CEO da Acrux Aerospace Technologies Publica Nota Apresentando Uma Prestação de Contas a Sociedade Brasileira Sobre o Programa VLPP

Caros entusiastas das atividades espaciais!
 
No dia 14 de janeiro, o fundador e atual CEO da startup brasileira Acrux Aerospace Technologies, Oswaldo Barbosa Loureda, manifestou-se oficialmente a respeito do ocorrido no âmbito do Programa VLPP, por meio de uma esclarecedora nota publicada em sua página oficial no LinkedIn. No entanto, sem contudo não entrar em maiores detalhes sobre o imbróglio, evidentemente por motivos óbvios.
 
O Dr. Oswaldo Loureda é um profissional altamente gabaritado nas áreas de foguetes e motores-foguetes sólidos e líquidos no Brasil. Pessoa por quem nutro grande estima e respeito, já o classifiquei, inclusive, como o “Von Braun brasileiro” da nova geração. Infelizmente, ao longo dos anos, ele tem sido alvo de boicotes de diversas naturezas e provenientes de diferentes frentes, sobretudo pela ausência de um verdadeiro Programa de Nação em um território que, nunca deixou de ser apenas uma "Terra de Piratas".
 
Nesse contexto, profissionais qualificados, comprometidos com a construção de um Brasil Forte e respeitado, acabam sendo sistematicamente deixados de lado ou deliberadamente prejudicados, em detrimento de indivíduos sem mérito, movidos por inveja, oportunismo e interesses escusos — verdadeiros lobos em pele de cordeiro.
 
Pois então, amantes das atividades espaciais, diante desse cenário, o Dr. Oswaldo Loureda decidiu, finalmente, tornar pública a nota abaixo, a qual ele próprio denominou de “Prestação de Contas à Sociedade Brasileira – Programa VLPP”. Confiram, a seguir, a nota na íntegra:
 
PRESTAÇÃO DE CONTAS À SOCIEDADE BRASILEIRA - PROGRAMA VLPP
 
Veículo Lançador de Microsatélites MONTENEGRO MKI. 

Por Dr. Oswaldo Barboda Loureda
14/01/2025
 
Nos últimos anos, a equipe da ACRUX esteve exclusivamente imersa no programa VLPP. Cada etapa desse projeto refletiu nosso sonho e compromisso técnico com o Brasil. Nossa trajetória com lançadores responsivos e de baixo custo vem de longa data, desde o início do projeto Montenegro em 2010, inspirado no legado do VSB30.
 
Com o edital FINEP 17/2022, unimos forças com as startups BRENG e EMSISTI para estruturar o Montenegro MKI para esse edital. Pela escala financeira do projeto — próximo a R$ 200 milhões — a submissão do projeto exigia uma empresa de maior porte financeiro para liderar o arranjo institucional. Assim, a AKAER foi abordada para assumir a liderança do arranjo como executora principal. Após aprovação criteriosa da AEB e FINEP, o contrato foi assinado em novembro de 2023.
 
Desafios de Governança e Operação
 
Após a assinatura, iniciou-se um longo período de tratativas sobre o instrumento jurídico de repasse às coexecutoras. Priorizando a urgência do cronograma e a manutenção do projeto, a ACRUX anuiu a um modelo de governança proposto pela executora principal que centralizava a gestão financeira dos recursos.
 
Iniciamos as contratações com a urgência que o desafio exigia. No entanto, o fluxo de repasses estabelecido pela liderança do arranjo apresentou descontinuidades e atrasos frequentes. Esse cenário desafiador gerou impactos diretos: multas, extensão de prazos com fornecedores e dificuldades na motivação e retenção de talentos essenciais.
 
Mesmo diante dessas limitações, as equipes técnicas das quatro empresas demonstraram grande competência e compromisso, consolidando o veículo como uma alternativa viável, acessível e compatível com o cronograma de voo original, inclusive em eventos de revisão técnica por pares.
 
O Desfecho do Projeto
 
Em março de 2025, em reunião extraordinária com os representantes do arranjo, a FINEP identificou desconformidades na gestão dos recursos sob responsabilidade exclusiva da executora principal.
 
Diante do risco ao projeto, as coexecutoras (ACRUX, BRENG e EMSISTI) agiram proativamente, buscando investidores externos e oferecendo inclusive garantias próprias para sanar as lacunas e garantir a continuidade do sonho de um microlançador brasileiro responsivo. Contudo, sem o consenso de todas as empresas do arranjo para uma reestruturação, a FINEP, no exercício de suas prerrogativas de fiscalização, não teve alternativa se não pelo encerramento do contrato.
 
O Legado Técnico e o Futuro
 
Apesar da interrupção do contrato, a ACRUX sai deste processo com avanços tecnológicos sem precedentes em sua caminhada de 17 anos no mercado. O conhecimento e os meios construídos ao longo desse projeto permanecem como um patrimônio do Brasil, e a disposição da Defesa e do Programa Espacial Brasileiro. Nossos principais marcos entre 2024 e 2025 incluem:
 
* Capital Humano: Fomento de mais de 40 profissionais (CLT e bolsistas FINEP/CNPq) altamente qualificados.
 
Válvulas, linhas e propulsores a gás frio e bipropelente testados pela equipe.

* Infraestrutura: Consolidação de base fabril metal-mecânica em Osasco/SP e infraestrutura de pesquisa em tecnologia de foguetes no campus da UFMA em São Luis/MA.
 
Parte da infraestrutura desenvolvida com apoio da FINEP em São Luis/MA e Osasco/SP.

* Propelentes: Fabricação em escala laboratorial de resina de PBLH 100% nacional e propelente compósito avançado, com ensaios de motores de pequeno porte. Projeto detalhado de planta de produção de PBLH (até 25 ton/ano), masseração e carregamento de propelente e ensaios estáticos de motores de até 15 ton.
 
Parte da infraestrutura planejada para produção, carregamento e ensaios de propelentes e propulsores no Maranhão.

* Capacidade Computacional: Implementação dos softwares mais avançados de balística, modelagem CAD e ferramentas de simulação de fluídos/compósitos.
 
Algumas das análises realizadas no início do projeto usando softwares da ASTOS e ANSYS.

* Propulsores Espaciais: Testes bem-sucedidos de motores bipropelente com "propelentes verdes", propulsor a gás frio/quente e novas formulações de propelente sólido avançado.
 
Ensaios de propulsores líquidos e sólidos.

* Novos propulsores para Espaço e Defesa: Projeto detalhado de propulsor baseado no S30 em fibra de carbono (900kg de APCP), e propulsor de apogeu (300kg de APCP) com eficiência estrutural prevista de 92%.
 
Alguns desenhos detalhados dos propulsores sólidos S30A e S18, e sistema indutor de rolamento (L050 de 50N).

* Produção de Documentação de Projeto: Mais de 500 laudas de documentação técnica submetida a FINEP, revisada e com aprovação técnica por comissão técnica da AEB, consolidados nos seguintes relatórios internos:
 
·       B1.4-ARX-COP-002-2024-25-jun-B1.4-CalhaEstagio3
 
·       B1.4-ARX-COP-001-2024-20-jun-B1.4-CalhaEstagios1e2
 
·       B1.6-B2.6-ARX-COMP-003-2025-30-jul-RelatorioDificuldadesFinanceiras
 
·       B1.6-B2.6-ARX-PRP-002-2025-04-mar-QueimaErosiva
 
·       B1.6-B2.6-ARX-PRP-003-2024-18-dez-B1.6-B2.6-ProjPropSubsisS30S18
 
·       B2.4-B3.1-ARX-COP-004-2024-26-jul-B2.4-B3.1-AnEstrBobinEnvelopes
 
·       B2.5-ARX-PRP-001-2024-28-jun-B2.5-RedePirotecnica
 
·       B3.2-ARX-COP-003-2024-22.jul-B3.2-BCA-TanqueProp
 
·       B3.4-B3.14-ARX-PRP-002-2024-29-nov-B3.4-B3
 
·       B3.5-ARX-COP-001-2024-21-out-B3.5-ConeAcoplador
 
·       B3.6-ARX-AES-001-2024-25-nov-B3.6-Coifa
 
·       B4.1-ARX-QUI-002-2024-30-out-B4.1-ProjPlantaPiloto50kg
 
·       B4.2-ARX-QUI-001-2024-28-out-B4.2-ProjMassProp250kg
 
·       B4.3-ARX-COMP-003-2025-30-jul-RelatorioDificuldadesFinanceiras
 
·       C1.2-ARX-SIS-001-2025-28-fev-C1.2-Manufatura-Ensaios-ModEng
 
* Desenvolvimento de Equipamentos: Diversos equipamentos e dispositivos de ensaios e produção foram desenvolvidos ao longo do projeto, dotando a empresa de capacidade rápida de prototipação e fabricação de novos propulsores sólidos e líquidos.
 
Parte da infraestrutura de testes criada para o projeto.

Conclusão
 
Entre 2022 e 2025 vislumbramos diariamente a contagem regressiva e a ignição desse Veículo Lançador 100% nacional, partindo de solo nacional, no entanto, infelizmente dificuldades não-técnicas alheias ao nosso controle nos superaram. 
 
A experiência adquirida e os ativos tecnológicos desenvolvidos nos dão a certeza de que o acesso soberano do Brasil ao espaço não está distante, e continuamos na torcida pelo VLM-AT e ML-BR. Seguimos trabalhando resilientes, com transparência e dedicação, pela Defesa e o Programa Espacial Brasileiro. Agradecemos todo o apoio do MCTI, FINEP e AEB, além de nossos diversos parceiros acadêmicos, comerciais e entusiastas do setor.
 
Brazilian Space
 
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