Artigo Exclusivo: O 2026 Espacial Argentino: Artemis, Satélites e o Futuro Que Vem Aí

Caros amantes das atividades espaciais!
 
Apresentamos a vocês um interessante artigo exclusivo, escrito especialmente para o BRAZILIAN SPACE por nosso amigo e apoiador argentino Martín Marteletti, que aborda o planejamento do Programa Espacial Argentino para o ano de 2026. Trata-se de uma leitura que vale muito a pena, inclusive para refletirmos sobre como o Brasil vem ficando para trás nesse setor estratégico.
 
Desde já, o BS agradece publicamente ao Martín pela disposição em escrever e compartilhar este relevante artigo. Enviamos, a partir do Brasil, nossos sinceros votos de agradecimento e sucesso ao Programa Espacial de seu país. Afinal, alguém precisa, de fato, realizar algo de verdadeira relevância na América do Sul nessa área — e, quem sabe, assim estimular os demais países a se juntarem a esse novo mundo que se aproxima. Valeu, Martín!
 
O 2026 Espacial Argentino: Artemis, Satélites e o Futuro Que Vem Aí
 

Por Martín Martelleti
(26/01/2026)
 
*Transcorridos quase o primeiro mês de 2026, em exclusiva para BrazilianSpace trazemos um panorama completo dos principais projetos em andamento na Argentina na área espacial. Desde marcos históricos com a NASA até o impulso do setor privado, avanços universitários e desenvolvimentos militares, o país mostra um ecossistema espacial dinâmico e em plena evolução, em um ano chave para toda a região latino-americana.*
 
**2026 será um ano histórico para a Argentina no espaço.** Pela primeira vez, um satélite argentino viajará rumo à Lua como parte da missão Artemis II da NASA, o primeiro voo tripulado ao redor do nosso satélite natural em mais de meio século. O microsatélite Atenea, desenvolvido integralmente pela CONAE junto à VENG, Universidade Nacional de La Plata, UBA, UNSAM e outras instituições nacionais, será desplegado como carga secundária a bordo da nave Orión, validando tecnologias chave para o espaço profundo e posicionando claramente a Argentina na vanguarda latino-americana em exploração espacial.
 
Esse marco não vem sozinho: 2026 também marca avanços (ou desafios) em projetos próprios como SABIA-Mar, a segunda geração de satélites ARSAT e o sonho do acesso autônomo com Tronador II. Em um contexto de orçamentos apertados, mas com oportunidades internacionais crescentes, o que realmente nos reserva o ano espacial argentino?
 
Em sintonia com as notícias que ao redor do mundo cobriram o posicionamento final do foguete SLS em sua plataforma de lançamento 39B no Centro Espacial Kennedy (Cabo Canaveral, Flórida) em 17 de janeiro de 2026 e as possíveis janelas de lançamento —que se abrem a partir de 6 de fevereiro, com extensões tentativas até abril—, numerosos meios argentinos fizeram eco da notícia, destacando a participação argentina na missão com seu satélite Atenea e tudo o que isso implica: os alcances científicos da missão (órbita cislunar, retorno humano à Lua), os detalhes do satélite (CubeSat 12U com medições de radiação e testes de subsistemas em espaço profundo), seus instrumentos e o desenvolvimento 100% nacional. Isso deu grande visibilidade à opinião pública sobre esse acontecimento, provocando uma grande onda de comentários a favor —com orgulho pelo talento argentino e o retorno às "grandes ligas"; da ciência— e, incrivelmente, também contra, com críticas por cortes orçamentários em instituições chave como a CONAE ou debates sobre quem realmente impulsionou os acordos com a NASA.
 
### SABIA-Mar: Etapa Final de Integração, Fundos Confirmados e Expectativas Binacionais
 
Em paralelo ao protagonismo lunar de Atenea, o projeto binacional SABIA-Mar (Argentina-Brasil) avança rumo ao lançamento previsto para o primeiro semestre de 2026. Recentemente, o Secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia, Darío Genua, visitou as instalações da INVAP em Bariloche e confirmou que o satélite argentino já está na **etapa final de integração**, com subsistemas chave montados, incluindo o receptor GPS de fabricação nacional e o instrumento AGR-T (para medição avançada da cor do oceano). Esse marco, destacado em publicações especializadas como Espacio Tech, é respaldado pela alocação de **US$ 8,9 milhões** no Orçamento 2026 —um montante modesto no quadro de um projeto cujo custo total gira em torno de US$ 100 milhões, mas suficiente para completar a fase final e preparar o lançamento, segundo análises do site.
 
Meios como Espacio Tech especulam se essa data será confirmada definitivamente ou se os recursos limitados poderão gerar atrasos adicionais (o projeto já acumula atrasos históricos), embora a CONAE mantenha o primeiro semestre de 2026 como objetivo oficial. Em sintonia com isso, do lado brasileiro —após o sucesso do Amazônia-1 lançado pelo PSLV indiano— busca-se opções competitivas para seu segundo satélite complementar (Amazonia-1B o equivalente na missão SABIA-Mar Brasil). Espera-se que a contratação dos serviços de lançamento se concretize em curto prazo para cumprir uma janela tentativa em 2027. Incrivelmente, se os atrasos se alinharem ou se coordenarem esforços binacionais, ambos os satélites poderiam chegar à órbita em uma janela de tempo muito curta e próxima, potencializando enormemente a missão: cobertura redundante, dados combinados sobre produtividade marinha, ecossistemas costeiros, ciclo do carbono e mudança climática no Atlântico Sul, com aplicações diretas em pesca, aquicultura e monitoramento ambiental para Argentina, Brasil e a região.
 
OBS: Em 27/01, ou seja, após esse artigo nos ter sido enviado pelo Martín, o INPE noticiou que havia escolhido o 'Foguete VEGA C' da Agência Espacial Europeia (ESA) para o lançamento do satélite transmorfo SabiaZonia (Amazônia-1B).
 
### ARSAT SG-1: A Segunda Geração de Telecomunicações e Seu Financiamento no Orçamento 2026
 
Um dos projetos emblemáticos do setor estatal que avança (embora com ritmos ajustados) é **ARSAT SG-1**, o primeiro satélite da segunda geração de telecomunicações geoestacionários, destinado a substituir e ampliar a cobertura de ARSAT-1 e ARSAT-2 em banda Ku/Ka para serviços de TV, internet rural, conectividade governamental e respaldo em emergências. Desenvolvido pela INVAP com financiamento majoritário do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), o satélite já está na fase de construção (cerca de 54% concluído no final de 2025), com lançamento projetado para outubro de 2027 e operação plena em 2028.
 
O Orçamento Nacional 2026 (Lei 27.798, promulgada no final de 2025) reflete uma realidade mista: para ARSAT-SG1 são alocados montantes modestos em 2026 (cerca de US$ 5,6 milhões equivalentes), suficientes para sustentar a construção e testes, mas longe dos US$ 80 milhões que algumas análises projetam como investimento acumulado ou pico em 2027-2028 (onde o projeto recebe cifras mais substanciais para finalizar integração e lançamento). Isso confirma que 2026 será um ano de transição e continuidade na fabricação, sem interrupções maiores apesar dos ajustes fiscais gerais.
 
Em contraste, o projeto Tronador II recebe montantes muito baixos (menos de US$ 1 milhão em alguns relatórios para 2026), o que alimenta críticas por desfinanciamento e priorização de telecomunicações comerciais sobre o acesso autônomo ao espaço. No entanto, ARSAT-SG1 se mantém como a "principal aposta espacial"; do governo atual, com potencial para gerar receitas por serviços e fortalecer a soberania em comunicações.
 
### Noel de Castro: A Candidata Argentina a Astronauta e o Impulso Desde Davos
 
Outro marco que pode marcar 2026 (e se estender até 2027) é o avanço na preparação de María Noel de Castro, a engenheira biomédica saltenha de 27-28 anos selecionada pela empresa privada norte-americana Axiom Space como candidata oficial para uma missão tripulada privada à Estação Espacial Internacional (PAM - Private Astronaut Mission). Com respaldo da CONAE e do governo nacional, de Castro —egressa da Universidade Favaloro, especializada em bioastronáutica e cursando mestrado em Engenharia Aeroespacial na Embry-Riddle Aeronautical University (Flórida)— já se reuniu pessoalmente com o presidente Javier Milei em setembro de 2025 durante sua visita a Los Angeles, onde compartilharam um almoço oficial para discutir seu caminho rumo ao espaço.
 
Em sintonia com esse apoio, durante sua recente participação no Fórum Econômico Mundial de Davos (janeiro de 2026), Milei manteve uma reunião chave com Jonathan Cirtain, presidente e CEO da Axiom Space —o "gigante aeroespacial"; que organiza essas missões em colaboração com NASA e SpaceX—. O encontro, adicionado de última hora à agenda presidencial, busca avançar na cooperação espacial e confirmar detalhes da reserva do assento para a astronauta argentina. Embora o voo esteja planejado para não antes de 2027, é provável que ao longo de 2026 se conheçam mais detalhes oficiais: cronograma de treinamento intensivo, experimentos científicos biomédicos que levará a bordo (focados em sua expertise) e marcos de preparação. Noel de Castro é muito ativa nas redes sociais (especialmente Instagram @noel.decastro), onde compartilha avanços de sua preparação, encontros com astronautas lendárias como Peggy Whitson e seu entusiasmo por representar a Argentina, inspirando milhares de jovens no país.
 
### TLON Space: O Microlançador Privado Argentino e Seu Debut Adiado Para Fevereiro de 2026
 
No âmbito privado, TLON Space emerge como um jogador chave no 2026 espacial argentino. A startup, fundada em 2021, reprogramou o lançamento debut de seu foguete Aventura I —um microlançador capaz de colocar até 25 kg em órbita baixa terrestre (LEO) ou órbita sun-synchronous (SSO) a 500-800 km— para a partir de 15 de fevereiro de 2026, após uma postergação desde dezembro de 2025 devido a condições climáticas adversas e vencimento de permissões na janela anterior. Esse marco, se concretizado, marcaria o primeiro voo orbital completamente privado desde solo argentino (ou em colaboração próxima), oferecendo acesso ao espaço frequente, de baixo custo e dedicado para smallsats, em um mercado global dominado por gigantes como Rocket Lab ou SpaceX.
 
A importância do Aventura I reside em seu potencial para democratizar o espaço: com design reutilizável em etapas futuras e foco em entregas rápidas (15 minutos para órbita específica), TLON mira servir constelações como as de **Space AI** (nanosatélites com capacidades de IA para IoT, processamento edge em órbita e aplicações em agricultura, monitoramento ambiental ou conectividade remota), que farão parte do payload inicial junto a uma obra artística simbólica.
 
**Space AI** representa um avanço chave no New Space argentino: seu foco em satélites "inteligentes"; permite comunicações em órbita e além por meio de computação distribuída, onde os dados são processados diretamente no espaço (reduzindo latência e dependência de estações terrestres). Isso habilita aplicações disruptivas como redes IoT globais de baixo custo, monitoramento em tempo real de cultivos ou desastres ambientais, e conectividade em zonas remotas ou marítimas sem infraestrutura tradicional. Ao integrar IA onboard, esses nanosats poderiam formar parte de constelações maiores para "edge computing"; espacial, posicionando a Argentina em tecnologias de vanguarda para comunicações satelitais do futuro. Projetos como esse poderiam se beneficiar enormemente de lançadores locais como Aventura I, reduzindo custos e tempos de implantação.
 
Esse enfoque não só impulsiona a indústria nacional, como se alinha com a diversidade de projetos universitários em andamento: desde o Haedo Sat (um nanosatélite 3U desenvolvido pela UTN Faculdade Regional Haedo, com modelos de qualificação e foco em pesquisa aplicada), o LABSAT IoT da Universidade de Palermo (um laboratório orbital para telecomunicações em zonas remotas, já em etapas avançadas e possivelmente buscando voo em 2026-2027), até o USAT1 da Universidade Nacional de La Plata (primeiro CubeSat universitário do país, parte de uma série de cinco para missões educativas e científicas, cada vez mais perto do lançamento). Essas e outras iniciativas —como os concursos CubeSat UTN com dezenas de equipes estudantis— ilustram a grande quantidade e diversidade de desenvolvimentos acadêmicos na Argentina, onde satélites similares poderiam se tornar clientes ideais da TLON, aproveitando lançamentos locais para reduzir custos e tempos em comparação com fornecedores estrangeiros.
 
Além disso, TLON poderia se expandir regionalmente: países vizinhos como Brasil (com projetos próximos como Amazonia-1B para observação terrestre ou a Missão Spaceward 2025 para lançamentos comerciais), Chile (séries Suchai de cubesats universitários para experimentos científicos), Peru (Chasqui II, nanosatélites educativos) ou Uruguai (possíveis sucessores de AntelSat para telecomunicações) estão construindo ou projetando smallsats que poderiam se beneficiar de um fornecedor sul-americano acessível, fortalecendo um ecossistema espacial latino-americano integrado.
 
### EPIC Aerospace e LIA Aerospace: Propulsão e Transporte Orbital, o New Space Argentino em Ação
 
O ecossistema espacial privado argentino não se limita a lançadores; startups como **EPIC Aerospace** e **LIA Aerospace** aportam inovação em etapas chave da cadeia: transporte e propulsão em órbita.
 
**EPIC Aerospace**, fundada por Ignacio Belieres Montero, já marcou um marco histórico em 2025 ao lançar e operar seu rebocador orbital **Chimera** (um OTV ou space tug) em uma missão conjunta com NASA e SpaceX a bordo de um Falcon 9 (fevereiro/março 2025). Esse dispositivo permite posicionar satélites em órbitas precisas —inclusive GEO— sem que os próprios satélites precisem de motores caros ou combustíveis, reduzindo drasticamente custos e complexidade. Atualmente operacional, Chimera valida tecnologias para uma futura constelação de "rede de transporte espacial"; que permita mover satélites livremente conforme necessidades (monitoramento terrestre, agricultura, defesa). Para 2026 não foram anunciados novos lançamentos específicos, mas a empresa continua expandindo sua frota e demonstrando que a Argentina joga na liga global do New Space.
 
Por sua vez, **LIA Aerospace** (liderada por Dan Etenberg) alcançou em outubro de 2024 seu maior milestone: o motor de propulsão **KX8** otimizado para satélites e naves espaciais, baseado em biocombustíveis sustentáveis e de baixo custo, pronto para comercialização. Esse sistema permite ajustes orbitais autônomos e "last-mile delivery"; em órbita, com capacidade para cargas de até 150 kg em veículos futuros. Embora sua ambição original inclua um lançador orbital, o foco atual está na venda de motores e subsistemas. Não há anúncios concretos para 2026 (como testes em voo ou lançamentos), mas após o sucesso de 2024-2025, espera-se que avancem em contratos comerciais e possivelmente integrações com projetos universitários ou regionais.
 
O ecossistema privado argentino é ainda mais amplo, com outras empresas destacadas como **SpaceSur** (especializada em engenharia de software e soluções para todo o ciclo aeroespacial, desde desenvolvimento de satélites até sistemas terrestres), **XSAM** (desenvolve tecnologia avançada de radar SAR interferométrico para observação da Terra de alta resolução, com planos para a constelação Focus rumo ao fim da década) e **Ascentio Technologies** (dedicada ao design, desenvolvimento e operação de sistemas complexos de alta disponibilidade para a indústria aeroespacial e espacial, com experiência em projetos CONAE e NASA). Essas e outras startups reforçam a diversidade e maturidade do setor, contribuindo para um New Space cada vez mais robusto no país.
 
### O Plano Militar: O Programa MET da Força Aérea e os Avanços Suborbitais
 
O setor espacial argentino não se limita ao âmbito civil ou comercial; a Força Aérea Argentina (FAA) impulsiona ativamente o **Programa MET (Modelos de Avaliação Tecnológica)**, focado no desenvolvimento de foguetes sonda suborbitais com tecnologia nacional e aplicações duais (científicas e de defesa). Esse programa, impulsionado pela Direção Geral de Pesquisa e Desenvolvimento (DIGID) da FAA, busca fortalecer capacidades soberanas em propulsão, aviónica, guiado e recuperação de cargas úteis, após décadas de inatividade em lançamentos desse tipo.
 
Em 2025 foram alcançados marcos significativos: o lançamento bem-sucedido do **MET 1-SO "Escorpio"** em maio (primeiro foguete sonda sobre o Mar Argentino em anos recentes, com recuperação da carga útil e validação de aviónica e estabilizadores nacionais) e o **MET 2-SO "Crux"** em novembro desde o CELPA II Atlântico em Mar Chiquita, que continuou os testes de tecnologia aplicável tanto em missões científicas quanto militares (incluindo ensaios de recuperação e operação em ambientes reais). Esses lançamentos marcaram o retorno da Argentina a capacidades supersônicas e suborbitais, com design 100% nacional e ênfase em infraestrutura própria.
 
Para 2026, embora não haja anúncios oficiais de lançamentos específicos confirmados até agora, espera-se que o programa MET continue com novos ensaios ou escalonamento de modelos (possivelmente MET 3-SO ou versões mais avançadas), aproveitando a experiência acumulada para avançar em tecnologias chave como motores mais potentes, guiado ativo ou integração com payloads de observação/defesa. Esse desenvolvimento complementa o ecossistema espacial nacional —desde CONAE e startups até iniciativas universitárias— e posiciona a FAA como ator relevante no New Space com enfoque dual, contribuindo para a soberania tecnológica em um contexto de demandas estratégicas crescentes no domínio aeroespacial.
 
### Tronador II: Avanços em 2025 Com o RS-3, Turbobombas Pendentes e Desafios na CONAE
 
Para fechar o panorama da CONAE em 2026, não se pode ignorar o projeto emblemático do acesso autônomo ao espaço: o lançador Tronador II. Em 2025 foram alcançados marcos importantes com o motor regenerativo RS-3 (desenvolvimento conjunto de VENG e CONAE, chave para a segunda etapa): em julho, autoridades da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (SICyT) visitaram o Centro Espacial Teófilo Tabanera e participaram de um ensaio bem-sucedido do propulsor MT-B, validando processos de manufatura aditiva, integração e operação em fogo real. Esses testes representam um passo à frente em relação aos ensaios prévios do RS-2 (em escala, em 2023), e posicionam o motor para avaliações completas futuras.
 
O próximo passo crítico anunciado era testar as **turbobombas** —o componente que impulsiona oxigênio líquido e querosene a alta pressão e vazão—, mas até o momento não houve novidades públicas a respeito, embora seja cedo no ano e o plano aponte para validar subsistemas para o Tronador II-70 ou versões demonstrativas em algum ponto de 2026-2027. Desde o arco opositor ao governo de Javier Milei, apontam-se desfinanciamento e cortes orçamentários que poderiam atrasar ou até colocar em risco esse desenvolvimento, com denúncias de demissões na VENG e esvaziamento do setor espacial. No entanto, o investido pela Argentina ao longo de mais de uma década —com tecnologia própria acumulada, bancos de ensaio e protótipos— tornaria muito difícil uma cancelamento definitivo; no máximo, um longo letargo até uma mudança de governo. Falta menos pela frente do que o muito que já se fez. Será preciso ficar atento, porque a CONAE sempre surpreende com resiliência em contextos adversos.
 
Esse cenário se enquadra em mudanças recentes na instituição: a renúncia de Raúl Kulichevsky, diretor executivo e técnico por sete anos, se conheceu há poucos dias em janeiro de 2026 (após se concretizar no final de dezembro de 2025), em meio a uma crise orçamentária e denúncias de desfinanciamento. Sua saída deixa um vazio temporário, embora se espere a futura designação de um sucessor —possivelmente no rol de diretor técnico ou executivo, com nomes como Ernesto Gaspari circulando em fontes especializadas, embora sem confirmação oficial—. Em paralelo, o governo nomeou novos integrantes ao Diretório (Alejandro Aníbal Moresi por Defesa ad honorem, Leandro Horacio Massaccesi por Capital Humano e Felipe Berón por Economia), em uma tentativa de reestruturar a agência e possivelmente atrair fundos privados ou internacionais para projetos como Tronador.
 
### Aspectos Chave do Desenvolvimento Espacial Argentino: As Bases para o Desenvolvimento Espacial Argentino (2025)
 
Em dezembro de 2025, o Governo apresentou as **Bases para o Desenvolvimento Espacial Argentino**, um documento chave que atualiza e redefine a folha de rota espacial nacional diante das mudanças tecnológicas globais, promovendo maior participação de empresas, empreendedores e talento nacional. Esse marco estratégico consolida pilares como a observação da Terra (com constelações como SAOCOM), o desenvolvimento de lançadores próprios para acesso autônomo ao espaço, e a criação de um **Hub Espacial Nacional** que integre capacidades científicas, tecnológicas e industriais.
 
A **CONAE** lidera o esforço, com **INVAP** como contratista principal para satélites (SAC, SAOCOM, ARSAT) e **VENG** em lançadores e componentes. Os logros incluem satélites operativos de observação (SAOCOM com radares SAR para monitoramento ambiental e agricultura) e comunicações (ARSAT), além do recente Atenea para Artemis II. O plano busca impulsionar a **economia espacial**, substituir importações de alta tecnologia e gerar valor agregado por meio da indústria satelital. Embora atualize o Plano Espacial Nacional 2016-2027, mantém o foco em soberania tecnológica e articulação público-privada.
 
### Em Resumo
 
Com Artemis II logo ali (lançamento iminente a partir de fevereiro), avanços binacionais como SABIA-Mar, continuidade em ARSAT SG-1 apesar de orçamentos apertados, o debut privado da TLON Space neste mês (incluindo payloads como **Space AI** para comunicações inteligentes em órbita e além), a consolidação de startups como EPIC e LIA (junto a outras como SpaceSur, XSAM e Ascentio Technologies), o retorno suborbital militar com MET e a resiliência da CONAE apesar dos desafios, 2026 se perfila como um ano pivotal para o espaço argentino.
 
**Apesar de todos os males e prognósticos adversos —cortes orçamentários, críticas políticas e contextos econômicos difíceis—, a Argentina demonstra na prática um liderança sustentada no espaço latino-americano.** Continua gerando produtos e serviços derivados de alta tecnologia: satélites operativos que exportam dados globais, missões internacionais como Artemis, lançadores e rebocadores privados, motores verdes e foguetes sonda militares. Essa capacidade acumulada ao longo de décadas, combinada com o novo marco das Bases para o Desenvolvimento Espacial Argentino, posiciona o país para contribuir ativamente ao crescimento regional, atraindo investimentos e talento em um ecossistema cada vez mais integrado. O futuro que vem promete mais marcos… e mais surpresas.
 
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