Picape Espacial Vai Facilitar Acesso dos EUA ao Espaço

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada dia (12/07) no site do jornal “Folha de São Paulo” destacando que uma picape espacial irá facilitar o acesso dos EUA à órbita da Terra. (veja nota anterior : “NASA Copia Nave Soviética para Substituir Ônibus Espaciais”.

Duda Falcão

Ciência

Picape Espacial Vai Facilitar Acesso
dos EUA à Órbita da Terra

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON
12/07/2011 - 08h05

Enquanto os EUA choravam na sexta (8) o lançamento do Atlantis, último ônibus espacial a decolar, um empresário tentava convencer o país a ser otimista.

Mark Sirangelo, da Sierra Nevada Space Systems, promete restabelecer o transporte de americanos para a órbita em 2015, usando uma "caminhonete espacial".

Esse é o apelido que ele deu à espaçonave que a empresa está construindo, a Dream Chaser, um veículo menor, herdado de um projeto engavetado pela NASA.

Na semana passada, ele anunciou a contratação de nove funcionários de alto escalão que estão deixando a NASA e fechou um acordo com a agência para usar parte da infraestrutura de seu centro de lançamentos na Flórida. Parte do dinheiro para isso saiu da própria NASA, que destinou US$ 100 milhões à empresa dentro de um programa de incentivo à exploração espacial privada. Confira a entrevista.

Divulgação
Concepção artística da Dream Chaser, nave da
empresa americana Sierra Nevada Space Systems

Folha - O lançamento do último ônibus espacial em Cabo Canaveral ocorreu meio em clima de velório. Você acha que o público ainda não vê a exploração privada como uma alternativa viável?

Mark Sirangelo - Bem, nós estamos empolgados em ser uma voz positiva dentro daquilo que seria um momento negativo. Estamos muito contentes com nossa relação com a NASA. Temos a oportunidade de estender isso para permitir que as pessoas em algumas das instalações do programa espacial anterior possam ser usadas no nosso programa. Talvez ele seja a luz em meio a esse ambiente desafiador que temos agora.

Folha - O programa do ônibus espacial termina em meio a críticas por ter sido caro demais e menos seguro do que as espaçonaves "descartáveis" dos russos. Como sua empresa pretende contornar isso?

MS - O ônibus espacial tinha de ser muito grande para poder transportar os pedaços da estação espacial. Tinha de ter força suficiente para carregar um monte de suprimentos. Agora isso acabou. A estação espacial está completa, e não precisamos de veículos que sejam tão complexos para chegar até ela.

Se você está mudando de casa com sua família para o outro lado do país, precisa de um grande caminhão para carregar tudo. Uma vez que se estabelece, você só vai precisar de uma SUV [picape utilitária esportiva] para passear e levar alguma bagagem. O Dream Chaser será uma SUV, capaz de levar sete astronautas até a estação, junto com todas as coisas das quais precisam para viver lá, e trazê-los de volta.

Folha - O projeto da espaçonave prevê que ela seja lançada na ponta de um foguete, e não com a barriga colada no propulsor, como os ônibus espaciais. Isso muda tudo?

MS - Isso foi uma das lições que aprendemos com o ônibus espacial. O veículo deve ser montado no topo do foguete para que não tenhamos mais problemas com pedaços que se desprendem dele e podem se chocar com a nave.

Folha - Qual é o custo estimado de construção e operação?

Divulgação
Mark Sirangelo, da Sierra Nevada Space
Systems, promete reestabelecer o serviço
americano de transporte para a ISS.
MS - Nós não divulgamos esses números porque é preciso levar em conta que o projeto do veículo, na verdade, foi tocado pela NASA por mais de dez anos no programa chamado HL-20, que acabou suspenso.

Depois disso, nós assumimos o projeto fora do âmbito da NASA e permanecemos trabalhando nele por conta própria durante seis anos. Então, nosso projeto já conta com 16 anos de desenvolvimento e voa em um foguete que já existe. Agora que o ônibus espacial será aposentado, a única maneira de chegar à estação é usando uma Soyuz russa. Os EUA pagam US$ 63 milhões por assento por vôo para seus astronautas.

Nós acreditamos que vamos conseguir fazer o mesmo com um preço bem menor. O custo da espaçonave não é mais tão importante, porque a NASA não vai comprar o veículo, vai comprar o serviço.

Folha - Em que estágio de desenvolvimento o projeto está agora?

MS - Estamos produzindo o primeiro veículo. Os dois motores de bordo já foram testados por completo. Acabamos de montar o primeiro simulador de vôo, que será testado dentro de alguns dias.

Esperamos conseguir fazer o veículo voar já no ano que vem em testes em que o soltamos na atmosfera.

Folha - Como foi a negociação para contratar pessoal da NASA?

MS - São pessoas que nós já conhecíamos por trabalharmos na indústria [aeroespacial]. Primeiro contratamos Jim Voss [astronauta que voou em cinco missões do ônibus espacial]. Ele atraiu várias outras pessoas para o projeto.

Vemos nosso veículo como uma espaçonave internacional. Sem o ônibus espacial, perde-se a capacidade de transportar astronautas de países que não os EUA e a Rússia. Retomar essa capacidade é importante, e nós queremos fazer isso. Talvez um dia haja uma oportunidade de levar até um [novo] astronauta brasileiro conosco, coisa difícil no cenário atual.

RAIO-X

MARK SIRANGELO

Ocupação: Presidente da empresa privada de exploração espacial Sierra Nevada Space Systems

Trajetória: Ex-oficial do Exército dos EUA formado em direito e administração, entrou para a indústria tecnológica criando o QuanStar, consultoria que prestava serviço a iniciativas de ponta no setor. Em 2004 assumiu a SpaceDev, empresa que começou a desenvolver o Dream Chaser e depois foi incorporada pela Sierra Nevada.


Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 12/07/2011

Comentário: Esse leitor é mais um exemplo de como o Brasil a cada três anos se atrasa 10 anos em relação aos países que detém o domínio completo do acesso ao espaço. A bola da vez agora é o turismo espacial e o acesso a estação espacial através de empresas privadas e num futuro um pouco mais distante, a viagem humana a Marte. Enquanto isso, devido a sucessivos governos incompetentes, mesmo após 50 anos de existência do nosso programa espacial, não conseguimos sequer acompanhar esse desenvolvimento colocando um satélite em órbita por nossos próprios meios, ou melhor, nem mesmo um parafuso. A incompetência e a falta de visão de nossos governantes, reinante nos bastidores obscuros de Brasília, impediram que o país trilhasse o caminho do desenvolvimento nesse importante e crucial programa para a nossa sociedade. Vale lembrar leitor que a nossa classe política está repetindo com o PEB o mesmo erro cometido com Santos Dumont (o 14-BIS fez os seus primeiros vôos entre os dias 19 e 23 de julho de 1906), só corrigido em 19 de agosto 1969 quando da criação da EMBRAER, ou seja, 63 anos depois. Atraso que felizmente em algumas áreas a EMBRAER depois de privatizada conseguiu tirar, e em alguns casos até superar tecnologicamente empresas muito mais antigas. Entretanto, não é o caso do nosso Programa Espacial. Fico a me perguntar se, quando finalmente estivermos comemorando a colocação de nosso primeiro satélite no espaço as outras nações não já estarão com bases espaciais espalhadas pelo sistema solar. Parece piada, né? Porém, com a classe política que temos tudo é possível.

Comentários

  1. E aí Duda tudo bém?

    Eu ainda acredito que o brasil vai alcançar e dominar de algma forma o espaço, mas por iniciativa privada de visionários autônomos e não pelos políticos. Se caso este domínio viér por políticos será uma novidade!

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  2. Olá Vando!

    Gostaria de compartilhar contigo essa sua crença amigo, mas infelizmente programa espacial em qualquer lugar do mundo depende exclusivamente de decisões de governo, ou seja, demandas geradas por esses mesmos governos, como está justamente ocorrendo agora nos EUA, onde a demanda da NASA gerada pela necessidade de encontrar empresas que desenvolvam veículos para órbita baixa da Terra, está gerando esse boom para as empresas americanas. Dito de outra forma Vando, se não houver encomendas governamentais, não há programa espacial, essa tem sido há 50 anos a regra geral em todo mundo.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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