A Astrobiologia e seus Avanços no Brasil


Olá leitor!

Nesse primeiro dia do ano enquanto aguardamos notícias sobre o cambaleante PEB, o blog apresenta abaixo um artigo postado dia (26/11/2008) no site da "Agência Universitária de Notícias (AUN)" muito esclarecedor sobre o que é, e o que está sendo feito para o desenvolvimento da Astrobiologia no Brasil.

Duda Falcão

Ciência & Tecnologia

Estudos Sobre Origem e Evolução da
Vida Ganham Espaço no Brasil

Por Cristiane Sinatura
26/11/2008


São Paulo (AUN - USP) - Que a origem da vida sempre foi tema assíduo da curiosidade humana e dos estudos científicos, isso não é novidade. Mas que existe uma ciência totalmente dedicada ao estudo da vida no cosmos, poucos sabem. Trata-se da Astrobiologia, cujo objetivo é unir diversas ciências, como Biologia, Física, Química, Astronomia e Geologia, para desenvolver pesquisas práticas e teóricas. Agora, a Astrobiologia tem chamado a atenção dos cientistas brasileiros. Em parceria com uma lista crescente de instituições, como o Instituto de Biologia da USP, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, o IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP vem desenvolvendo estudos pioneiros na área, em nível nacional.

Há menos de uma década, a Nasa fundou seu Instituto de Astrobiologia, consolidando e expandindo os estudos desenvolvidos desde os anos 50 no segmento. No Brasil, estão prestes a se formarem os primeiros dois doutores na área: Douglas Galante, do IAG, e Ivan Lima, da UFRJ. Ambos fazem parte do grupo Astrobio Brazil, responsável pelo desenvolvimento das primeiras pesquisas brasileiras em Astrobiologia, com financiamento do CNPq e da Fapesp. O grupo participou do Congresso de Astrobiologia da Nasa e do I Workshop de Astrobiologia no Rio de Janeiro, que reuniu 50 cientistas da área, em 2006 e 2008.

Os Estudos do Astrobio Brazil

Orientado pelo professor Jorge Horvath, o doutorando do IAG, Douglas Galante, estuda o impacto da radiação sobre a vida. Para isso, ele analisa a hipótese de uma grande explosão no universo, com altas emissões de radiação. Caso ela ocorresse na Via Láctea, Douglas afirma que a vida na Terra – em suas mais variadas formas – sofreria um grande baque. A radiação poderia alterar a atmosfera, destruindo o ozônio. Segundo o doutorando, um processo semelhante pode ter ocorrido anteriormente, liquidando espécies de vida que já habitaram não somente a Terra, mas também outros corpos cósmicos.

Os cálculos realizados por Douglas são repassados a Ivan Lima, doutorando na UFRJ, que fica responsável pela parte prática dos estudos. Para tanto, ele simula ambientes extraterrestres e expõe bactérias a feixes de radiação. Um dos resultados até agora obtidos vem reforçar a teoria da panspermia, que colocam meteoros e cometas como sendo o "meio de transporte" através dos quais formas de vida bastante simples chegaram à Terra, há bilhões de anos. Expondo a resistente bactéria Deinococcus radiodurans a altas radiações, descobriu-se que ela pode sobreviver escondida em fendas no substrato - ou seja, poderiam ter resistido ao ambiente agressivo do espaço e chegado à Terra em cometas ou meteoros.

Próximos Passos

Agora, o grupo Astrobio Brazil pretende levar os estudos para a Open University, na Inglaterra, em outubro do próximo ano. Lá, utilizando o acelerador síncrotron Diamond, as emissões de energia poderão ser maiores, de forma a simular impactos sob uma radiação mais intensa.

Os planos ainda incluem o estudo de moléculas biológicas essenciais ao desenvolvimento da vida. Para isso, o grupo utilizará, a partir do meio do ano que vem, o observatório chileno VLT, da Agência Nacional Européia. Lá, observarão a presença e o comportamento dessas moléculas em áreas de formação de planetas, através da espectroscopia. A radiação de uma estrela interage com as moléculas do seu entorno, fazendo com que essas emitam energia na região infra-vermelha do espectro. Cada molécula interage de diferente maneira e, observando-se a alteração da radiação da estrela, pode-se inferir a presença de diferentes compostos ao seu redor. O estudo da interação das moléculas no espaço é também conhecido como astroquímica.

O grupo também está desenvolvendo um projeto para enviar experimentos com bactérias ao espaço, em um foguete a ser lançado da base de Alcântara, no Maranhão. Essa possibilidade surgiu devido ao convênio Brasil-Ucrânia, que prevê o lançamento dos foguetes ucranianos a partir da base brasileira. O acordo conta com a colaboração da pesquisadora Lynn Rothschild, da Nasa.

O foguete levará uma plataforma de experimentos, a ser exposta ao ambiente espacial em órbita baixa. O objetivo é testar as reais condições de sobrevivência que até hoje vêm sendo simuladas em Terra. "Além de permitir esse teste diretamente, o projeto permitirá ao Brasil o desenvolvimento de tecnologia para testes biológicos em ambiente espacial e de microgravidade", explica o doutorando Douglas. "Até o momento, esse é um privilégio das grandes potências espaciais".

Os próximos projetos do Astrobio Brazil também incluem a criação do Inespaço (Instituto Nacional do Espaço), cujo principal objetivo será impulsionar as ciências espaciais, entre elas a astrobiologia, no Brasil. Se aprovado, o Inespaço poderia fornecer recursos para novas pesquisas e projetos na área. Um deles, em andamento, prevê a construção de uma câmara de simulação planetária, capaz de recriar as condições de temperatura, pressão, composição atmosférica e radiação de vários planetas. Existem poucas câmaras como essa no mundo e, se aprovada pelo CNPq, a primeira da América Latina deverá ficar pronta nos próximos anos.


Fonte: Site da Agência Universitária de Notícias (AUN) - Novembro de 2008

Comentário: Apesar de esse artigo ter mais de um ano que foi publicado, ele demonstra o avanço dessa ciência na terra dos tupiniquins. Realmente a Astrobiologia como também a Astronomia e a Astrofísica brasileira, vêm atingindo atualmente um estágio de desenvolvimento bem significativo no país e esse artigo destaca de forma bem satisfatória esse desenvolvimento. Deve-se acrescentar que o instituto INEspaço (veja a nota INEspaço - Novo Instituto de Pesquisas Espaciais) citado no artigo já se e encontra operacional e que o projeto de enviar experimentos com bactérias ao espaço em um foguete a ser lançado da base de Alcântara, ainda esta por acontecer, mas dificilmente será feito pelo foguete Cyclone-4. Porém, durante a realização do I Workshop de Astronomia Espacial (IWAE) realizado em 03/09/2009 no IAG/USP, o grupo AstroBio-Brazil (formado até onde eu sei pelos pesquisadores Claudia Lage (coordenadora), Ivan Lima, Douglas Galante, Vanderlei Parro e Eduardo Janot-Pacheco ) apresentou o projeto da plataforma de experimentos (clique em Astrobiologia em órbita - Claudia Lage (UFRJ) ) que muito provavelmente será em parceria com a NASA. Além disso, existe outro projeto em andamento desse instituto em parceria com a UFRN (veja aqui a nota UFRN / INEspaço Irão Enviar Experimento para o Espaço) que trata do envio da cana de açúcar através de um foguete VSB-30 (próxima missão, muito provavelmente a “Operação Maracati II”) visando estudar os efeitos da gravidade zero sobre essa espécie vegetal, através de amostras que serão enviadas para o espaço. Esse projeto prevê também em sua segunda fase o envio dessas amostras para a Estação Espacial Internacional (ISS) através de um acordo que esta sendo estabelecido com os russos. Ambos os projetos da cana de açúcar fazem parte do 3° AO (Anúncio de Oportunidades) da AEB. Ainda na área da Astrobiologia outros avanços foram alcançados pelo país nesse período de pouco mais de um ano, e os mesmos podem ser conferidos aqui no blog.

Comentários

  1. Só espero agora que no Brasil tenha curso de graduação em astrobiologia, e até pós graduação. Imagino que tudo começe na escola, ensinando as crianças sobre os planetas e a possibilidade de vida fora da Terra.

    Desde 1996, quando li cosmos , de Carl Sagan, pela primeira vez, nem ouvi nada sobre astrobiologia no Brasil no século 20. Mas acreditava que um dia essa ciencia estaria no Brasil.

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  2. Pois é Samuel, tens razão. Devagarinho que infelizmente é o rítmo brasileiro a Astrobiologia no Brasil haverá de melhorar.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  3. Infelizmente as coisas vão de vagar no brasil, atualmente estudo filosia,mas tenho interesse nas descobertas relacionadas ao universo,e se eu falar que aqui no Sul onde moro existem universitarios,que não conhecem esta materia,e que ha pessaos que acham locura haver e procurar vida fora do planeta,mas espero que nossas universidades forneçam o mais breve possivel este curso,que é hoje em meu ver de nessecidade ímpar.

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  4. Pois é Tiago!

    Acredito que em breve também haverá de serem criados cursos de Astrobiologia nas universidades sulistas. É só uma questão de tempo, já que essa área tem crescido bastante no Brasil nos últimos 5 anos.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  5. 3 anos já se passaram e até hoje, nada!! Triste. É muito triste querer estudar uma coisa, e não ter no seu país!!!

    Aline Perrota/ Rio das Ostras-RJ

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