Mais Informações Sobre a ACS e Alcântara

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada ontem (11/09) no blog “Panorama Espacial” do companheiro jornalista André Mileski com algumas informações obtidas pelo mesmo durante o evento de lançamento da “Pedra Fundamental” das obras do sítio de lançamento da ACS dia 09/09 em Alcântara.

Duda Falcão

Mais Informações Sobre a ACS e Alcântara

11/09/2010

Primeiro vôo

Como já escrevemos na última quinta-feira (08), o primeiro vôo do Cyclone 4 está previsto para fevereiro de 2012. A carga útil deste primeiro lançamento será o satélite científico Nano-JASMINE, de origem japonesa, mas existe a possibilidade de que outras cargas também sejam incluídas. Questionado pelo blog, o diretor-geral da ACS, Roberto Amaral, afirmou que o espaço disponível no vôo experimental foi oferecido à Agência Espacial Brasileira (AEB).

Transferência de Tecnologia – I

Nos discursos das autoridades brasileiras, foi dado grande destaque para uma possível transferência pela Ucrânia ao Brasil de tecnologia em matéria de lançadores. Afirmações nesse sentido, aliás, não são novidade. Analisando-se, contudo, os instrumentos de cooperação já assinados entre os dois países, observa-se que a joint-venture Alcântara Cyclone Space tem objetivo eminentemente comercial, e não necessariamente de caráter científico-tecnológico. O blog questionou algumas pessoas envolvidas com a iniciativa, inclusive Roberto Amaral e Carlos Ganem, sobre essa aparente inconsistência, e recebeu delas respostas bem alinhadas. Basicamente, o que se afirma é o seguinte: existe um acordo de salvaguardas tecnológicas (AST) assinado entre os governos do Brasil e Ucrânia para a proteção de tecnologia dos dois países, que difere de instrumentos equivalentes assinados por outras nações. Em teoria, tal acordo (e o tratado assinado em 2003) permitem a celebração de outros instrumentos, específicos para transferência tecnológica.

Transferência de Tecnologia - II

O período de operação comercial do Cyclone 4 é estimado em 20 anos. Durante o tempo de sua operação, a expectativa é que os dois governos trabalhem no desenvolvimento de um novo lançador, o Cyclone 5. Isto, logicamente, exigirá um instrumento específico de cooperação. Já existem, porém, alguns movimentos no sentido de construir as bases para o projeto conjunto. Segundo foi dito ao blog por um dirigente da ACS, estão sendo negociadas dezenas de bolsas de estudos da CAPES e CNPq (instituições ligadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia) e a Universidade de Brasília (UnB) para a formação de engenheiros aeroespaciais. Estes profissionais deverão atender as necessidades da ACS e no futuro trabalhar no desenvolvimento do Cyclone 5.

Ponto Alto

Como lhe é característico, o presidente da AEB, Carlos Ganem, fez um discurso bastante articulado, empolgante, até. Ganem destacou a oportunidade do Brasil em se tornar um "player" do mercado comercial de lançamentos, e também o significado da ACS não apenas para o setor espacial, mas também como instrumento para o desenvolvimento social e cultural da pequena cidade de Alcântara. Citou como exemplos os casos de Kourou, na Guiana Francesa, e Cabo Canaveral, nos EUA. Ao final, destacou que o Brasil terá uma ampla escala de lançadores, desde foguetes para microssatélites, pequenos satélites e com o Cyclone 4, cargas geoestacionárias. Logo após o encerramento da cerimônia, o blog conversou com Ganem sobre o Programa Espacial Brasileiro. O conteúdo da conversa entrará no blog no início da próxima semana.

Ponto Baixo

Apesar de todos os problemas de infraestrutura e acesso ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), os organizadores da cerimônia tiveram bastante êxito em organizá-la, especialmente considerando-se o curto prazo de tempo desde a decisão de lançar a pedra fundamental e o evento. O ponto baixo da cerimônia foi a impossibilidade da imprensa visitar as instalações modernizadas de Alcântara, como a sala de controle e casamata, modernizadas, e a nova torre do VLS (ver notas abaixo). Apenas as autoridades presentes tiveram acesso a essas instalações. À imprensa, só foi possível ver, bem de longe, a nova TMI durante a aproximação da aeronave que a transportava à pista de pouso do CLA.

"Revival" da MECB

Ao discursar, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, lembrou que o Pais tem domínio parcial em tecnologia de lançadores e também em satélites. Destacou que o objetivo brasileiro é ter um programa espacial completo em 2022, ano em que o País comemora o aniversário de 200 anos de Independência. Parece um "revival" da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), idealizada no início da década de oitenta e que tinha por objetivo dotar o Brasil de capacidade autônoma na construção de satélites, veículos lançadores e infraestrutura terrestre.

Modernização do CLA

A sala de controle do CLA foi modernizada para atender as necessidades de operação do Cyclone 4. O pacote de atualização, iniciado em 2009, envolveu, além de controle, a modernização do centro de controle avançado (casamata), e outras 21 posições operacionais, como sistemas de radares, telemetria, tratamento de dados, meteorologia, subestações de energia, centrais elétrica e telefônica, sistemas de comunicações por microondas, casa de telecomando, entre outras. Ao todo, as obras de atualização custaram R$ 22,3 milhões.

Torre do VLS

A AEB distribuiu durante a cerimônia um press release com algumas informações sobre a TMI, o qual reproduzimos a seguir, com edição do blog: "A nova Torre Móvel de Integração (TMI) será entregue em dezembro deste ano. A obra foi orçada em R$ 44,1 milhões e tem 12 metros de cumprimento, 10 metros de largura e 34 metros de altura. A TMI tem moderno sistema de controle, o que proporcionará sua operação de forma remota; um túnel de escape (saída de emergência), totalmente isolado e com ar pressurizado, para evitar a entrada de gases, o que permitirá uma evacuação rápida das pessoas para um local seguro e afastado da zona de risco em caso de emergência. A estrutura conta, ainda, com um sistema de carregamento de propelente líquido, com mesa de lançamento, com torre de umbilicais, além dos subsistemas de climatização e ar comprimido, elétrico, de controle, de proteção contra descargas atmosféricas e de detecção e combate a incêndios. A nova TMI será uma das plataformas mais modernas do mundo para veículos espaciais do porte do VLS. Com o término dos trabalhos de construção e montagem, começarão os testes funcionais com a utilização de um mock-up

Fonte: Blog “Panorama Espacial“ - André Mileski

Comentário: Pois é leitor como sempre o companheiro André Mileski faz um grande trabalho nos trazendo novas informações sobre o Programa Espacial Brasileiro, apesar da insistência da ACS/MCT/AEB em divulgar inverdades para uma sociedade ainda desinformada como a nossa. Fazendo uma analise por tópico é bom saber que essa mal engenhada empresa está colocando um espaço disponível para AEB em seu vôo de qualificação, apesar de acharmos o tempo curto para que o mesmo possa ser aproveitado. Quem sabe não usam a oportunidade para o lançamento do ITASAT, do Nanosatc-BR ou mesmo de um novo SATEC (Satélite Tecnológico)? Não sei, vamos aguardar. Quanto as tópicos de transferência tecnológica são um grande exemplo da técnica utilizada pelos nazistas durante a segunda grande guerra visando com isso atrair apoio de uma sociedade totalmente desinforma. Não existe qualquer documento assinado (tratado ou acordo) entre o governo brasileiro e ucraniano visando à transferência de tecnologia ou o desenvolvimento conjunto na área espacial, seja no setor de satélites ou de veículos lançadores. O que existe é um memorando de entendimento que pelo seu título fala por si só e não tem força de um tratado ou de um acordo e muito menos essa função (veja Memorando de Entendimento entre a Agência Espacial Brasileira e a Agência Espacial Nacional da Ucrânia sobre Futuros Projetos Espaciais Bilaterais). Quanto à opção citada do uso do acordo de Salvaguardas para essa função, recuso-me a comentar, pois é um insulto a minha inteligência. A única coisa verdadeira é que será necessário se assinar um novo acordo ou tratado (instrumento específico como citado no texto acima) para que então essa transferência ou desenvolvimento conjunto possa ocorrer. Feito isso o mesma ainda teria de ser ratificado pelos congressos dos dois países para que pudessem entrar em vigor, coisa que no Brasil leva em média de 4 a 5 anos. Quanto ao Cyclone-5, o mesmo é ainda uma luz no fim do túnel que dependerá da assinatura e ratificação desse acordo e obviamente do sucesso da ACS e justamente aí que a coisa pega. Quanto ao ponto alto apresentado pelo companheiro Mileski que ficou impressionado com o discurso do presidente da AEB (nada difícil pela grande emoção que o mesmo transmite em seus discursos) não me impressiona, pois baseia-se numa possibilidade sem qualquer consistência pois vale-se do possível sucesso dessa mal engenhada empresa e do VLS-1, que teve seu projeto muito atrasado e prejudicado durante o governo do presidente LULA pela preferência pela mal engenhada ACS. Já o ponto baixo apresentado pelo Mileski, demonstra a falta de respeito que essa gente tem com a opinião pública, perdendo inclusive uma boa oportunidade de divulgar adequadamente informações para sociedade brasileira sobre o PEB. A citação da antiga MECB (Missão Espacial Completa Brasileira) dos anos 80 (época de bom desenvolvimento do PEB apesar dos poucos recursos) pelo ministro Sérgio Rezende chega a ser uma ofensa aos bons profissionais e mesmo aos políticos da época que apoiaram a sua realização, principalmente quando o ministro estabelece o ano de 2022 como meta para se atingir a auto-suficiência no acesso ao espaço pelo Brasil. Uma vergonha. Quanto aos outros tópicos, são auto-explicativos e o governo não fez nada mais que sua obrigação, infelizmente com grande atraso.

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