O Motor-Foguete Elétrico de Plasma Baseado em Um Acelerador Magnético da ROSATON Completa Um Ano de Revelado ao Mundo Pelo TRINITI

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O Motor-Foguete Elétrico de Plasma Baseado em Um Acelerador Magnético da ROSATON, Completa Um Ano de Revelado ao Mundo Pelo TRINITI 
 
Enquanto a NASA e a BWXT Technologies avançam no desenvolvimento da Propulsão Térmica Nuclear (NTP), a estatal russa Rosatom chamou atenção no ano passado ao revelar um protótipo de laboratório de um motor-foguete elétrico de plasma baseado em um acelerador magnético. O sistema, desenvolvido no Instituto de Pesquisa Inovadora e Termonuclear de Troitsk (TRINITI), é voltado a futuras espaçonaves de alta potência, como rebocadores espaciais movidos a energia nuclear e veículos para transporte interplanetário rápido.
 
O motor utiliza um acelerador magnético de plasma conhecido como “V”. Nesse conceito, um propelente — principalmente hidrogênio — é injetado em um canal, ionizado por descargas elétricas pulsadas e acelerado por forças eletromagnéticas geradas pela interação entre correntes de plasma e campos magnéticos externos. Diferentemente de propulsores elétricos tradicionais, o projeto reduz drasticamente o uso de eletrodos em contato com o plasma, minimizando a erosão, um dos principais fatores que limitam a vida útil de motores de alta potência.
 
Operando em regime pulsado, o sistema atinge uma potência média de cerca de 300 kW, gera pelo menos 6 newtons de empuxo e alcança velocidades de escape próximas de 100 km/s — o equivalente a um impulso específico superior a 10.000 segundos. Esses números colocam o motor em uma categoria voltada menos ao lançamento e mais a longas viagens no espaço profundo, onde eficiência é mais importante que empuxo imediato.
 
Os testes estão sendo conduzidos na grande câmara de vácuo do TRINITI, com 14 metros de comprimento e 4 metros de diâmetro, capaz de simular condições térmicas próximas às do ambiente espacial. Segundo os pesquisadores, o foco atual não é mais demonstrar desempenho, mas avaliar durabilidade, sistemas de resfriamento e estabilidade em operação contínua ao longo de milhares de pulsos — etapas essenciais para transformar o protótipo em um sistema de voo operacional até o início da próxima década.
 
No cenário internacional, o projeto mais comparável é o VASIMR, desenvolvido pela empresa americana Ad Astra. Assim como o sistema russo, o VASIMR acelera plasma por meios eletromagnéticos e foi concebido para operar em conjunto com reatores nucleares no espaço. A diferença está na filosofia de projeto: o VASIMR prioriza operação contínua e impulso específico ajustável, enquanto o motor do TRINITI aposta em velocidades de exaustão mais altas e maior empuxo em modo pulsado, reduzindo o tempo de viagem em detrimento da flexibilidade operacional.
 
Na prática, o motor russo é pensado para missões pesadas de “rebocadores nucleares”, capazes de transportar grandes cargas até Marte, sustentar logística em espaço profundo e realizar manobras orbitais de grande escala — tarefas nas quais a propulsão química se torna pouco eficiente. Caso os testes de resistência sejam bem-sucedidos, o sistema deverá ocupar um nicho complementar ao de motores como o VASIMR, reforçando a tendência de que a próxima geração de exploração espacial de longa distância dependerá cada vez mais de propulsão elétrica de altíssima potência.
 
Créditos do vídeo: Rosatom, Channel One

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