Dois Estudantes do Interior de SP Constroem Foguete, Quebram Recorde e Vencem Competição da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG)

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No dia 03/01, o portal G1, do Globo.com, publicou uma curiosa matéria sobre estudantes do interior de São Paulo que construíram um foguete, quebraram recordes e venceram a competição nacional da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG), realizada no Rio de Janeiro. O foguete, desenvolvido por dois jovens de Sorocaba (SP), é composto por garrafas PET, fibra de vidro, resinas, metais e peças produzidas por impressão 3D. O projeto alcançou a marca de 672,2 metros de altura, cerca de 300 metros a mais do que o segundo colocado.
 
Fonte: G1
Estudantes do interior de SP constroem foguete, quebram recorde e vencem competição.

De acordo com a matéria do portal, um foguete projetado e construído por dois estudantes de Sorocaba (SP) quebrou um recorde e garantiu o primeiro lugar na Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG), realizada no Rio de Janeiro. A dupla é formada por Giovanni Floravanti, de 18 anos, e Victor Trevisan, de 16 anos. Confira no vídeo acima.
 
A competição reuniu estudantes de todo o Brasil durante quatro dias, com o objetivo de disputar qual foguete desenvolvido alcançaria a maior distância horizontal. A competição tem como embaixador Iberê Thenório, jornalista e apresentador do Manual do Mundo.
 
Ao g1, os jovens relataram que montaram o próprio foguete desde o protótipo, com três objetivos principais em mente: alcançar a distância desejada, respeitar o regulamento e garantir a viabilidade técnica.
 
“O nome do nosso foguete é Kaiser, que significa ‘imperador’ em alemão. Demorou um ano para o foguete ser construído e desde o começo do projeto, tínhamos o objetivo de fazer ele ser o que dominaria os céus das competições”, revela Victor.
 
Foto: Arquivo Pessoal
Giovanni Floravanti na ponta esquerda, Victor Trevisan no meio, e Iberê Thenório na ponta direita.

Ao final do projeto, o foguete, com 1,77 metro de altura, alcançou a distância de 672,2 metros, cerca de 300 metros a mais que o segundo colocado. Com o resultado, a dupla também quebrou o recorde nacional da competição.
 
“No primeiro momento, a gente não sabia a metragem alcançada. Quando descobrimos que tínhamos quebrado o recorde nacional e conquistado o primeiro lugar absoluto, foi emocionante”, diz Giovanni.
 
Segundo os estudantes, a inspiração para a criação de uma máquina tão complexa veio de foguetes estrangeiros e de projetos anteriores de outras equipes. Eles utilizaram materiais como garrafas PET, fibra de vidro, resinas, metais e peças produzidas por meio de impressão 3D.
 
“O processo de construção levou algumas semanas para a base de lançamento e mais algumas semanas para cada foguete, incluindo os testes. A construção envolveu desde a união de garrafas PET até o uso de metais ao redor da estrutura, além de modelagem, simulações e impressão 3D”, explica.
 
Foto: Arquivo Pessoal
Jovens de Sorocaba (SP) desenvolvem foguete campeão de competição nacional.

Na composição do foguete, a garrafa PET foi utilizada como reservatório de água e ar comprimido, que, ao serem expelidos, geram o impulso necessário para o lançamento, explica a dupla.
 
"Ele se diferencia dos demais porque as garrafas foram reforçadas com fibra de vidro e resina, fazendo com que a garrafa funcionasse como estrutura principal do foguete", diz.
 
"O gargalo da garrafa funciona como bocal, por onde o foguete é expelido. O projeto inclui aletas, pequenas 'asas' responsáveis por manter a estabilidade durante o voo, e passou por simulações em computador para definir estabilidade, peso e formato", continua.
 
Desde o início de 2025, Victor conta que foram construídas diversas versões reduzidas do foguete final, a fim de testar a viabilidade da máquina. "Esses foguetes menores serviram para testar sistemas, base de lançamento e estabilidade. Foram produzidos diversos protótipos e realizados vários lançamentos, quase todos com foguetes de menor porte", diz.
 
Foto: Arquivo Pessoal
Estudantes de Sorocaba (SP) vencem competição nacional de foguete sediado no Rio de Janeiro.
 
🧠 Conhecimento Técnico
 
Victor e Giovanni contam que o desenvolvimento do foguete foi um processo trabalhoso que demandou muito tempo e estudo. Segundo eles, alguns materiais exigiram habilidades de manuseio específicas e muita cautela.
 
"Foi necessária uma mistura de um conhecimento técnico e manual para a manufatura em si, e um grande conhecimento teórico e acadêmico para as etapas de planejamento, pesquisas, cálculos, projeto e tudo ao mais. Certamente ir atrás das habilidades para manusear cada material e ter o conhecimento para usar cada um deles foi bem difícil", ressalta Victor.
 
“Um projeto desse porte, esse trabalho de engenharia, normalmente é dividido entre várias pessoas, mas, como a gente estava só em dois, teve um bom trabalho de dividir as tarefas. Então, quando eu não conseguia fazer uma coisa, o Victor fazia, e vice versa”, acrescenta Giovanni.
 
Foto: Arquivo Pessoal
Giovanni Floravanti e Victor Trevisan, moradores de Sorocaba (SP), vencem competição nacional de foguete.

Para a construção do foguete, os jovens se reuniam presencialmente ou virtualmente para etapas conjuntas do projeto, como integração de sistemas, montagem da base e acabamento final, entre outras.
 
“Apesar disso, outras etapas mais especializadas, como laminação de compósitos, construção da eletrônica e usinagem, acabavam sendo designadas ao integrante com maior conhecimento técnico e disposição na área”, explica Victor.
 
🤝 'Missão Cumprida'
 
A dupla conta que, ao descobrir que havia quebrado o recorde nacional, foi tomada por uma forte sensação de missão cumprida. O resultado compensou anos de tentativas, testes e frustrações acumuladas, segundo eles.
 
“Foi um sentimento muito bom, porque a gente sempre viu os outros ganhando. Tantos anos já que a gente fazia foguetes, a gente sempre viu os outros em primeiro, os outros ganhando. E a gente sentiu que a gente chegou lá, é uma sensação nova que é indescritível, de uma realização pessoal inigualável”, comemora.
 
“A sensação foi uma mistura de alívio, euforia e ‘missão cumprida’, um peso tirado das nossas costas e a pura vontade de comemorar com quem nos acompanhou até ali. Na competição, ganhamos um troféu, certificados individuais e medalhas para cada integrante da equipe. No entanto, a ideia da olimpíada vai além das premiações. Não se trata apenas de medalhas e troféus, mas da enorme experiência adquirida ao longo de todo o processo até chegar à competição”, finaliza Victor.
 
Foto: Arquivo Pessoal
Jovens de Sorocaba (SP) constroem foguete e conquistam o primeiro lugar em competição nacional.

Foto: Arquivo Pessoal
Foguete desenvolvido por jovens de Sorocaba (SP) alcança mais de 600 metros de distância.

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