Falta Dinheiro para o ABCD ir ao Espaço

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria dia (08/05) no site do “Bom Dia” da Rede Bom Dia destacando que falta recursos financeiros adequados à Universidade Federal do ABC (UFABC) para que mesma possa cumprir sua parte no desenvolvimento do Projeto ASTER.

Duda Falcão

Dia-a-Dia

Falta Dinheiro para o ABCD ir ao Espaço

UFABC é uma das onze universidades brasileiras que
participam do projeto de uma sonda espacial; sucesso
do trabalho, porém, depende de patrocínio

Evandro Enoshita
Agência BOM DIA
08/05/2011 - 19:45

Equipamentos projetados por uma equipe de 12 professores e alunos da UFABC (Universidade Federal do ABC) terão papel fundamental no Projeto ASTER.

Desenvolvido graças a uma parceria entre pesquisadores de onze universidades de todo o Brasil, o projeto prevê que uma sonda espacial brasileira chegue a um asteróide distante três milhões de quilômetros da Terra, quase dez vezes mais longe que a Lua.

“O objetivo é pesquisar, entre outras coisas, a origem do sistema solar, da vida na Terra, além de conhecer a estrutura e composição dos asteróides”, destacou um dos responsáveis pelo projeto na UFABC, o professor de engenharia aeroespacial Annibal Hetem.

O plano prevê a compra da carcaça da sonda na Rússia. O equipamento escolhido para a missão brasileira faz parte de um projeto de naves espaciais planejadas para missões à Marte. Mas a aparelhagem científica e os experimentos serão desenvolvidos no Brasil.

Ficará a cargo da UFABC o desenvolvimento de um altímetro laser - equipamento que será responsável por medir a distância entre a sonda espacial e o asteróide - e um espectrômetro infravermelho - aparelho que tem a capacidade de descobrir, por meio da luz, a composição mineral do asteróide.

“Os equipamentos estão na fase de projeto. Estamos indo atrás de empresas, principalmente brasileiras, que possam fornecer componentes. A nossa previsão é ter um protótipo dos equipamentos até o final do ano, para que possamos iniciar os testes”, ressaltou Hetem.

Financiamento

Esta será a primeira missão espacial brasileira no que os astrônomos chamam de ‘espaço profundo’, ou seja, o espaço sideral depois da Lua.

A previsão de lançamento da sonda é para 2015. Contudo, para que essa missão possa acontecer, falta um item importante: dinheiro.

Por ser uma iniciativa dos professores - e não um projeto oficial da Agência Espacial Brasileira, o projeto está sendo financiado pelas verbas de pesquisa das instituições de ensino participantes, além da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que colaborou com R$ 6 mil.

Esses valores, porém, não estão sendo suficientes para bancar os gastos com a sonda espacial.

“A pesquisa científica demanda muito dinheiro. Apesar da situação no País ter melhorado nos últimos anos, ainda está pior que no exterior. Por isso mesmo, estamos indo atrás de patrocínio de empresas”, destacou o professor Hetem.

Justamente por causa disso, o professor ressalta que os participantes do projeto estão trabalhando também na produção de artigos científicos sobre o Projeto ASTER, para a publicação em revistas e congressos.

A intenção é que, com isso, se consiga atrair não só as empresas nacionais, mas também de órgãos públicos, que possam disponibilizar mais verbas para os trabalhos.

Mais Difícil

Mas se o que falta é verba, a situação desse projeto iria melhorar caso fosse assumido pela Agência Espacial Brasileira? Na opinião de Hetem, a história não seria bem assim.

O pesquisador cita como exemplo o próprio programa espacial brasileiro. “O projeto prevê uma família de vários foguetes, mas estamos há 30 anos trabalhando no VLS-1 (Veículo Lançador de Satélites-1), o menor deles. Isso dá uma idéia do tempo que teríamos que esperar para o projeto desta sonda sair do papel”, completou Hetem.

‘Queremos Criar um Pólo de Tecnologia Espacial no ABCD’

“Nossa intenção é criar um pólo de conhecimento aeroespacial na região, por meio da formação de mão de obra especializada e do desenvolvimento tecnológico”. Essa declaração, do professor do curso de engenharia aeroespacial da UFABC (Universidade Federal do ABC), Annibal Hetem dá uma amostra da importância do Projeto ASTER para a região.

Hetem destacou que os equipamentos desenvolvidos pela equipe da UFABC não deverão ter um desenho inovador. A intenção, segundo ele, é desenvolver um equipamento simples, mas que tenha o maior número de componentes de fabricação nacional.

“O retorno financeiro dessas pesquisas está em um segundo plano. Queremos provocar o empresariado do ABCD, para que ele possa absorver a tecnologia dessas pesquisas, ou até mesmo entenda e passe a produzir no país os itens importados para a sonda. É assim que esse retorno financeiro vai acontecer”, destacou Hetem.

Aprendiz

Um desses futuros profissionais da área aeroespacial formados na região é Caio Fuzaro Rafael, 19 anos.

Vindo de Araras, no interior paulista, ele é aluno do curso de Engenharia Aeroespacial da UFABC, e sempre sonhou em trabalhar com aviões.

Mas não imaginava que, ainda na universidade, iria dar um passo além. Ele trabalha em outro projeto de pesquisa da instituição de ensino. Um motor foguete.

“Quando eu me formar, o meu objetivo profissional é trabalhar na indústria, ou até mesmo continuar nessa área de pesquisa científica na área aeroespacial”, destacou Rafael.


Fonte: Site da Rede Bom Dia - http://redebomdia.com.br/ - 08/05/2011

Comentário: Quando leio uma notícia como essa leitor, confesso que me desanima completamente, apesar de que com já havia dito em meus comentários, a possibilidade desse projeto vir a se realizar com apoio do governo era muito pequena. Sinceramente se minha descrença já era grande, agora ela é maior ainda, já que o valor (algo em tordo de 35 e 40 milhões de reais) é muito alto para que seja captado junto à iniciativa privada. O governo fala tanto em inovação e quando a comunidade científica (11 universidades de todo país envolvidas com o projeto) apresenta uma missão inovadora como essa não obtém apoio do governo tendo que se submeter a esmolas como a da FAPESP. Fica difícil assim se fazer desenvolvimento científico e tecnológico nesse país. Temo que esse projeto acabe virando um projeto acadêmico de formação sem a necessidade de ser concluído. Uma pena, mais essa é a mentalidade desse mundo de terra que chamamos de República Federativa do Brasil, quando na realidade deveria ser chamado de Republica Federativa das Bananas. Lamentável!

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