Concluído o Desenvolvimento do Primeiro Computador de Bordo Brasileiro Para Satélites

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada ontem (11/07) no site do jornal “O Globo” destacando que foi concluído o desenvolvimento do “Primeiro Computador de Bordo Brasileiro para Satélites”.

Duda Falcão

Concluído o Desenvolvimento do Primeiro
Computador de Bordo Brasileiro Para Satélites

Criado pela empresa AEL, em associação com o INPE, a máquina
deixa o país mais próximo da criação de satélites 100% nacionais

Por O GLOBO
11/07/2014- 18:27
Atualizado 11/07/2014 - 18:36

Divulgação
Primeiro computador de bordo (OBC) para satélites
de baixa órbita desenvolvido no Brasil.

RIO — O Brasil está mais próximo da meta de dominar a tecnologia e a capacitação para o lançamento de satélites inteiramente nacionais. Após dois anos de desenvolvimento, a AEL Sistemas, empresa brasileira do segmento espacial, entregou ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) o primeiro computador de bordo (OBC) nacional desenvolvido para controlar a atitude (inclinação) e a órbita de satélites da classe LEO (Baixa Órbita) — tecnologia que o país ainda não dominava.

Criado em associação com o INPE, o equipamento desempenha o papel de cérebro e coração de um satélite, controlando e administrando diversos de seus sensores e sistemas, como GPS, giroscópios, rodas de reação, entre outros. Uma vez concluído o seu desenvolvimento, a máquina será agora avaliada pelo órgão brasileiro de pesquisas espaciais, que deverá testá-la e qualificá-la para o seu posterior uso em satélites reais, fabricados no país ou no exterior. O processo, no entanto, ainda pode levar mais de um ano.

Diretor de tecnologia da AEL, Marcos Arend, afirma que o término do desenvolvimento do OBC representa um marco para a autonomia espacial brasileira, pois preenche um requisito que o país ainda não dominava:

— A principal importância da iniciativa é proporcionar ao país a capacitação para o controle de atitude e órbita dos satélites da classe LEO. Apesar do país já dominar outros subsistemas, esse é um que carecíamos de autonomia, o que foi alcançado agora. Após a capacitação do INPE, completaremos o ciclo e poderemos iniciar a construção de satélites inteiramente brasileiros — explica ele.

Atualmente, todos os satélites operados pelo Brasil contam com subsistemas do tipo desenvolvidos por empresas estrangeiras. Avaliado em “dezenas de milhares de dólares” por Marcos Arend, por envolver tecnologias de ponta em seus componentes, o computador de bordo OBC poderá futuramente chegar ao mercado espacial e ser vendido para outras empresas e países.

Entre os desafios enfrentados pela equipe de mais de 20 engenheiros envolvidos no projeto, o diretor de tecnologia destaca a necessidade do desenvolvimento de sistemas e equipamentos eletrônicos resistentes às condições adversas do ambiente espacial, tais como níveis de radiação nocivos aos componentes e grandes variações térmicas.

Desenvolvido em Porto Alegre, onde a AEL tem sede, o OBC foi exaltado pelo secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento do Rio Grande do Sul, Mauro Knijnik, como um passo importante para a implantação de um Polo Espacial gaúcho:

— É um avanço para o país, um passo importante em uma área estratégica em termos de soberania e também no aspecto econômico, pois trata-se de uma indústria de grande potencial e valor agregado — afirma Knijnik.


Fonte: Site do jornal “O Globo” - 11/07/2013

Comentário: Êpa, vamos com calma que as coisas não são bem assim. Primeiramente a AEL Sistemas não é uma empresa brasileira do Segmento Espacial coisíssima nenhuma.  Na verdade ela faz parte do grupo israelense Elbit Systems e apenas está sediada no Rio Grande do Sul onde, ai é verdade, emprega muitos brasileiros.  Além disso, precisa se averiguar até que ponto houve o envolvimento do INPE neste projeto e se o mesmo foi desenvolvido com recursos públicos ou com recursos da própria AEL Sistemas. No caso do desenvolvimento ter ocorrido com recursos públicos sem a devida transferência de tecnologia para uma empresa genuinamente brasileira (o que é bastante provável), então este computador de bordo é no mínimo bi-nacional e o seu resultado um crime contra o erário e o patrimônio público brasileiro. Eu só gostaria de saber se os israelenses daria dinheiro para uma empresa brasileira desenvolver em seu território um equipamento espacial que eles não tem competência sem a devida contrapartida? Ora, faça-me uma garapa. Tem algo de muito errado nesta história.

Comentários

  1. Pq você não vai la visitar essa empresa? Você fala muita coisa que não sabe. É achismo puro. Vai falar mal da mectron que ganha milhões para desenvolver e então compra tecnologia de empresa estrangeira - vive de fachada - da Omnysis que é totalmente estrangeira. Você não aceita que brasileiros sejam capazes de desenvolver alguma coisa. Nem ao menos sabe que a Embraer é detentora de parte da AEL. Pare de ser crítico. Seja jornalista ou ao menos um comunicador ético, busque checar as infos na fonte, contate a AEL, e pare de dar opinião errada. É um dica de um leitor seu.

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    1. Olá anonimo!

      Qual leitor, você não se identificou? Além do mais caro anônimo nada que disse em meu comentário é inverdade? Ou você acha que a AEL Sistemas é uma empresa brasileira? Se achas visite o site da própria empresa e investigue, não é segredo nenhum que a empresa pertence ao grupo "ELBIT SYSTEMS". Já quanto a parte da AEL Sistemas pertencer a Embraer, eu não tenho informação sobre isso, mas se essa informação for verdadeira, deve ser uma parte pequena, pois quem manda na empresa são os israelenses. Em relação a qualificação tecnológica dessa empresa jamais coloquei isto em dúvida e não preciso visitar a empresa para saber disso. A questão aqui é outra. Leia com atenção o que eu disse em meu comentário para evitar estarmos conversando sobre coisas que não existem.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  2. e o Blog Espacial publicou uma notícia sobre o assunto escrita pelo Mileski. Se ele diz é porque é verdade o que fala. Recomendo você ler la e publicar aqui.

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    1. Olá Anônimo!

      A notícia que você se referiu foi a nota postada pelo jornalista André Mileski no Blog Panorama Espacial. A notícia em questão ela é apenas baseada no contato do Mileski com o Sr. Marcos Arend, Diretor de Tecnologia da AEL Sistemas. Nessa nota do Mileski ele descreve o que foi dito pelo diretor dessa empresa e o que está sendo e já foi feito pelo AEL no Brasil, mas em momento algum ele se posiciona sobre o assunto. Confesso que desconheço qual é a posição do Mileski quanto a esse tema, mas seja qual for, ele tem a dele e eu a minha.Já quanto a postá-la aqui no blog é desnecessário, pois ambas as notas (a do jornal Globo e a do Mileski) são bastante semelhantes.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  3. Prezado Duda
    O desenvolvimento desse computador foi pago pelo Projeto SIA. A AEL venceu uma licitação (entre 3 concorrentes) para produzir esse OBC. A AEL é a antiga Aeroeletrônica que foi comprada (parcialmente até onde sei) pela ElBit. É portanto uma empresa que tem como um dos donos uma empresa estrangeira. Entretanto, não há nada na legislação que a impeça de participar de licitação pública. Assim, se há algo errado nessa situação deveria ser analisada pela autoridades governamentais para que uma lei (talvez de segurança nacional) abordasse especificamente esse tema.
    Fora essa discussão, a conclusão do contrato representa mais um objetivo do Projeto SIA que foi alcançado.

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    1. Olá Wlademar!

      Eu sei que a AEL é a antiga Aeroeletrônica, mas a empresa é israelense hoje em dia, pois o seu controle acionário pertence ao grupo ELBIT SYSTEMS. Quando eu disse que há algo de muito errado não me refiro ao contrato, e sim a situação, pois como você mesmo disse o problema é da lei e a empresa apenas está se valendo dessa brecha. Concordo contigo é preciso criar uma lei de segurança nacional para impedir esse tipo de coisa aconteça. Financiamos uma empresa estrangeira para desenvolver um produto sem qualquer contrapartida e onde ela se valeu do conhecimento adquirido no Projeto SIA e onde ela será a beneficiada da tecnologia. Isto é um absurdo, mas este é o Brasil SIL SIL SIL SIL.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  4. Caro Duda,
    A AEL possui um quarto do seu capital de propriedade da Embraer, Dos seus quase 100 engenheiros, todos são brasileiros. Quando a Aeroeletrônica estava falida, ela foi comprada pela Elbit a pedido da Força Aérea Brasileira como offset do contrato de modernização dos F-5 que ela e Embraer haviam ganhado. Hoje a AEL é exemplo do mais bem sucedido contrato de offset ja realizado na área aeroespacial no Brasil.

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    1. Olá Sr. Carlos!

      E dai amigo que EMBRAER tenha um quarto da AEL, já que o controle acionário é da ELBIT SYSTEMS. O fato dos funcionários serem brasileiros é uma questão puramente logística, já que não faria sentido nenhum trazer esses engenheiros de Israel e mante-los no Brasil. E outra, se a Força Aérea realmente pediu que ela fosse desnacionalizada cometeu um erro gravíssimo e um crime contra o nosso patrimônio científico e tecnológico. Portanto, nada justifica esta situação, e esse e mais um exemplo negativo que estimulará outras empresas estrangeiras a explorarem essa brecha na lei brasileira. Lamentável!

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  5. Olá Duda, tudo bem?

    Participo do desenvolvimento desse computador como engenheiro do INPE, e gostaria de apontar algumas incorreções nessa matéria - infelizmente, como é praxe na divulgação de projetos espaciais pela imprensa nacional. Deixo esse texto como comentário, mas peço que você disponibilize aos leitores como correções de alguma forma mais visível no post, talvez juntando ao comentário anterior do Waldemar.

    Primeiramente, esse não é de forma alguma "o primeiro computador de bordo brasileiro para satélites". Esse título fica para o OBC do SCD-1, desenvolvido pelo INPE há quase trinta anos. Já tivemos que corrigir anteriormente erro similar, em matéria do SindCT que tratava do satélite Amazonia-1 (ver http://brazilianspace.blogspot.com.br/2013/06/deaeteinpe-corrige-informacao-de-artigo.html).

    O autor também se equivoca ao "limitar" a função do computador ao controle de atitude e órbita do satélite. Essa é parte da função do computador, que também executa as tarefas de supervisão de bordo (processamento de telecomandos, telemetria, gerenciamento dos demais subsistemas, etc). Isso é algo que se convencionou chamar no Brasil de ACDH, "Attitude Control and Data Handling Computer", e o primeiro computador nacional desenvolvido com essa proposta (embora muito mais simples que o atual) foi o OBC dos Satélites Científicos do INPE (SACI-1 e 2) na década de 1990.

    Para maiores esclarecimentos sobre o histórico do projeto, destaco que trata-se do mesmo computador descrito nessa matéria: http://brazilianspace.blogspot.com.br/2013/06/computador-de-acdh-para-pmm-de-volta.html. A entrega a que se refere a atual notícia está relacionada ao item "Atividades Recentes e Status Atual do Projeto" do post de junho do ano passado.

    Como já esclarecido pelo Waldemar, foi licitada a fabricação do Modelo de Engenharia de tal computador. A AEL partiu de um projeto e protótipo desenvolvidos pelo INPE para o COMAV (Computador Avançado), ao qual foram adicionadas modificações e melhorias pela equipe brasileira da AEL Sistemas, com acompanhamento do Grupo de Supervisão de Bordo da Divisão de Eletrônica Aeroespacial do Instituto. Não houve participação técnica da Elbit, e o INPE mantém a propriedade do projeto.

    Att,

    Fabrício.

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    1. Olá Fabrício!

      Tudo que você disse em seu cometário sobre este não ser o Primeiro Computador de Bordo Brasileiro eu já desconfiava, e sendo como você disse de que a propriedade do projeto e do produto final continua com o INPE (Isto tem de estar estabelecido em contrato), então eu retiro o que disse, mas só nesta condição, já que de outra maneira o produto mesmo não sendo desenvolvido pele equipe técnica israelense, pertenceria ao grupo Elbit Systems sim, pelo simples fato da AEL pertencer a este grupo. Outra coisa que me incomoda e a insistência da mídia de vender essa empresa como brasileira, o que ela não é. O que se diz repetidamente acaba se tornando uma verdade fruto de uma mentira, técnica muito utilizada por gente mal intencionada. Combateremos sempre essa postura aqui no blog com veemência.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  6. Ótima notícia!

    Sobre como se divide os proprietários da AEL, este link esclarece: http://harpiasistemas.com.br/en/about.html

    Ela é, de fato, estrangeira, apenas 29% nacional. Mas, como foi desenvolvido em parceira com a INPE e tendo praticamente todos os funcionários brasileiros, certamente o Brasil tem autonomia nesse OBC. Infelizmente, há outros sistemas que o Brasil ainda não domina.

    Att,

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