Especialistas Debatem a Entrada do País no ESO

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada ontem (14/07) no site do jornal “Correio Braziliense” destacando que especialistas debatem a entrada do Brasil no Observatório Europeu do Sul (ESO).

Duda Falcão

Ciência e Saúde

Especialistas Debatem a Entrada do País
no Observatório Europeu do Sul

Max Milliano Melo
Correio Brazilienze
14/07/2011 - 10:14

Goiânia (GO) — No fim do ano passado, o Brasil entrou em uma empreitada, literalmente, astronômica: a conclusão do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), um conjunto de telescópios localizados no Chile, os mais modernos instrumentos desenvolvidos pelo homem para observar o cosmos. Para participar dessa verdadeira cruzada tecnológica, que incluirá a construção do European Extremely Large Telescope (com 42m, será o maior da Terra), o país terá de investir quase R$ 630 milhões até 2020. O custo divide a classe científica: vale à pena destinar tanto dinheiro em um projeto com pouca participação nacional? Foi essa a pergunta que especialistas buscaram responder no debate Ciência em ebulição, evento integrante da 63ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que termina amanhã na capital goiana.

Mesmo tendo ingressado no projeto em dezembro de 2010, e com a sua entrada ainda dependendo da anuência do Congresso Nacional, o Brasil já tem projetos aprovados para uso dos telescópios localizados no Chile. Das 32 propostas nacionais, que solicitavam 121 noites de observação este ano, 11 foram aceitas, o que garantirá ao país 36 noites de estudo espacial com equipamentos de última geração até o fim de 2011. Caso tenha a sua entrada confirmada, o Brasil passará a integrar os três principais complexos de observação espacial mundial — já é sócio do Gemini e do Soar, ambos feitos em parceira com os Estados Unidos.

Para João Evangelista Steiner, astrônomo do Instituto de Astronomia, Geociência e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), o Brasil deve repensar a eficácia de seus gastos e prioridades em relação aos recursos destinados à ciência, que neste ano sofreram um corte de aproximadamente 25%. “Esse projeto geraria um gasto de quase R$ 1 milhão por semana. A astronomia representa apenas 1% da ciência produzida no Brasil. Não vejo razão para o privilégio”, afirma. “Se todas as áreas recebessem recursos na mesma proporção, gastaríamos mais de R$ 600 bilhões (até 2020).” Para se ter uma idéia, o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia em 2011 é de R$ 6,5 bilhões, incluindo o que é direcionado para pesquisa e o que o ministério gasta com outras finalidades, como manutenção, expansão e folha de pessoal.

Na visão do pesquisador paulista, seria necessário pensar em projetos mais sustentáveis, que dessem mais retorno para o Brasil. “Na estrutura do ESO, a contribuição que cada país deve dar é proporcional ao seu PIB, por isso a cifra brasileira é tão alta”, explica Steiner. “No entanto, o uso do telescópio é baseado na maturidade científica de cada um. Assim, temos distorções, como o caso com a Holanda, que gasta muito menos que o Brasil e tem um acesso maior. Ou a Itália, que deve desembolsar uma quantia semelhante, mas para ter o dobro do acesso. Ou seja, o Brasil vai financiar a pesquisa européia”, critica.

Artigos Publicados

Favorável à participação brasileira, o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Kepler de Oliveira, que trabalhou no ingresso do país no projeto, o investimento se justifica pela natureza das pesquisas em astronomia, que demandam o uso de equipamentos extremamente caros. Oliveira diz que com a participação no ESO, o país deve aumentar ainda mais a quantidade de estudos realizados. “Hoje, 1% do tempo do ESO é destinado a países não integrantes do programa. Só com uma fração desse período, o Brasil já publicou mais de 300 artigos em periódicos internacionais. Com a entrada formal, esse número deve crescer muito”, acredita.

Para o pesquisador, o país deve ocupar um lugar de destaque na pesquisa astronômica e os investimentos nacionais no observatório compensam a longo prazo. “Existe atualmente uma série de áreas que não podem fazer observações por falta de estrutura. Com o ESO, poderemos observar as primeiras galáxias e estrelas. A fronteira da ciência nacional deve ser ampliada”, defende. “Além disso, mais do que pagar para utilizar um equipamento caro, o Brasil se tornará um dos donos dos telescópios.

Para o ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) José Raimundo Braga Coelho, a comunidade científica chegou atrasada para a entrada Brasileira no ESO. “A comunidade como um todo deveria ter participado do processo. É um erro inclusive da SBPC, que deixou a questão chegar à ebulição antes de tentar promover um debate”, reclama o especialista, que atualmente faz parte da diretoria da própria SBPC. Ele teme que a participação técnica brasileira na construção e manutenção da ESO fique restrita às áreas menos tecnológicas. “Será uma pena se o Brasil gastar tanto em um projeto e só participar da parcela mais fácil, que não inclui o desenvolvimento de tecnologia de ponta”, completa.

Custo de Produção

Artigos científicos brasileiros produzidos a partir do uso de telescópios de diferentes programas espaciais:

Soar 58
Gemini 25
ESO 240

Custo de uso dos telescópios (por hora)

Soar US$ 15 mil por hora
Gemini US$ 15 mil por hora
ESO US$ 54 mil por hora


Fonte: Site do Jornal Correio Braziliense - 14-07-2011

Comentário: Pois é leitor, a classe astronômica brasileira se divide em opiniões quanto essa participação brasileira no ESO, e continuarão se dividindo até que os defensores do projeto apresentem subsídios científicos (resultados) que venham justificar o alto investimento previsto para o Brasil. Se o investimento do governo realmente prosseguir nesse projeto, só mesmo tempo poderá demonstrar quais das correntes estão corretas em suas posições.

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