O Brasil na Era dos Robôs
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria publicada na Revista Espaço Brasileiro (Abr, Maio e Jun de 2011), destacando o Brasil na era dos Robôs.
Duda Falcão
TECNOLOGIA
O Brasil na Era dos Robôs
Os Robôs desenvolvidos no Brasil são para o monitoramento ambiental.
Além disso, as máquinas são úteis para as indústrias pesadas,
em situações de guerra, em missões espaciais e até em próteses.
Leandro Duarte
Nos dias de hoje a presença dos robôs é cada vez mais constante, na indústria pesada, em missões de guerra e até mesmo substituindo partes do corpo humano, com o uso das próteses. Os robôs se tornaram essenciais também nas missões espaciais. Recentemente, a Agência Espacial Americana (NASA) enviou mais um protótipo de robô ao espaço. Desta vez foi um humanóide (robô com algumas características humanas) que interage com o público nas principais mídias sociais. No Brasil empresas como a Petrobrás e o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) utilizam essas máquinas para entre outras atividades fazer monitoramento ambiental.
Existem vários tipos de robôs que são classificados com inteligentes, programados, manipuladores, sem controle servo (controle dos movimentos dos membros do robô em função de seus eixos) e com controle servo (este tipo de controle permite duas formas de trabalho: controle dos movimentos dos membros do robô em função de seus eixos; os movimentos se estabelecem da respectiva posição de seus eixos de coordenada e da orientação da mão ferramenta do robô) e os teleoperados. Segundo o pesquisador do CTI, Roberto Tavares, esse último é utilizado 95% das vezes devido a sua capacidade de equilíbrio e de bom desempenho.
Criado em 1982, o CTI é uma unidade do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que atua na área de componentes eletrônicos, microeletrônica, sistemas, softwares e aplicações de tecnologia da informação, como robótica, softwares de suporte a decisão e tecnologias 3D para indústria e medicina. As atividades na área de robótica começaram em 1983. O desenvolvimento dessas tecnologias é voltado para o monitoramento ambiental. Para esse segmento, o CTI tem utilizado robôs subaquáticos, para monitoramento nos mares, nos lagos e nos rios; robôs com esteiras para monitoramento de tubulações; robôs estacionários para medida de erosão e redes de sensores sem fio para medida de parâmetros ambientais diversos.
Monitoramento de açudes
O centro está em permanente desenvolvimento tecnológico na área de sensoriamento ambiental. Recentemente, foram desenvolvidos sensores para a medida do campo gerado por peixes elétricos, para uso em monitoramento da qualidade de água, e sensores de nível de rios e lagos. Atualmente, o CTI está desenvolvendo projeto de um barco robótico, autônomo, para uso na região nordeste no estudo de lagostas. Fora da linha ambiental existem outros robôs em desenvolvimento como, por exemplo, o projeto VERO, que desenvolve tecnologia de controle de robôs terrestres autônomos.
Projeto Vero
A Petrobrás, em parceria com o CTI, vem desenvolvendo protótipos para algumas operações. Dois modelos estão em fase de testes. O primeiro é o ambiental híbrido que recebeu o nome do ativista ambiental brasileiro Chico Mendes. Ele terá a missão de chegar a lugares de difícil acesso usando meios convencionais, como barcos, possibilitando assim a construção, com segurança, de mais de 420km de um gasoduto na região.
O outro robô é o Girino. Inspirado nas larvas de ânulos, como rãs e sapos, ele terá a missão de se movimentar pelo interior de dutos sem auxilio de diferencial de pressão e, sim, por meio de propulsão própria. A invenção permite levar a um ponto remoto, no interior do duto, ferramentas ou materiais para a realização de diversas operações. De acordo com o engenheiro, não foi apenas a observação do animal que lhe ajudou na construção do robô. Houve também, uma inspiração humana na foram de ele se movimentar.
Na opinião do pesquisador Roberto Tavares, os robôs são de extrema importância no monitoramento ambiental do Brasil. “O meio ambiente exige grande demanda de instrumentação, seja robotizada ou convencional. As dimensões continentais do País, a sua diversidade de ambientes e os limites extremos que estamos vendo no comportamento das variáveis ambientais mostram que precisamos investir na capacidade de monitoração, previsão e reação rápida aos impactos ambientais”, afirmou Tavares.
Quem também utiliza o serviço de robôs é a Polícia Federal. Recentemente, a instituição adquiriu um modelo israelense de Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT), um tipo de robô com objetivo de vigiar a fronteira brasileira com a Argentina, Paraguai e Foz do Iguaçu, no Paraná. O modelo comprado possui autonomia de vôo para vinte horas e tem dez metros de envergadura. Ele é controlado remotamente por terra. O VANT possui câmeras potentes capazes de visualizar a longa distância pessoas e veículos.
Em todo mundo, os robôs desempenham diversas funções como, por exemplo, na limpeza de residências e piscinas. Nos Estados Unidos, o preço para essas máquinas varia entre US$ 150 a US$ 500. Segundo o chefe de divisão de robótica do CTI, Josué Ramos, essa tecnologia já existente há tempos em outros países, ainda não chegou ao Brasil, já que a carga tributária imposta sobre esses produtos é alta. Essa dificuldade, segundo Josué, também é um entrave para a disseminação da atividade de robótica no país. “Apesar de possuirmos profissionais de alto gabarito, ainda não temos uma política contínua para área de robótica. Isto atrapalha o desenvolvimento de novas tecnologias, como afasta as grandes mentes”, diz.
Robôs no Espaço – Vários robôs foram mandados a distintos locais com diferentes missões. O lugar que mais recebeu missões de explorações in loco com robôs foi o planeta Marte, alvo de explorações humanas, desde a década de 1970, por possuir atmosfera parecida com a terrestre.
A Agência americana, no vôo de despedida da nave Discovery, realizada no dia 24 de fevereiro deste ano, enviou um humanóide denominado R2. Este robô tem a missão de ajudar ao astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS) com trabalhos de manutenção e conserto. O robonauta custou à NASA cerca de US$ 2,5 milhões. Ele pesa 150 kg, possui 350 sensores, 38 processadores Power PC, quatro câmeras normais e uma de infravermelho. O robô, apesar de portar a tecnologia mais avançada, chama atenção pela interatividade com o público. O R2 tem contas nas principais mídias sociais e sempre posta comentários divertidos como “Estou no Espaço. Alô universo”.
A NASA está programando para o fim deste ano o envio de seu novo modelo robótico a Marte, o MSL (sigla em inglês para Laboratório de Ciências de Marte). O robô levará uma câmera de alta resolução e terá capacidade de testar amostras de solo recolhidas por um braço robótico. Além disso, terá um emissor de raios laser para vaporizar amostras de solo até dez metros de distância e analisar os gases produzidos. O robô vai estudar a radiação ambiente em Marte para ajudar a determinar a capacidade do planeta de abrigar vida e, até mesmo, de receber astronautas no futuro.
Segundo o astronauta Marcos Pontes, os robôs são aliados importantes nas missões espaciais. “Eles são os desbravadores, os primeiros olhos do local, abrem o caminho”, diz Pontes. Ele explica que os robôs têm a função de completar o que é fraco no ser humano, como por exemplo, o braço robótico que tem mais precisão, “enxerga e cheira mais longe”.
Na opinião do astronauta, mesmo com o uso cada vez mais freqüente de robôs em missões espaciais, a ação humana ainda é essencial. “Evidentemente os robôs possuem vantagens sobre os homens em diversos aspectos. No entanto, há características humanas, como a emoção, a criatividade e a imaginação, que nem mesmo a tecnologia mais avançada na área de robótica conseguiu colocar nessas máquinas”, disse Pontes.
Sobre a importância humana em missões espaciais, Pontes lembrou de quando os astronautas Buzz Aldrin e Neil Armstrong estavam retornando a Terra. Um dispositivo da nave deles quebrou e ela parou de funcionar. “foi ai que entrou a criatividade e imaginação de Aldrin que com uma caneta, conseguiu pressionar o dispositivo possibilitando a volta para casa”, contou Pontes.
Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 11 - Abril, Maio e Junho de 2011 - págs. 26 e 27
Comentário: E o Brasil, quando teremos nossos robôs espaciais? Temos um na fita, a sonda da Missão ASTER, mas nem essa ainda está confirmada. Será que não tem como o CTI ajudar a comunidade científica envolvida com o projeto? Porque não buscar um desafio para nossos engenheiros? Querem uma sugestão? A corrida agora é para descobrir água na Lua, então, porque não entrar nessa corrida? Há, não temos o foguete lançador. Será que não? Será que esse trambolho ucraniano não serve para isso? Ora, acredito que sim, então porque não tirar proveito da situação e desenvolver um robô que seja capaz de cumprir essa missão, quem sabe até mesmo com a participação ucraniana. Criatividade, dinamismo, visão, atitude, é isso que falta ao Programa Espacial Brasileiro.
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