Novo Estudo da UNICAMP Indica Que o Brasil Sofreu Grande 'Colisão Cósmica' Há 6 Milhões de Anos
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No dia de ontem (19/01), o portal Inovação tecnológica informou que segundo um novo estudo de pesquisadores da UNICAMP, o Brasil sofreu grande 'Colisão Cósmica' há 6 milhões de anos.
[Imagem: Álvaro Penteado Crósta/IG-Unicamp]
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| Alguns exemplares de "geraisitos", assim chamados em homenagem ao Estado de Minas Gerais, onde os primeiros exemplares foram encontrados. |
De acordo com a nota do portal, o Brasil recebeu um impacto direto de um corpo celeste - um asteroide ou um cometa - no passado, e as provas diretas dessa colisão acabam de ser documentadas pela equipe do Professor Alvaro Crósta, da Unicamp.
Os pesquisadores identificaram, pela primeira vez no Brasil, um campo de tectitos, vidros naturais formados pelo impacto de alta energia de um corpo extraterrestre contra a superfície da Terra. Até então, apenas cinco grandes campos de tectitos eram reconhecidos no planeta: Australásia, Europa Central, Costa do Marfim, América do Norte e Belize. O campo brasileiro passa a integrar esse grupo restrito.
Os minerais gerados pela colisão foram batizados de geraisitos, em homenagem ao Estado de Minas Gerais. As primeiras amostras foram localizadas em três municípios do norte de Minas Gerais - Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso - numa faixa com cerca de 90 quilômetros de extensão. Mas novas ocorrências já foram identificadas também na Bahia e no Piauí, ampliando a área conhecida para mais de 900 quilômetros de extensão longitudinal.
Assim, os geraisitos constituem um "campo de espalhamento", ampliando o ainda incompleto registro de impactos na América do Sul. "Esse crescimento da área de ocorrência é totalmente compatível com o que se observa em outros campos de tectitos no mundo. O tamanho do campo depende diretamente da energia do impacto, entre outros fatores," explicou Crósta.
[Imagem: Álvaro Penteado Crósta/IG-Unicamp]
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| Mapa da área de ocorrência dos geraisitos coletados até o momento, que abrange regiões dos estados de Minas Gerais, Bahia e Piauí. |
Geraisitos
Já foram coletadas mais de 600 amostras de geraisitos até o momento. Os fragmentos variam de menos de 1 grama até 85,4 gramas, com tamanhos que chegam a cerca de 5 centímetros no maior eixo. As formas são típicas de tectitos aerodinâmicos: Esféricas, elipsoidais, em gotas, discoides, em halteres ou torcidas.
Embora negros e opacos à primeira vista, os geraisitos tornam-se translúcidos sob luz intensa, apresentando uma coloração verde-acinzentada, distinta dos moldavitos europeus, historicamente usados como joias desde a Idade Média por sua característica cor verde intensa. Suas superfícies escuras são marcadas por muitas pequenas cavidades. "Essas pequenas cavidades são vestígios de bolhas de gás que escaparam durante o rápido resfriamento do material fundido durante a viagem pela atmosfera, um processo também observado em lavas vulcânicas, mas especialmente característico de tectitos," detalhou Crósta.
As análises geoquímicas mostram que os geraisitos têm alto teor de sílica (SiO2), entre 70,3% e 73,7%. Os teores combinados de óxidos de sódio (Na2O) e potássio (K2O) variam entre 5,86% e 8,01%, ligeiramente superiores aos observados em outros campos de tectitos. Foram identificadas pequenas variações em elementos-traço, como cromo (10-48 partes por milhão) e níquel (9-63 ppm), indicando que o material original não era completamente homogêneo. Inclusões raras de lechatelierita, uma forma de sílica vítrea produzida em temperaturas extremas, reforçam a origem por impacto.
"Um dos critérios decisivos para classificar o material como tectito foi o baixíssimo teor de água, medido por espectroscopia no infravermelho: entre 71 e 107 ppm. Para comparação, vidros vulcânicos como a obsidiana costumam conter de 700 ppm a 2% de água, enquanto tectitos são notoriamente bem mais secos," explicou Crósta.
[Imagem: Alvaro P. Crósta et al. - 10.1130/G53805.1]
Em Busca da Cratera de Impacto
As datações das amostras indicam que o impacto do corpo celeste com o solo ocorreu há cerca de 6,3 milhões de anos, no final do Mioceno. As amostras foram divididas em três grupos de idades muito próximas (6,78, 6,40 e 6,33 milhões de anos). Como a incerteza nessas medições é de apenas 20 mil anos, os dados são compatíveis com um único evento de impacto. "A idade de 6,3 milhões de anos deve ser interpretada como uma idade máxima, pois parte do argônio [elemento usado na datação] pode ter sido herdada das rochas extremamente antigas que serviram de alvo ao impacto," comentou Crósta.
Até o momento, os pesquisadores não conseguiram identificar uma cratera associada ao evento de impacto. Segundo Crósta, isso não é incomum, uma vez que, dos seis grandes campos de tectitos conhecidos, apenas três têm crateras conhecidas. No caso do maior deles, o da Australásia, a cratera é hipoteticamente oceânica. "Métodos aerogeofísicos, como levantamentos magnéticos e gravimétricos, poderão no futuro revelar anomalias circulares associadas a uma cratera enterrada ou erodida," disse Crósta.
Embora ainda não seja possível estimar com precisão o tamanho do corpo impactante, os pesquisadores consideram improvável que tenha sido pequeno. A grande quantidade de material fundido e a ampla área de espalhamento indicam um impacto de energia significativa, ainda que menor do que o evento responsável pelo campo da Australásia, que se estende por milhares de quilômetros.
Saibam mais:
Autores: Alvaro P. Crósta, Gabriel G. Silva, Ludovic Ferrière, Philippe Nonnotte, Eugen Libowitzky, Fred Jourdan
Revista: Geology
DOI: 10.1130/G53805.1
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