Brasileiros Descobrem Primeiro Asteroide com Anéis

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada hoje (27/03) no site “Inovação Tecnológica” esclarecendo qual foi a descoberta anunciada ontem na “Conferência de Imprensa” no Rio de Janeiro (veja aqui) pela equipe de astrônomos internacional liderada pelo astrônomo brasileiro Felipe Braga-Ribas.

Duda Falcão

ESPAÇO

Brasileiros Descobrem Primeiro
Asteroide com Anéis

Com informações do ESO e Nature
27/03/2014

[Imagem: ESO/L. Calçada/M. Kornmesser/Nick Risinger]
A descoberta põe por terra a tese que vigorava até então
de que somente planetas gigantes teriam anéis. 

Asteroide Com Anéis

Uma equipe internacional, incluindo vários astrônomos brasileiros, descobriu anéis em um corpo celeste do tipo centauro, pequenos objetos que giram ao redor do Sol em órbitas instáveis, atravessando as órbitas dos planetas.

O objeto, denominado Chariklo Centauro, ou 10199 Chariklo, está situado entre as órbitas de Saturno e Urano, e tem dois anéis, distantes cerca de 9 quilômetros um do outro.

O artigo descrevendo a descoberta é assinado por 62 astrônomos, sendo 11 brasileiros, dos quais cinco trabalham no Observatório Nacional (ON).

"Não estávamos à procura de anéis, nem pensávamos que pequenos corpos como o Chariklo os poderiam ter, por isso esta descoberta - e a quantidade extraordinária de detalhes que obtivemos do sistema - foi para nós uma grande surpresa," disse Felipe Braga-Ribas, do ON, que é o primeiro autor do trabalho.

Os anéis foram batizados por Felipe como Oiapoque, o mais largo, e Chuí, o mais estreito, mas a confirmação dos nomes depende de aprovação pela União Astronômica Internacional (IAU).

Formação da Lua

A descoberta põe por terra a tese que vigorava até então de que somente planetas gigantes, como Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, teriam anéis.

Os astrônomos vão se dedicar agora a tentar explicar como isso ocorreu, porque o mecanismo de formação de anéis que a astronomia propõe hoje está ligado a planetas gigantes.

Chariklo Centauro, por sua vez é um objeto pequeno, com um diâmetro de apenas 250 quilômetros.

A maior dúvida é como um corpo celeste tão pequeno - e, portanto, com uma gravidade muito fraca - pode capturar e manter o material que forma os anéis.

Embora muitas questões permaneçam ainda sem resposta, os astrônomos acreditam que este tipo de anel deve ter-se formado a partir dos restos deixados depois de uma colisão. Os restos teriam ficado confinados como dois estreitos anéis devido à presença de pequenos satélites.

"Por isso, além dos anéis, é provável que Chariklo tenha também pelo menos um pequeno satélite à espera de ser descoberto," acrescentou Felipe.

Por outro lado, os anéis poderão no futuro dar origem à formação de um pequeno satélite. Tal sequência de eventos, em uma escala muito maior, pode explicar a formação da nossa própria Lua nos primeiros dias do Sistema Solar, assim como a origem de muitos outros satélites em órbita de planetas e asteroides.

Centauros

Todos os objetos que orbitam em torno do Sol e que são muito pequenos, ou seja, que não possuem massa suficiente para que a sua própria gravidade lhes dê uma forma praticamente esférica, são definidos pela IAU como sendo "corpos menores do Sistema Solar".

Esta classe inclui atualmente a maioria dos asteroides do Sistema Solar, os objetos próximos da Terra, os asteroides troianos de Marte e Júpiter, a maioria dos Centauros, a maioria dos objetos Trans-Netunianos e os cometas. Informalmente, os termos asteroide e corpo menor são frequentemente usados para indicar a mesma coisa.

Chariklo é o maior membro conhecido da classe dos Centauros, que orbitam o Sol entre Saturno e Urano.

Bibliografia:

A ring system detected around the Centaur (10199) Chariklo
F. Braga-Ribas et al.
Nature
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature13155


Fonte: Site Inovação Tecnológica - http://www.inovacaotecnologica.com.br/

Comentário: Fantástico e olha só, o Observatório Nacional (ON) com toda dificuldade e obsolescência de seus equipamentos, mesmo assim continua produzindo conhecimento astronômico de ponta. Parabéns a toda equipe de astrônomos (brasileiros e estrangeiros) que participaram dessa grande descoberta. Fantástico, estou vibrando.

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