'Jeitinho Brasileiro Me Ajudou', Diz Executivo da NASA

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada hoje (08/08) no site da “BBC Brasil” destacando a participação do cientista brasileiro Ramon de Paula na missão americana que colocou o Jipe-Robô Curiosity sobre a superfície do planeta Marte essa semana.

Duda Falcão

Ciência e Tecnologia

'Jeitinho Brasileiro Me Ajudou',
Diz Executivo de Missão da NASA

Natural de Guaratinguetá, no interior de São Paulo,
e trabalhando na NASA há quase três décadas,
Ramon de Paula, de 59 anos, é um dos três brasileiros
envolvidos na missão da agência espacial americana
que levou o jipe-robô Curiosity a Marte nesta semana.

Jefferson Puff
Da BBC Brasil, em São Paulo
Atualizado em 8 de agosto, 2012 - 16:41
(Brasília) 19:41 GM


Vivendo nos Estados Unidos desde os 17 anos, o engenheiro é um dos executivos nas missões de Marte no quartel-general da NASA em Washington. Como um dos chefes desses programas, tem entre suas principais atribuições resolver problemas técnicos e burocráticos.

Ele comemorou o sucesso da missão Mars Science Laboratory quando o jipe-robô Curiosity tocou o solo do "planeta vermelho" na última segunda-feira. "Foi um alívio, um momento muito, muito emocional", diz De Paula, em entrevista à BBC Brasil.

"Tivemos algumas questões nas últimas três semanas, mas não poderíamos mais adiar a descida", acrescenta. "Foi uma sensação de dever cumprido, de ter ultrapassado dificuldades e momentos de muita pressão. Foram US$ 2,5 bilhões, a missão para Marte mais cara até hoje."

O brasileiro celebrou ao lado de mais de mil cientistas, engenheiros e técnicos envolvidos na missão, e disse que o momento de alegria fez valer a pena todo o esforço dos últimos anos. Além dele, mais dois brasileiros integram a missão: Jaqueline Lyra e Nilton Rennó.

"O 'marco' histórico dessa missão só vai ser conhecido daqui a cerca de dois anos, quando os dados científicos começarem a chegar", afirma o engenheiro. "Mas hoje a chegada do Curiosity a Marte já representa um passo tecnológico muito importante para a humanidade."

Animação da Nasa mostra o sofisticado
jipe-robô Curiosity analisando terreno
do "planeta vermelho"
Para ele, que gerencia projetos que envolvem mais de 500 pessoas, o "jeitinho brasileiro" foi decisivo em sua carreira.

"Ser brasileiro definitivamente me ajudou", afirma. "Minha função é achar solução para todos os problemas relacionados às missões, e tudo que aprendi no Brasil, aliado à nossa cultura foram fatores decisivos."

"Meu mantra aqui é: sempre tem um jeito de resolver o problema. Nem todas as culturas têm essa flexibilidade diante de desafios", acrescenta.

De Paula conta que precisa tomar decisões a todo momento. "São avaliações de risco, aspectos políticos, técnicos, financeiros e científicos das missões. Temos de responder ao Congresso americano e à Casa Branca, por exemplo, pois são eles que decidem nosso orçamento."

Missão Tripulada

O cientista brasileiro destaca que, de todas as missões, incluindo sondas e robôs, que já foram enviadas a Marte, esta é a mais sofisticada.

Trata-se da terceira vez que a NASA envia equipamentos capazes de coletar, analisar e enviar resultados de amostras de rochas e materiais encontrados em solo marciano, porém o Curiosity é o mais avançado.

"O objetivo é procurar vestígios da vida, moléculas orgânicas, para determinar a habitabilidade do planeta. Marte foi um dia muito parecido com a Terra e hoje é muito diferente", diz o engenheiro.

De Paula afirma ainda que o desafio da NASA é enviar uma nave tripulada a Marte até 2030, para que um homem possa dar uma volta completa em torno do planeta e retornar à Terra.

Mais de mil pessoas trabalharam para que
o Curiosity chegasse à superfície de Marte
Questionado sobre a possibilidade de vida fora da Terra, o brasileiro diz que "provavelmente não estamos sozinhos".

"Seria muita arrogância pensar que, num universo tão imenso, só aqui existe vida, mas até hoje não sabemos", diz. "Mas vamos ver o que a ciência nos mostra."

Brasil

De Paula nasceu em Guaratinguetá e mudou-se aos sete anos para Pirassununga, também no interior de São Paulo. De lá foi para Washington, aos 17 anos, quando o pai foi selecionado para integrar a Comissão da Aeronáutica Brasileira na capital americana.

Dois anos depois, a família retornou ao Brasil, mas ele ficou e, após terminar o colegial, formou-se nos Estados Unidos. Em 1985, ingressou na agência espacial americana.

Casado desde 1974 e pai de dois filhos, só volta ao Brasil "para visitar", mas mantém uma relação muito forte com sua terra natal, expressa até ao elogiar o programa espacial brasileiro.

"É muito importante o que o Brasil tem feito no setor espacial mundial", avalia o engenheiro da NASA. "Definitivamente o Brasil tem a capacidade de avançar seu programa espacial. Afinal, nós brasileiros damos um jeitinho para tudo."


Fonte: Site da BBC Brasil - http://www.bbc.co.uk/portuguese/

Comentário: Caro Dr. Ramon de Paula, não sei se tenho o prazer de ter o senhor como meu leitor, mas gostaria mesmo assim de parabenizá-lo como também aos Drs. Nilton Rennó e Jaqueline Lyra, por elevarem o nome de nosso país participando dessa fantástica missão americana ao planeta Marte. Entretanto, gostaria de pedir que não use essa expressão ‘Jeitinho Brasileiro’, pois em nossa opinião ela nos lembra da época da Copa de 70, quando então uma infeliz atitude do nosso capitão Gerson da “Seleção Canarinho” marcou negativamente com a sua frase dita em uma propaganda de TV (levar vantagem em tudo, certo?) diversas gerações posteriores que prejudicaram e ainda prejudicam sensivelmente o nosso desenvolvimento como nação. Acredito que o melhor seria dizer que, com o seu talento e a sua grande sensibilidade e criatividade (coisas muito comum ao nosso povo), sempre haverá uma forma de resolver o problema, seja qual for desafio. Além disso, Dr. Ramon, se me permite dizer-lhe, sua visão sobre o atual momento de nosso PEB está equivocada. É verdade que definitivamente o Brasil tem a capacidade de avançar seu programa espacial, mas também é verdade que isso não acontece porque o governo não quer, e o atraso do programa, as suas incertezas e o receio do seu provável sucateamento, são coisas com que os profissionais que atuam no setor público espacial do país têm de conviver diariamente. Aproveitamos para agradecer ao leitor João Paulo por ter nos enviado essa matéria.

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