CLBI Revitaliza O Lançador Universal
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria publicada na Revista Espaço Brasileiro (Abr, Maio e Jun de 2011), destacando que o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) está revitalizando o ‘Lançador Universal’, que permitirá o lançamento de foguetes com até 12 toneladas.
Duda Falcão
CLBI
CLBI Revitaliza O Lançador Universal
A revitalização permitirá que o centro
lance foguetes de até 12 toneladas
Leandro Duarte
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), passa por obras para se adequar às atividades de lançamentos suborbitais, como o do foguete Orion, lançado no final do mês de abril. Só em 2010, foram investidos cerca de R$ 6 milhões no Centro. No processo de reestruturação esta sendo reformado o lançador universal inoperante desde outubro de 2008. O equipamento voltará a funcionar em setembro de 2011.
Os lançadores universais são peças fundamentais no sistema de lançamento de foguetes de médio porte. Segundo o diretor do CLBI, Coronel Aviador Luiz Guilherme Silveira de Medeiros, “o lançador é responsável pela estabilidade e direcionamento da trajetória requerida para o foguete, no início de sua propulsão”.
Doado pelo governo americano ao CLBI, em 1969, o Lançador Universal já foi usado nos lançamentos dos foguetes Nike Black Brandt IV, Nike Black Brandt VC, Castor Lance, Sonda III, Sonda III RS, Sonda III R2. O equipamento ficou inoperante, em 27 de outubro de 2008, após período sem manutenção preventiva por falta de suporte técnico. Com a reforma, serão feitas melhorias em sua parte estrutural, mecânica e eletro-eletrônica. “A iniciativa da revitalização do lançador é de extrema importância, já que, concluído o serviço, o centro aumentará sua capacidade de lançamento”, diz Medeiros.
A reforma do lançador custou pouco mais de R$ 1 milhão. Ao término da revitalização ele permitirá que o CLBI tenha a capacidade para lançamentos de até 12 toneladas. Para o diretor do Centro, a revitalização deste veículo trará economia financeira e outros benefícios tecnológicos ao Comando da Aeronáutica, à Região Nordeste e ao Brasil. “O fato de termos dois lançadores operacionais, o Lançador de Médio Porte (MLR, sigla em inglês) e o Lançador Universal possibilitará realizar operações com dois lançamentos simultâneos para diferentes tipos de pesquisas científicas. Isso poupará tempo, trabalho e dinheiro, além de possibilitar o planejamento da manutenção sem que o centro fique inoperante para lançamentos”. Essa revitalização, segundo o diretor, servirá para abrir as portas do CLBI para que às instituições científico-tecnológicas nacionais e internacionais utilizem o centro.
VS-30 pronto para ser lançado
Lançador MRL – O CLBI também possui um outro lançador, o MRL. Restaurado em 2009, ele tem capacidade de elevação de carga para foguetes de múltiplos estágios, até sete toneladas. Este lançador é usado para posicionar o foguete em elevação e azimute (medida angular). Trilhos guias montados no próprio equipamento direcionam os foguetes para a trajetória prevista na decolagem. A elevação e a orientação do lançador são controladas eletricamente, tanto a partir das proximidades do lançador quanto a partir de local remoto.
O equipamento composto por uma lança, pesando cerca de quatro toneladas, e por um corpo fixo com engrenagens, pesando, aproximadamente, três toneladas, exige logística para sua montagem e desmontagem. O lançador esta instalado em uma base de concreto na área das plataformas. O painel de comando remoto encontra-se na casamata, distante 90 metros da plataforma MRL.
Outras Reformas – Nos últimos anos, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) vem procurando aprimorar, aumentar e readequar a sua capacidade operacional para apoiar o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).
Com o intuito de prover o CLBI de recursos tecnológicos mais confiáveis, estão sendo feitas revitalizações, manutenções e reformas nos Setores de apoio logístico, operacionais e de infraestrutura iniciadas em 2010 e que terão continuidade em 2011, tais como:
* Manutenção e modernização do Sistema de Telecomunicações, como a aquisição de um sistema de gravação digital para os lançamentos e rastreios realizados;
* Aquisição e melhorias na Rede Operacional de Tecnologia da informação;
* Aquisição de viaturas de apoio às campanhas operacionais e à Segurança e Defesa da Organização;
* Adequação das instalações da casamata da área de preparação e de lançamento, e manutenção anticorrosiva das antenas dos radares e de telemedidas e das torres de colimação, do sistema de trajetografia e rastreio;
* Aquisição de novos aparelhos de medição anemométrica e de aferição de equipamentos;
* Informatização dos sistemas de controle de acesso às áreas operacionais;
* Manutenção do sistema de Gerenciamento Operacional utilizado para o comando e o controle das operações;
* Instalação de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas, que aumentará o índice de segurança dos equipamentos e dos recursos humanos envolvidos nas campanhas de lançamento e rastreio.
Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 11 - Abril, Maio e Junho de 2011 - págs. 22 e 23
Comentário: Muito boas notícias. Considero o CLBI muito importante para o desenvolvimento da tecnologia e das ciências espaciais no Brasil, pois proporciona ao país um local de lançamento preparado para atender essas necessidades. Entretanto, é necessário que se utilize esse equipamento com freqüência nesse sentido, coisa que não está acontecendo. Temos a base, os foguetes, mas falta atitude. Espero que com a finalização dessas obras, o CLBI realmente venha a ser utilizado, abrindo oportunidades para o desenvolvimento espacial brasileiro. Tenho duas perguntas? O que se pretende fazer com a Plataforma de Lançamento do SONDA IV que está aparentemente abandonada no CLBI? Ela será também revitalizada? Bom, caso não se pretenda fazer algo com a mesma, tenho uma sugestão. Sugiro que desmontem a plataforma antes que apodreça e levem para ser exposta no MAB (Museu Aeroespacial Brasileiro) em São José dos Campos (SP), afinal ela faz parte da história do PEB. Isso faria também com que se abra um novo sítio (ponto) de lançamento, onde poderia ser instalado um outro lançador de porte médio ou universal. Aproveitando também gostaria de perguntar cadê a cápsula Soyuz da "Missão Centenário" que os russos prometeram doar ao Brasil? Chamo atenção também do governo para o perigo que está se tornando a especulação imobiliária próxima do CLBI (veja na foto acima), devido justamente a omissão e falta de atitude do mesmo.
Comentários
Postar um comentário