PEB Incentiva Empresas do Setor Espacial


Olá leitor!

Segue abaixo uma reportagem publicada na revista “Espaço Brasileiro” (Out., Nov. e Dez. de 2009) destacando que o PEB vem incentivando o desenvolvimento das empresas brasileiras do setor espacial.

Duda Falcão

Programa Espacial Brasileiro
Incentiva Mercado Nacional

Tendência é de crescimento, com a capacitação
e a geração de empregos. Empresas destacam
bons resultados obtidos na área

Quase metade do orçamento da Agência Espacial Brasileira (AEB), por meio do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), é destinado à indústria espacial do país. Em 2008 foram destinados aos fornecedores nacionais R$ 46 milhões, ou seja, 46% dos recursos pagos tiveram como foco projetos de satélites, foguetes e centros de lançamento.

“O programa espacial brasileiro gera inovação e tecnologia para o parque industrial nacional, o que se traduz em empregos de conteúdo técnico e com alto valor agregado nos produtos”, afirma o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência, Himilcon Carvalho.

No início dos anos 80, recorda Himilcon, o índice de participação na indústria nacional no desenvolvimen­to do Satélite de Coleta de Dados 1 (SCD-1) correspondeu a aproxima­damente 10% da participação da indústria brasileira. Na fabricação do SCD-2, esse número chegou a 20%. Mas, é a partir de 1994 que o foco na indústria espacial brasileira fica evidente, com o estabelecimento da Política Nacional de Desenvolvimen­to das Atividades Espaciais (PNDAE). Entre os objetivos contemplados no PNDAE estão a capacitação da indústria e a sua competitividade, visando, inclusive, o mercado inter­nacional. “A finalidade do PNDAE é buscar autonomia na área espacial, com um retorno de benefícios para a sociedade brasileira”, observa.

Atualmente, todos os subsistemas dos Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres (CBERS 3 e 4) – sob responsabilidade brasileira – são contratados junto à indústria nacional, a mesma que também gera os chamados spin-offs (termo em inglês para designar um novo produto nascido a partir de pesquisas aeroespaciais), aperfeiçoando o processo produtivo e disseminando alta tecnologia para outras áreas.

Em 2008, o orçamento executado da AEB foi de R$ 213 milhões. Este ano, o montante autorizado ficou em R$ 434 milhões e, para 2010, a proposta orçamentária é de cerca de R$ 290 milhões. Somente com a construção da Plataforma Multimissão (PMM) serão repassados à indústria R$ 30 milhões. A PMM, que está sendo desenvolvida pela indústria nacional, tem o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) como interveniente e coordenador técnico. Trata-se de um conceito moderno em relação à arquitetura de satélites. O propósito é reunir em uma plataforma todos os equipamentos que desempenham funções necessárias à sobrevivência e funcionamento de um satélite, in­dependentemente do tipo de órbita e do objetivo da missão.

Inovação

A empresa Orbital Engenharia Ltda, com sede em São José dos Campos (SP), é um exemplo do crescimento do setor espacial. O diretor de en­genharia, Célio Costa Vaz, explica que a Orbital nasceu em 2001, com o objetivo de ser fornecedora de ex­celência para o Programa Espacial Brasileiro. A média de faturamen­to nos últimos três anos é de R$ 2 milhões. Um dos nichos de mercado está relacionado ao fornecimento de painéis solares. O primeiro contrato da Orbital foi em 2003, com vistas à fabricação de painéis solares para o Satélite Tecnológico (SATEC). Em 2005, a empresa foi contrata­da para fornecer a parte elétrica dos painéis solares para a Platafor­ma Multimissão (PMM). “O modelo de engenharia e qualificação está pronto, aguardando a liberação para a fabricação do modelo de vôo”, diz o engenheiro. Em 2008, a Orbital também ganhou a licitação para fornecer a parte elétrica dos painéis para os satélites Cbers-3 e 4.

Célio Vaz, da Orbital

Além disso, a empresa está envolvida no desenvolvimento de uma carga útil, denominada Plataforma Subor­bital de Microgravidade (PSM), e ainda na tecnologia de propulsão líquida. Ambos os projetos são de­senvolvidos em parceria com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), por meio de recursos de subvenção econômica da Financia­dora de Estudos e Projetos (FINEP).

“Sobreviver neste mercado não é fácil, pois são poucos os projetos. Existe descontinuidade ou períodos de pouca ou nenhuma contrata­ção. Mas, apesar de todas essas dificuldades, vale a pena para demonstrar a capacidade de desen­volvimento de tecnologia no país”, observa Célio Vaz.

O empresário acredita que o Programa Espacial Brasileiro tem que crescer não só em volume, mas também em projetos de menor envergadura e em mecanismos de contratação que promovam um maior dinamismo. Para ele, a competência dos institutos e das empresas e a vontade política do governo contribuirão para que a sociedade perceba os benefícios do programa espacial.

CBERS-3 - A trajetória da Opto Ele­trônica, de São Carlos (SP), não é diferente. A empresa entrou no segmento aeroespacial em 1995, fornecendo alguns dispositivos para o míssil Piranha. Porém, foi em 2004, que a Opto venceu a licitação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para desenvolver a câmera MUX do CBERS-3. A MUX é uma câmera de 20 metros de resolução no solo, multiespectral, destinada ao monito­ramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais. Trata-se da primeira câmera do gênero desen­volvida e produzida inteiramente no Brasil, com um custo de aproxima­damente R$ 40 milhões.

Jarbas Castro, da Opto Eletrônica

Com um faturamento anual de R$ 85 milhões – sendo R$ 25 milhões oriundos da divisão aeroespacial - o próximo desafio da Opto é desenvolver a câmara do satélite Amazônia I.“É um mercado com tecnologia de fronteira, que gera know-how interno e transborda para as outras duas áreas da empresa (médico-oftálmico e antirreflexo)”, conta o presidente da Opto, Jarbas Castro.

A expectativa é ampliar a atuação no mercado internacional e aumentar o percentual de exportação de 15% para, pelo menos, 50%.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 07 - Ano 2 - Out., Nov. e Dez. de 2009 - Págs. 25 e 26

Comentário: Não se pode negar que realmente existe um incentivo do PEB para a indústria do setor espacial, mas que é ainda muito tímido devido à falta de maiores projetos para o setor. A Política Nacional de Desenvolvimen­to das Atividades Espaciais (PNDAE) diferentemente do que diz o senhor Himilcon Carvalho, jamais operou como deveria desde a sua criação. Na realidade o verso das folhas desse documento não passou de simples rascunho para vários governos e até então nunca foi implantada de verdade. Os projetos que surgiram e permitiram o desenvolvimento de parcerias com indústrias do setor foram frutos de iniciativas individuais dos institutos que compõem o PEB (INPE, IAE e o IEAv) e de seus pesquisadores e não por uma política espacial devidamente atuante. Graças aos institutos, a poucos visionários e a ex-servidores (pesquisadores) que ao deixarem seus cargos públicos em busca de melhores condições de trabalho montando suas próprias empresas, essas parcerias foram possíveis e o mercado se desenvolveu devido aos poucos projetos do PEB. Outra coisa que está equivocada nesta matéria é que jamais o orçamento do PEB chegou a R$ 434 milhões, nem em 2009, nem nunca. Deixando a falta de memória dessa gente de lado gostaria de falar sobre um dos projetos abordados na matéria que considero interessante, mas que não há muitas informações sobre o mesmo. Trata-se do projeto da PSM - "Plataforma Subor­bital de Microgravidade" que já foi abordado no blog anteriormente (veja a nota A Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM)) e que está sendo desenvolvida pela Orbital. No final dos anos 90 o INPE desenvolveu e em 09/12/2000 testou com sucesso (através de um foguete Sonda III) a Plataforma Suborbital (PSO). Posteriormente não se falou mais sobre esse projeto que havia sido desenvolvido para suprir as necessidades do ainda iniciante “Programa de Microgravidade” da AEB. Talvez esse projeto da Orbital seja fruto do antigo projeto da PSO/INPE, apesar do mesmo está sendo desenvolvido em parceria com o IAE.

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