Carreira no Exterior


Olá leitor!

Segue abaixo uma reportagem publicada na revista “Espaço Brasileiro” (Out., Nov. e Dez. de 2009) destacando o que leva os profissionais brasileiros a buscar carreira no exterior.

Duda Falcão

Carreira no Exterior

Profissionais graduados no Brasil conquistam
espaço no mercado de trabalho oferecido pelas
agências espaciais de países de primeiro mundo

Raíssa Lopes / CCS

Busca de oportunidades profis­sionais, desafios, melhores salários e falta de mercado no Brasil são apenas alguns dos motivos que levam profis­sionais a deixar o país e ir trabalhar em programas espaciais de outros países. Há, por exemplo, brasileiros na Agência Espacial Americana (Nasa), na Agência Espacial Européia (ESA) e na Agência Espacial Alemã (DLR). No entanto, esses profissionais podem estar fazendo falta ao Programa Espacial Bra­sileiro. Segundo o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, muito vem sendo feito para que essas pessoas sintam-se motivadas a voltar a trabalhar no Brasil.

O matemático e astrofísico Rodrigo Leonardi, cursava pós-doutorado nos Estados Unidos quando soube que a ESA oferecia uma vaga para cientista no setor responsável pelo monitora­mento e coordenação da missão Planck - um satélite científico que observa a radiação remanescente do Big Bang e fornece dados importantes para diversas áreas da cosmologia e astro­física. “Achei que esse trabalho seria uma excelente oportunidade profis­sional e um desafio na minha carreira. Candidatei-me à vaga, fui selecionado e hoje trabalho na ESA”, conta.

Rodrigo diz que sempre acreditou que uma estadia no exterior teria um impacto positivo em sua carreira. “Nos EUA e Europa, tive a oportunidade de colaborar com instituições acadêmicas e governa­mentais, bem como setores da indústria que realizam trabalho de ponta na minha área”, explica. “Dificilmente teria cola­borado com instituições como essas se tivesse optado por permanecer no Brasil”, completa.

Nilton Renno em um Laboratório da NASA

Atualmente, o matemático trabalha com o monitoramento e a coordenação das operações de um satélite. “Tendo em mente que o setor aeroespacial brasi­leiro é avançado e que o país possui um programa espacial, com satélites próprios e investimentos nacionais em pesquisa e tecnologia espacial, um trabalho semelhante poderia ser desen­volvido no Brasil”. No entanto, ele acredita que o orçamento espacial brasileiro ainda é tímido e, por isso, as oportunidades para este tipo de trabalho são limitadas. “Mas, difícil não é sinônimo de impos­sível. Há condições de fazer o que faço aqui na Europa, no Brasil, caso existam recursos e investimentos necessários à atividade espacial”, diz. Apesar de satis­feito na ESA, Rodrigo não descarta um retorno ao Brasil , diante de uma oportu­nidade profissional interessante.

Vaga - Um amigo foi que sugeriu que o meteorologista Arlindo Moraes da Silva se candidatasse a uma vaga em assimi­lação de dados na Nasa. Na época, ele havia terminado o pós-doutorado na Uni­versidade de Princeton, em Nova Jersey (EUA), e trabalhava como professor na Universidade de Wisconsin-Milwaukee. Segundo ele, as oportunidades de trabalho foram mais atrativas fora do país. Atualmente, Arlindo atua no setor de ciências terrestres da Nasa. O me­teorologista comenta que o Centro de Previsões de Tempo e Estudos Cli­máticos (Cptec/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) vem desenvol­vendo um programa de alta qualidade. “Temos mantido uma colaboração muito produtiva com o Cptec nas últimas décadas”, observa

Mulheres - A astrônoma Duilia Fernandes de Mello conheceu pesquisadores da Nasa quando fazia seu pós-doutorado no Space Telescope Science Institut, em Baltimore nos Estados Unidos. Após esta especialização, foi para a Suécia, onde trabalhou como professora assis­tente no Onsala Space Observatory. Em 2003, recebeu convite para trabalhar na Nasa, com projetos que utilizam os telescópios da agência americana, es­pecialmente o Hubble e o Galex.

Além de Duilia, há outras mulheres bra­sileiras trabalhando na Nasa. Gladys Vieira Kober é uma delas. Ela está na agência espacial americana há 10 anos. “Um astrônomo americano precisava de um profissional para analisar dados”, recorda. Rosaly Lopes, Jacqueline Lyra e Rita Johnson completam a equipe de brasileiras, na Agência.

Gladys Vieira Kober Saiu do Brasil para Trabalhar na NASA

Estudos - Ramon Perez de Paula teve trajetória diferente. Aos 17 anos, o pai, servidor da Aeronáutica, foi transfe­rido para Washington. Nos Estados Unidos, Ramon formou-se em engenha­ria elétrica e continuou os estudos até o pós doutorado. Começou na Nasa, há 28 anos, no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, sigla em inglês), localizado no estado da Califórnia. Em 1989, foi trans­ferido para Washington onde trabalhou na área de desenvolvimento de tecnolo­gia e como gerente da missão Phoenix. Atualmente, trabalha na área de desen­volvimento de projetos. É gerente da missão Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e vice-diretor do Laboratório de Ciência de Marte (MSL).

Ramon Perez de Paula em Frente ao Modelo
da Missão MSL que Será Lançada em 2011

“Comecei a minha vida profissional nos Estados Unidos e continuei a carreira aqui por existirem mais oportunidades em opto-eletrônica e comunicações, áreas que escolhi. Outro ponto positivo são os laboratórios”, revela o engenhei­ro. No entanto, Ramon acredita que o trabalho realizado no exterior, de explo­ração planetária, pode ser feito no Brasil por meio de cooperação internacional.

Formação - “Conheço brasileiros que trabalham fora do Brasil. Muitas vezes eles prestam serviços para agências que não são ligadas à atividade espacial do nosso país e são bem reconhecidos por quem os emprega”, diz o presidente da AEB, Carlos Ganem. Ele deseja criar me­canismos para que técnicos do programa espacial sejam motivados a permanecer no país, deixando de perceber como única alternativa a ida para o exterior.

Segundo Ganem, investir na formação e capacitação destes profissionais é o melhor caminho. Enquanto estudantes de graduação, eles devem ser estimu­lados a estagiar no Programa Espacial Brasileiro. Outra sugestão é oferecer bolsas de mestrado e doutorado aos interessados em trabalhar na área. “E, se possível, fazer com que a permanên­cia nos programas de capacitação seja acoplada a uma experiência profissional exercida dentro do país, completa”.

A AEB destina parte de seu orçamento de investimento a bolsas de Desenvol­vimento Tecnológico e Industrial (DTI) para profissionais ligados à atividade de pesquisa e investimento nos dois maiores executores do Programa: o Inpe e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). O presidente garante que o mercado de trabalho para técnicos e especialis­tas em atividades espaciais no Brasil voltará a aquecer em 2010.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 07 - Ano 2 - Out., Nov. e Dez. de 2009 - Págs. 16 e 17

Comentário: Quando leio uma matéria como esta, noto como é precária e irresponsável a gestão pública nesse país. Grandes cérebros do país, formados no país (muitos deles com recursos públicos), saem do país para trabalhar em organismos internacionais por falta de reconhecimento profissional. Profissionais que levam anos para serem formados são catapultados para outros países que os recebem de braços abertos e isto não poderia ser diferente com os profissionais do setor espacial. Fico sem palavras para descrever a gestão administrativa do poder público nesse país. Vocês são abaixo da crítica e só continuam aprontando devido a cultura e a leis absurdas que garantem a permanência da incompetência deslavada em detrimento da competência construtiva. Pobre nação brasileira, aqui se planta aqui se colhe. Fazer o que, né?

Comentários

  1. ATENÇÃO! Todos os leitores deste site e pessoas que tem contato com estes "cobra criadas" da ciência.

    Fala com eles que a NASA esta perdendo tempo por não estar começando a enviar espécie de plantas para Marte. Temos todo tipo de espécie de plantas em nosso planeta que poderiam ser pesquisadas, avaliadas, selecionadas e até modificadas para adaptarem as condições climáticas do Planeta Marte. De uma olhada no texto bíblico de Gênesis 1:11-12 "E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi."

    Pelo que vemos Deus primeiro preparou o Planeta Terra para depois colocar o homem para habitar nela.

    Pode-se seguir esta sequência que vai dar certo, pois precisamos que os vegetais produzam condições satisfatórias para podermos habitar o planeta vermelho com mais segurança. Aqui em nosso Planeta Terra temos vegetais que resistem as condições mais extrema, e algumas delas chegam até mesmo perto das condições extrema de Marte.

    Se você conhece algum destes estudiosos e pesquisadores da NASA dê a eles esta sugestão. Assim estaremos preservando e protegendo nosso Planeta Terra de qualquer futura catástrofe.

    Um abraço para todos e rumo ao sucesso!

    EGS

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  2. Olá www.logomarcanet.com!

    Seu recado está dado amigo.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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