O Brasil Visto do Alto - Artigo


Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo postado hoje (12/01) no Site da AEB e publicado na “Revista Rumos” da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE) de dezembro de 2009 tendo como manchete “Programa Espacial Brasileiro”.

Duda Falcão

O Brasil Visto do Alto

Revista Rumos - Silvia Noronha
12-01-2010


Um país de dimensões continentais como o Brasil não pode prescindir de investimentos neste setor, defende a Agência Espacial Brasileira. O país tem aptidão para a conquista do espaço e pode pagar caro no futuro se não aumentar os investimentos.

Para melhor analisar um país de dimensões continentais como o Brasil e promover o seu desenvolvimento, é imprescindível acessar informações que somente podem ser obtidas a partir do espaço. Os benefícios perpassam diferentes áreas, indo muito além das comunicações que nos permitem falar ao telefone ou assistir a um jogo da Copa do Mundo na África do Sul. Há questões de soberania envolvidas que vão desde a fiscalização de fronteiras e do litoral, passando pelo controle do desmatamento na Amazônia, pelo monitoramento de áreas agrícolas e dos recursos naturais do país, pela oferta de educação à distância, até o desenvolvimento de produtos industriais de maior valor agregado.

Décadas atrás havia quem captasse crédito rural (verba que é subsidiada pelo governo) e meses depois alegasse a impossibilidade de pagar a dívida porque a safra teria sido totalmente perdida. Na verdade, a pessoa sequer havia plantado alguma coisa, mas não era possível provar. Esse golpe hoje é impossível de ocorrer. Os satélites não deixam mentir. Além de saber se a pessoa plantou ou não, pode-se checar se houve alguma anormalidade climática na região, como uma tremenda chuva de granizo, capaz de exterminar mesmo uma safra inteira.

Por falar em agricultura, hoje o satélite meteorológico que proporciona as melhores imagens do território brasileiro é o norte-americano Goes. Ele faz uma varredura do disco terrestre e disponibiliza os dados entre cada 15 e 30 minutos. Porém seu proprietário – o governo dos Estados Unidos – cancela a varredura do hemisfério sul caso sinta necessidade de reforçar o monitoramente da parte Norte. E isso de fato já aconteceu. O Goes foi deslocado por questões de segurança após o 11 de Setembro e durante a passagem do furacão Katrina, causando enormes prejuízos ao agronegócio brasileiro, que foi privado de informações detalhadas sobre o tempo.

Portanto, um país pode comprar dados estratégicos de sistemas espaciais estrangeiros ou promover o seu próprio conhecimento. O Brasil escolheu a segunda opção, capaz de levar à autonomia da nação no futuro, ainda que por enquanto os recursos sejam escassos para recuperar 22 anos de atraso. Neste período, países que até então estavam aquém em conhecimento espacial deram uma guinada e ultrapassaram o Brasil. A Índia começou seu programa mais ou menos na mesma época do Brasil. Não passou por altos e baixos e hoje investe US$ 1 bilhão. A Argentina também avançou em alguns aspectos, como em subsistemas de satélites.

Em 2009, o governo federal está investindo R$ 282,3 milhões no Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae). Pouco. Seriam R$ 350 milhões, se o Congresso Nacional não tivesse cortado uma parte do previsto. Até a pequenina Holanda gasta mais do que o Brasil (US$ 160 milhões, em 2006, ante os US$ 100 milhões do Brasil naquele mesmo ano). Não obstante, “para entrar no rol dos países mais influentes do planeta, o Brasil não pode prescindir de investimentos em espaço, se não estaríamos nas mãos dos principais países opositores”, afirma o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pelo ordenamento da política do setor e pelo acompanhamento das ações do Pnae.

Se a opinião soa um exagero, vale lembrar que a União Européia e a Rússia tratam de buscar autonomia em várias vertentes espaciais, até mesmo com o desenvolvimento de sistemas próprios de navegação por satélite. Para não depender do GPS, que é formado por satélites norte-americanos, a União Européia lançou o Galileo, e a Rússia, o Glonass, ao qual o Brasil firmou cooperação em 2009, por considerar este segmento estratégico.

Brasil tem aptidão espacial – O Brasil tem vantagens geográficas e recursos humanos suficientes para apostar na indústria espacial, inclusive comercialmente, por meio de instituições públicas e empresas privadas, o que retroalimentaria o setor. Seria conquistar seu espaço num dos segmentos tecnológicos de maior valor agregado do planeta. Em 2008, o mundo movimentou US$ 1,97 bilhão somente com lançamento de satélites, uma área em que o Brasil apresenta uma vantagem comparativa invejável, devido à sua posição geográfica. Ao todo, apenas nove países apresentam capacidade de lançamento de satélite, e o Brasil é um deles.

Com a entrada em operação regular da base de lançamentos de Alcântara, no Maranhão, Carlos Ganem calcula que o país ganhará de 5% a 10% deste mercado, daqui a dois anos. Ou seja, US$ 190 milhões – mais do que o programa espacial brasileiro tem hoje. Pode gerar um quadro importantíssimo de receitas que estimulariam as novas etapas do programa, calcula o presidente da AEB.

“É importante reconhecer que o Brasil tem aptidão nesta área”, afirma Ganem, que luta por verbas de R$ 942 milhões em 2010. Segundo ele, o país precisa ter uma atividade espacial forte, compatível com a excelente mão-de-obra que, há anos, é formada em institutos como ITA, IME, INPE, nas universidades federais e nos centros especializados nacionais. Mas, em função dos escassos investimentos internos, boa parte desta mão-de-obra faz doutorado no exterior, onde acaba servindo aos programas espaciais de terceiros.

“Queremos que o Brasil não seja apenas exportador de commodities. Temos competência na área espacial para suprir as nossas necessidades e exportar”, acrescenta o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB, Thyrso Villela. Entre os ganhos prometidos está, além da autonomia, a geração de empregos de alta capacitação.

“Se o Brasil não investir no setor espacial, pode vir a enfrentar perdas econômicas e sociais muito grandes”, afirma, por sua vez, o astrofísico João Braga, vice-diretor do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) e vice-presidente da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), entidade que reúne os cientistas da área. As perdas viriam da dependência do país, que ficaria à mercê da disponibilidade de satélites estrangeiros para prover informações estratégicas à sociedade. Além disso, a compra dessas imagens do exterior pode se dar a custos altos demais para o país.

Quatro funções basais do setor – São quatro as funções basais do setor espacial, conforme relata o presidente da AEB. Em primeiro lugar, vêm os aspectos ligados ao gigantismo do Brasil, que requer monitoramento constante. Por isso, foi criado o Programa de Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers), que gerou a maior política de imageamento gratuito da Terra. Com ele, Golias teve de se curvar diante de David, compara Carlos Ganem. É que o satélite Landsat, norte-americano, deixou de cobrar pelas imagens após a gratuidade lançada pelo Cbers.

A segunda função é meteorológica, permitindo antever situações anômalas, entre elas, os impactos ambientais provocados pelas mudanças climáticas. A terceira relaciona-se ao controle do tráfego aéreo; e a quarta função basal, às comunicações, que influencia até na ampliação de redes de ensino a distância num país continental como o Brasil. Parte desta última função é resolvida comercialmente pelas empresas do segmento e parte via políticas públicas.

A estratégia atual aponta para o país o desenvolvimento da cadeia espacial completa, que envolve o tripé foguete, satélite e centro de lançamento, o que colocará o Brasil em condições privilegiadas. O Pnae caminha nesta direção e, a despeito do reduzido orçamento, tem conseguido resultados mensuráveis. Permitiu o desenvolvimento (em fase final e protagonista de um grave acidente com vítimas em 2003) do Veículo Lançador de Satélites (VLS), que será capaz de colocar em órbita satélites de observação da Terra, em altitudes de até 1.000 km. Levou à construção de dois centros de lançamento: Barreira do Inferno (RN) e Alcântara (MA); e, atualmente, o país já registra avanços tecnológicos na construção de satélites.

Ainda sobre foguetes, em 2006 foi criada a empresa binacional (Brasil e Ucrânia) Alcântara Cyclone Space (ACS), responsável pela comercialização e operação de serviços de lançamento utilizando o veículo lançador Cyclone-4. A empresa pretende ter um centro próprio de lançamento na área de Alcântara, atualmente em fase de negociação por questões fundiárias e sociais.

Já os satélites possuem o seu próprio ciclo de produção. No Brasil, um dos avanços recentes foi a construção, pela primeira vez no país, das câmeras espaciais que serão usadas pelos próximos satélites Cbers. A empresa vencedora da licitação enfrentou inúmeros desafios, a começar pela barreira legal dos Estados Unidos, onde há anos uma lei (Itar, International Traffic in Arms Regulations) proíbe a exportação de artigos militares e de defesa. A extensa lista inclui componentes eletrônicos para câmeras óticas satelitais. Os EUA querem que este conhecimento estratégico fique restrito aos seus próprios projetos.

Satélites óticos, radares e raios-X – Existem satélites óticos, ou seja, que vêem o que nossos olhos enxergam. São estes que estão no espaço enviados pelo Brasil. Os próximos do gênero serão os sino-brasileiros Cbers-3 e 4 (satélites costumam ter vida útil de no máximo 15 anos). Também faz parte do programa espacial o Amazônia-1, também ótico, porém este será o mais brasileiro de todos. Está em construção com o máximo de autonomia possível.

Todos eles são satélites de sensoriamento remoto, capazes de mapear o nosso território. Atualmente, cerca de 250 imagens enviadas pelo Cbers 2B são requisitadas diariamente pelas mais diversas instituições públicas e privadas, interessadas em monitorar, por exemplo, o crescimento urbano, uma área agrícola, os recursos hídricos de determinada região, o desmatamento na Amazônia Legal etc.

Entretanto, por serem óticos, eles enfrentam barreiras à sua “visão”, entre elas, nuvens ou a copa de uma árvore. Por isso, existem também os satélites-radares, capazes de enxergar além das barreiras, imageando abaixo das copas das árvores, atingindo o solo, o que será particularmente importante para o monitoramento da Amazônia e dos recursos naturais do país. Atualmente, a AEB faz os estudos de viabilidade prevendo lançar o primeiro satélite-radar nacional em 2014.

São poucas as nações do mundo que dominam esta tecnologia, e o Brasil quer ser um deles no futuro. Por isso, o primeiro satélite do gênero ainda demorará pelo menos cinco anos. O projeto precisará da colaboração internacional, algumas peças serão importadas, mas a AEB quer que a indústria nacional seja responsável pela maior parte da construção. Na verdade, atende à mesma estratégia de promover a capacitação interna do setor, já levada a cabo, por exemplo, na parte nacional dos próximos Cbers e no Amazônia-1.

Também está incluído no programa o primeiro satélite científico do país, capaz de estudar a atmosfera e de alçar o Brasil à era do conhecimento astronômico. O Mirax, cujo projeto é coordenado por João Braga, do Inpe, trabalhará na faixa do invisível ao olho humano, por isso, levará consigo pelo menos duas câmeras de raios-X a serem construídas no Inpe, em parceria com a indústria nacional. O custo do projeto é de R$ 10 milhões, sem considerar os gastos com o lançamento.

“Uma característica importante da missão é que os dados serão tornados públicos imediatamente após a produção dos principais produtos de dados. Portanto, a missão não terá dados proprietários e as comunidades científicas nacional e internacional poderão se beneficiar de maneira aberta e imediata”, explica João Braga.

O objetivo do Mirax é observar o céu em raios-X de uma maneira nunca antes realizada. “Sendo uma pequena missão, o Mirax não se compara em tamanho e complexidade a outros grandes observatórios de raios-X já colocados em órbita ou em planejamento, como o Chandra (EUA) ou o XMM (UE), mas suas características vão proporcionar resultados científicos importantes e competitivos, em grande parte complementares aos obtidos por essas grandes missões”, esclarece o vice-diretor do Inpe.

O Mirax irá observar, na maior parte do tempo (cerca de nove meses por ano), a região central da Via Láctea, com o objetivo de estudar fenômenos astrofísicos que ocorrem nas vizinhanças de objetos colapsados estrelas de nêutrons e buracos negros. Ao contrário de outras missões espaciais de astronomia de raios-X, que observam determinadas regiões do céu por curtos períodos de tempo, o Mirax estará especialmente capacitado para investigar em detalhe fenômenos que envolvem variabilidade na emissão de raios-X em escalas de tempo que vão desde frações de segundo até meses, revela Braga.

Sob a orientação do Inpe, a indústria nacional desenvolve ainda a plataforma multimissão (PMM), uma espécie de caminhão em cuja caçamba poderá ser levado um satélite por vez. O Amazônia-1, o Mirax e o satélite-radar estão programados para a PMM. “A idéia é baratear os custos”, afirma Thyrso Villela, da AEB.

PPP Espacial - Para viabilizar outros projetos, a Agência realiza estudos sobre a possibilidade de lançar parcerias público-privadas (PPPs) para o setor. Um dos objetivos é desenvolver um satélite militar de comunicações, tendo em vista o Brasil hoje alugar transponder no Star One.

“Em geral, os países possuem seus próprios satélites para fins de comunicação militar e estratégica”, observa o diretor da AEB. Segundo ele, embora empresas particulares arquem com o investimento em uma PPP, o controle do sistema será público. Caso a legislação permita e haja interesse econômico tanto para o investidor quanto para o governo, poderá ser lançada uma PPP também para um satélite meteorológico.

No campo meteorológico, o Inpe estuda a viabilidade de o Brasil integrar o programa Global recipitation Measure (GPM), uma constelação de 12 satélites, capaz de obter informações sobre precipitação em qualquer lugar do globo em no máximo três horas. O programa é liderado pelas agências espaciais do Japão (Jaxa) e dos Estados Unidos (Nasa), com a participação de outros países.

“Em termos meteorológicos, o Brasil está bem avançado. Fazemos previsões comparáveis às melhores do mundo e ainda estamos para receber um novo supercomputador. O que falta é um satélite nosso, com uma cadência melhor e livre da interferência de terceiros”, esclarece Thyrso Villela.

Espaço e sociedade – O conhecimento espacial vai ainda bem além das aplicações diretas descritas até aqui. A tecnologia muitas vezes é aproveitada para outros fins, num processo que já gerou produtos como microondas e o aparelho celular. São os chamados spin-offs (leia exemplos em: Spin-offs brasileiros).

A sociedade também se beneficia por meio de serviços possíveis graças ao investimento no setor. São tantas as possibilidades que o Inpe criou o Programa Espaço e Sociedade, com o objetivo de difundir a aplicação do conhecimento em várias áreas. Os problemas sociais, ambientais e econômicos brasileiros podem ser mais bem enfrentados a partir dos dados gerados no espaço. A Prefeitura conseguirá planejar melhor o crescimento urbano, o setor de saúde pública terá melhor controle de endemias; a Defesa Civil poderá avaliar melhor sistemas emergenciais; os órgãos ambientais terão acesso a informações cruciais sobre áreas em processo de desertificação. Enfim, as aplicações são muitas. Como frisa Carlos Ganem, “investir tão pouco para ter tanto benefício”.

Tecnologia de Ponta

O desenvolvimento da câmera MUX (foto ao lado), destinada aos satélites Cbers-3 e 4, permitiu à Opto Eletrônica, situada em São Carlos (SP), dar um salto técnico sem precedentes. Foi a primeira do gênero produzida inteiramente no Brasil. A conclusão do projeto levou quatro anos e meio e envolveu diretamente 60 técnicos e cientistas, sendo 28 com mestrado ou doutorado. Ao final desse período, a Opto não apenas entregou a câmera com sucesso, como obteve benefícios também em outras áreas da empresa.

O conhecimento adquirido no projeto levou a Opto a competir interna e externamente com a Canon, com a Zeiss e outras grandes concorrentes estrangeiras na área médico-oftálmica, que requer, por exemplo, equipamentos a laser para retina, dentre outros produtos que usam ótica de precisão. Até então, a Opto não conseguia competir por causa de seus custos elevados e não entendia como essas multinacionais podiam praticar preços bem mais baixos.

Programa Espacial Beneficia Outras Áreas

“Descobrimos que nossos concorrentes têm um pé nos programas militares e espaciais. Eles usam a mesma equipe destes projetos também na área médica. Hoje entendemos a importância do programa espacial, e a mesma equipe da MUX acompanha nossos projetos médicos e industriais”, conta o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Opto, Mario Antônio Stefani, engenheiro com doutorado em física.

Vencedora da licitação lançada pelo Inpe em 2004, a empresa enfrentou muitos obstáculos durante o desenvolvimento da câmera. Um deles atrasou o programa em um ano. A Opto comprou um componente eletrônico de uma empresa norte-americana, que apenas na hora de despachar o item para o Brasil soube que estava legalmente impedida de exportar aquele artigo. O item consta na listagem estabelecida pela lei conhecida como Itar (International Traffic in Arms Regulations), que regula o comércio de artigos militares e de defesa. Felizmente, a empresa dos EUA devolveu pelo menos o dinheiro já pago na ocasião.

“Tivemos que buscar alternativas na Ásia, na Europa e encontramos nosso caminho”, afirma o diretor da Opto, empresa que deve desenvolver também a câmera do Amazônia-1. Para produzir as duas MUX (os chineses também estão desenvolvendo outras duas), destinadas ao monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais, a Opto recebeu recursos da Fundação Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

A Finep, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, repassou R$ 19 milhões, a maior parte a fundo perdido, por meio do Programa de Subvenção Econômica, lançado em agosto de 2006, com o objetivo de promover um significativo aumento das atividades de inovação e o incremento da competitividade das empresas e da economia do país.

Assim, é possível ao Estado brasileiro aplicar em empresas recursos públicos não reembolsáveis e compartilhar com elas os custos e riscos inerentes a tais atividades. No caso das câmeras MUX, sem esta política o Brasil teria que comprá-las do exterior. Além do custo, esta opção teria mantido o Brasil tecnologicamente atrasado.

Utilidades dos Programas Espaciais

• Controle do desmatamento
• Previsão de safras
• Previsão do tempo
• Mitigação de desastres naturais, incluindo desertificação
• Mapeamento
• Comunicações comerciais, militares e estratégicas
• Saúde pública (ex.: sistemas de vigilância epidemiológica e de endemias)
• Educação à distância
• Vigilância
• Planejamento e gestão de cidades
• Segurança pública (análises com dados espaciais)
• Zoneamento ecológico e econômico
• Gestão de recursos hídricos e energéticos
• Navegação marítima, aérea e fluvial
• Turismo e negócios
• Experimentos científicos e tecnológicos em ambiente de microgravidade
• Entre outras.

Spin-Offs Brasileiros

Spin-offs são as tecnologias espaciais transferidas para as indústrias. Muitas aplicações vindas do espaço já são bastante conhecidas, como microondas, aparelho celular, TV via satélite, tecido sintético, óculos com proteção UV etc. A seguir, destacamos algumas aplicações tecnológicas menos famosas, desenvolvidas no Brasil.

- PBHL Resina brasileira: Desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), hoje usada também na fabricação de calçados por garantir maior resistência às espumas e maior suporte de peso às palmilhas. Usada ainda nas indústrias da borracha, de espuma, eletroeletrônica e na construção civil. A aplicação em outros setores foi desenvolvida pela Petroflex. PBHL é a abreviatura de polibutadieno líquido hidroxilado.

- Aço 300M Aço de ultra-resistência: Desenvolvido no Brasil pelo IAE em parceria com a Eletrometal, Usiminas e Acesita. Após quatro anos de pesquisas, chegou-se a um aço de menor peso e maior resistência, numa solução internacional inédita. Além do uso em foguetes, é aplicado em trens de pouso de aviões comerciais, como os da norte-americana Boeing, que importa o produto do Brasil.

- Equipamento médico: A Cenic, empresa aeroespacial de São José dos Campos, desenvolveu um novo tipo de anel ilizarov, equipamento médico usado no tratamento de fraturas expostas. Com o aproveitamento de sobras de fibra de carbono destinadas a peças de satélites, o equipamento ficou mais leve e radiotransparente, ou seja, invisível ao raios-X.

- Detectores plásticos: Verificam níveis de radiação. Utilizados em telescópios para estudos de astrofísica, passaram por uma adaptação, podendo identificar níveis de desnutrição do ser humano. A tecnologia foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em parceria com o Inpe.


Fonte: Revista Rumos da ABDE - dezembro de 2009 - via Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: O mais completo artigo descritivo sobre o PEB que eu tenho conhecimento. Tem de tudo, aborda o PNAE, os projetos do VLS-1, Cyclone-4, Satélites CBERS-3 e 4, Amazônia-1, Mirax entre outros, os benefícios gerados à sociedade, como os "spin-offs" e também o mais que conhecido chororô do Ganem. Parabéns a Revista Rumos pelo artigo.

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