O Programa Espacial Caicoense

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante e curioso artigo postado dia (09/04) no “Blog do Robson Pires”, relatando as atividades do Programa Espacial Caicoense, ocorridas na cidade de Caicó (RN) no final dos anos 60 e inicio dos anos 70 do século passado. Veja você leitor que, apesar dos governos que tivemos, temos e certamente teremos ainda por anos, o povo brasileiro sofrido e massacrado por séculos por governos desastrosos, incompetentes e tremendamente corruptos, demonstra uma capacidade de encontrar soluções e ter iniciativa muita vezes inesperadas até mesmo em áreas inimagináveis como a das atividades espaciais. É extremamente lamentável que essa criatividade toda desse extraordinário povo não esteja sendo aproveitada como deveria pelo atual governo, pois estamos num momento crucial não só para sociedade brasileira, como também para toda humanidade e certamente esse momento histórico para o planeta exigirá das sociedades mais desenvolvidas e em desenvolvimento o domínio de ponta da ciência e tecnologia, caso essa mesma sociedade queira ter voz ativa nas decisões planetárias.

Duda Falcão

Lançamento de Foguete em Caicó.
Uma história Espetacular…

Por Brito Jr.
Publicado por Robson Pires
09 de Abril  de 2012 – 12:25

Foto de 1970: Delegado Marcílio, Zé Almino, o foguete (claro!),
Zenóbio (de Chico Pedro), Dr. Vicente Macedo e Carlos de Zé Cassiano.
No dia do histórico lançamento do foguete que não subiu.

Em Caicó, jovens cientistas e estudantes ficaram de bobeira com a espetacular viagem à Lua e resolveram também construir um foguete: inauguraram, assim, o Programa Espacial Caicoense, sob o comando de Zé Almino, o Astronauta, com a participação de Carlos de Zé Cassiano e Zenóbio de Chico Pedro (in memorian).

A preocupação com o meio-ambiente já era latente naqueles jovens destemidos e visionários empreendedores, porque os foguetes eram construídos com latas de óleo de comida, revestidos de taquari, instalados sobre uma base de lançamentos feita de restos de madeira de construção civil. Tudo ecologicamente correto.

Toda essa megaestrutura subia com uma mistura de pólvora e nitrato de alumínio, queimados com um pavio de 15 centímetros, que era deste tamanho pra dar tempo de correr do local de lançamento ao cara que acendia o pavio.

A experiência – meio tosca, é verdade – possibilitou a construção de cinco foguetes, dos quais quatro tiveram lançamentos bem sucedidos e um que falhou, justamente o que reuniu mais de 80% de população de Caicó dentro do Rio Seridó e sobre a ponte Soldado Francisco Dias.

Antes do grande dia, os cientistas caicoenses fizeram três lançamentos bem sucedidos na Base Aeroespacial do Rio Seridó, quando os foguetes subiram e sumiram no céu azul e sem nuvens de Caicó. Fazia pouco mais de um ano da chegada do homem à Lua.

Com o sucesso da fase experimental, Zé Almino, Carlos de Zé Cassiano e Zenóbio de Chico Pedro resolveram fazer um lançamento para o grande público: a esta altura, os boatos corriam na cidade, dando conta dos foguetes fabricados em Caicó.

A curiosidade da população sobre os lançamentos de foguetes dominava todas as rodas de conversas nas mesas do Bar de Ferreirinha, nas feiras livres, lojas, escolas e nas esquinas da cidade: só se falava naquilo.

Na grande data, em meados de agosto de 1970, o país com o peito estufado pela conquista do Tri-Campeonato da Seleção Brasileira, arma-se o circo para o primeiro lançamento público: a Polícia Militar e o Exército foram mobilizados pra conter a ansiedade do povo com o quarto lançamento do Programa Espacial Caicoense.

Era tanta gente sobre a ponte, que a estrutura ameaçava cair a qualquer momento.

Presentes ao grande evento autoridades como o vice-prefeito Vicente Macedo, o comandante do Batalhão Major Caminha, o delegado Dr. Marcílio, vereadores, o gerente do Banco do Brasil, os guardas fiscais e a plebe rude.

Padre Antenor e o seu fiel escudeiro, Ciriáco, subiram na torre do sino da Igreja de Sant’Ana, o melhor e mais seguro lugar de Caicó para visualizar o grande lançamento, e não permitiram a entrada de mais ninguém naquele espaço privilegiado.

Os dois cinemas da cidade, o São Francisco e o Rio Branco, suspenderam as sessões por absoluta falta de público, as escolas cancelaram as aulas, as repartições públicas decretaram ponto facultativo, o comércio e a indústria liberaram os funcionários para que todos vissem aquela fantástica experiência.

Contagem regressiva: 5…., 4…., 3…, 2…. 1…

Zé Almino tocou fogo no pavio, que queimou lentamente…

A tensão aumentava entre as mais de 20 mil pessoas que presenciavam aquele momento histórico, todo mundo de mãos postas, suando…

De repente, um estrondo…

“Óoohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh”, gritaram todos, em uníssono…

O foguete sobe 1 metro e 80 centímetros, o suficiente para dar um giro de 180 graus sobre si mesmo, e se estatela no leito do rio.

Não houve vítimas, exceto o orgulho ferido daqueles extraordinários cientistas malucos.

Foi a maior vaia que Caicó ouviu.

O último lançamento do Programa Espacial Caicoense ocorreu no dia 7 de setembro de 1970, nas dependências do 1o Batalhão de Engenharia de Construção: incentivados pelo major Caminha (“falhas ocorrem até na NASA”, disse ele aos jovens cientistas caicoenses), Zé Almino, Carlos e Zenóbio colocaram o último foguete em órbita, sem falhas e tendo apenas os militares como testemunhas.


Fonte: Blog do Robson Pires - http://www.robsonpiresxerife.com/

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