícitas no estudo — estabelecendo um novo patamar para a indústria de lançamentos orbitais.

Rui Botelho

Brazilian Space
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