A economia do setor de upstream, especificamente no segmento de veículos lançadores, encerrou o ciclo de 2025 não apenas como um pilar estratégico, mas como um motor de crescimento exponencial que desafiou as projeções estatísticas mais robustas. O estudo original "O Futuro dos Lançamentos Espaciais (2025-2031)", publicado no início de 2025, previa um ano de consolidação com uma meta moderada de 265 lançamentos. Todavia, a realidade operacional consolidou 323 lançamentos orbitais, um desvio positivo de 22% sobre a projeção e um salto de até 61% sobre a média histórica recente.
Figura 01- Infográfico dos Dados de Lançamentos de 2025

Fonte: o autor (2026)
Este fenômeno sinaliza que a indústria superou o gargalo da cadência técnica, movendo-se para uma fase de "logística de prateleira". O mês de dezembro de 2025, com o recorde de 40 lançamentos (uma média de 1,3 decolagem por dia), serve como o novo benchmark para a infraestrutura global de portos espaciais.
Desempenho Regional e Maturidade Tecnológica
A análise dos dados de 2025 revela uma concentração de mercado sem precedentes. Os Estados Unidos, impulsionados pela maturidade da reutilização de primeiro estágio, atingiram 193 lançamentos (60% do market share global), com a SpaceX respondendo individualmente por 165 missões. A China consolidou sua posição como a segunda potência com 92 lançamentos, demonstrando uma cadência estatal e privada (CASC com 73 voos) que já supera qualquer competidor tradicional além dos EUA.
Um dado técnico fundamental é a Taxa de Sucesso Global de 97,52%. Em um ambiente de alta pressão e aumento volumétrico, a manutenção de um nível de confiabilidade "Ótimo" indica que os processos de controle de qualidade e a maturidade dos sistemas de propulsão alcançaram um estágio industrial, reduzindo o risco sistêmico para investidores e seguradoras.
Tabela 01: Comparativo de Performance 2025 (Projetado vs. Realizado)
Fonte: o autor.
Recalibrando as Projeções (2026-2031)
Diante da nova baseline estabelecida em 2025, as projeções para o restante da década foram recalibradas. O crescimento composto anual (CAGR) original de 13,1% foi ajustado para refletir a aceleração imposta pelas megaconstelações de banda larga e a entrada em serviço de veículos de carga ultra-pesada (super heavy-lift).
Abaixo, a nova trajetória estimada, considerando que a capacidade instalada de produção e lançamento agora opera sob uma nova curva de eficiência.
Tabela 02: Nova Projeção de Lançamentos Orbitais 2026 - 2031 (Ajustada Pós-2025)
Fonte: o autor.
Impacto Econômico e Dinâmica de Custos
A aceleração do volume de lançamentos exerce uma pressão deflacionária no custo por quilograma em órbita ($\text{USD/kg}$). Se em 2023 o mercado era avaliado em US$ 17,2 bilhões, a projeção para 2031 — anteriormente fixada em US$ 48,6 bilhões — agora aponta para um teto de US$ 64,2 bilhões.Este aumento no valor de mercado, apesar da queda nos preços unitários, é justificado pela elasticidade da demanda: o acesso mais barato e frequente está viabilizando modelos de negócio que antes eram economicamente proibitivos, como o refino de materiais em microgravidade e a manutenção de infraestruturas cislunares.
Conclusão
O salto de 2025 encerrou a fase de "experimentação comercial" do espaço. Entramos agora em uma fase de maturidade de infraestrutura. Para nações com ambições (sonhos) espaciais, como o Brasil, a métrica de sucesso não é mais a capacidade isolada de lançamento, mas a integração em uma cadeia de suprimentos global que exige prontidão operacional diária. O futuro projetado para 2031, com quase mil lançamentos anuais, desenha um cenário onde o espaço é a extensão natural da logística terrestre.
Sobre o autor:
Rui Botelho é Mestre em Mecatrônica pela Universidade Federal da Bahia e bacharel em Ciência da Computação pela Faculdade Ruy Barbosa (Salvador/BA). Ex-servidor de carreira da Agência Espacial Brasileira (AEB), possui mais de 30 anos de experiência como gestor e agente público em diversos entes Federais e Estaduais e mais de 16 anos como docente e gestor acadêmico do ensino superior, em instituições da Bahia e do Distrito Federal. É professor das Especializações em Engenharia do SENAI/CIMATEC (Salvador/BA) e analista de sistemas do quadro próprio da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Autor do livro “Agência Espacial Brasileira: Um diagnóstico de gestão”, tem publicado constantemente em revistas e congressos do setor espacial, além de ser membro-fundador da Aliança das Startups Espaciais Brasileiras (ASB). Como Jornalista é o Editor do Blog e do canal do YouTube do Brazilian Space e já atuou como co-autor do Podcast Espacial Brasileiro (PEB).
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