Troca do GOES 10 pelo GOES 12 pode Prejudicar Previsões


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada hoje (05/01) no jornal “O Estado de São Paulo” destacando que a troca do satélite GOES 10 pelo GOES 12 poderá prejudicar as previsões do tempo no Brasil no ano de 2010.

Duda Falcão

Troca de Satélite pode Prejudicar Previsões do Tempo no Brasil

Novo equipamento monitora o País com menos freqüência e
ainda há risco de ser usado só para Hemisfério Norte

Herton Escobar
05/01/2010



Meteorologistas brasileiros terão de se preocupar também com o clima do Hemisfério Norte em 2010. Caso haja eventos extremos por lá, a previsão do tempo no Brasil poderá ser prejudicada, com impactos sobre a aviação civil, agricultura e o monitoramento de tempestades.

O satélite americano do qual o País dependia para esse serviço, o GOES 10, foi desativado no início de dezembro. Ele produzia imagens da América do Sul a cada 15 minutos. Seu substituto imediato, o GOES 12, continua a fornecer imagens do continente, mas com uma freqüência menor - a cada 30 minutos.

Até aí tudo bem. Os 15 minutos a mais não alteram a confiabilidade da previsão do tempo no País, segundo o chefe da Divisão de Satélites do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Frederico de Angelis.

O problema é quando houver condições meteorológicas extremas no Hemisfério Norte - situação freqüente no verão e na primavera, quando ocorrem as temporadas de furacões e tornados nos Estados Unidos. Nesse caso, os "olhos" do GOES 12 poderão ser direcionados para lá, deixando o Brasil "às cegas" por períodos de até três horas. "Aí começamos a ter problemas, pois, com essa periodicidade, não conseguimos fazer previsões de curto prazo (para períodos menores do que três horas)", explica de Angelis.

Isso pode ser um problema para a previsão e o monitoramento de tempestades que se formam e se deslocam rapidamente, como as pancadas de chuva que vêm causando desastres no Rio e em São Paulo nas últimas semanas.

"É um pouco complicado, pois há nuvens que se formam e desaparecem em questão de uma hora, e não teremos registro delas", diz o coordenador geral de Agrometeorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Alaor Moacyr Dall"Antonia Junior.

A segurança na aviação também poderia ser comprometida, com uma diminuição na precisão das previsões meteorológicas para planejamento de voos. Na agricultura, o Inpe ficaria impossibilitado, por exemplo, de calcular o acumulado de chuva para um determinado dia com base em imagens de satélite - uma informação crucial para o manejo das lavouras. "Com imagens a cada três horas, o erro torna-se muito grande. O cálculo deixa de ser confiável", explica de Angelis.

DEPENDÊNCIA

Os satélites GOES (Geostationary Operational Environmental Satellite) pertencem à NOAA, a agência federal americana que monitora os oceanos e a atmosfera. São aparelhos geoestacionários, o que significa que ficam posicionados sempre sobre um mesmo ponto do Equador, enquanto suas câmeras escaneiam a superfície.

O GOES 10 olhava só para o Sul e levava 15 minutos para escanear todo o hemisfério. O GOES 12 olha para o Sul e para o Norte, por isso leva o dobro do tempo para produzir as imagens de cada continente.

Os dados são fornecidos gratuitamente aos países da América do Sul por um acordo com a Organização Mundial de Meteorologia. O problema é que, pelo acordo, a NOAA tem obrigação de prover imagens a cada 3 horas, mas não menos do que isso.

O GOES 10 foi desativado em 1º de dezembro, após 12 anos de serviço, e imediatamente substituído pelo GOES 12. A agência americana mantém sempre três satélites em órbita: um para o leste dos Estados Unidos, outro para o oeste e um terceiro, de reserva, caso haja problemas com os outros dois.

O satélite mais novo da série, o GOES 14, foi lançado em junho do ano passado e está passando por um período de comissionamento. Segundo Dall"Antonia, do Inmet, uma vez que esse processo seja concluído, o GOES 14 deverá assumir a função do GOES 12 para o Hemisfério Norte, e o GOES 12 passará a se dedicar exclusivamente à América do Sul, como fazia o GOES 10. A expectativa é que isso ocorra em junho deste ano.

Até lá, Dall"Antonia garante que "o Brasil não ficará descoberto", pois pode ainda recorrer ao satélite europeu Meteosat, que fornece imagens a cada 15 minutos. De Angelis, do Inpe, porém, faz a ressalva de que "a única região de boa confiança para o Meteosat é o Nordeste", por causa da posição do satélite (que fica na interseção de Greenwich com o Equador, sobre a costa da África).


Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - 05/01/2010

Comentário: Isso tudo é mais uma demonstração da incompetência administrativa reinante nos órgãos governamentais que comandam o cambaleante Programa Espacial Brasileiro. Planejamento é o mínimo que se espera de um órgão gestor em qualquer grau de responsabilidade que o mesmo esteja envolvido, principalmente quando se trata de algo como o monitoramento climático do país. Plagiando o Boris Casoy : Isto é uma vergonha.

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