O Ressurgimento dos Foguetes de Sondagem - Artigo


Olá leitor!

Segue abaixo um artigo escrito pelo "Cel. Eng. Francisco Pantoja" e publicado na revista “Espaço Brasileiro” (Out., Nov. e Dez. de 2009) sobre o ressurgimento dos foguetes de sondagem.

Duda Falcão

O Ressurgimento dos Foguetes de Sondagem

Cel. Eng.
Francisco Carlos Melo Pantoja*


Foguetes de sondagem são veículos suborbitais que podem transpor­tar cargas úteis para altitudes superiores à atmosfera, em trajetórias parabólicas, por períodos de até 20 minutos. São constituídos de três partes principais: um módulo propulsor; um módulo de serviço incluindo controle de rotação, telemetria e sistema de recuperação e um módulo de experimentos científicos. Foram emprega­dos muito intensamente na década de 70. Porém, com o surgimento das estações espaciais e dos satélites, os foguetes de sondagem passaram a ser vistos como ferramentas obsoletas.

Afinal, os experimentos relacionados à ciência espacial seriam mais apropriada­mente realizados nas estações espaciais ou nos satélites. Contudo, suas peculiari­dades, aliadas aos avanços dos últimos 20 anos, obtidos nas áreas de tecno­logia de instrumentação, informação e controle mudaram o cenário de forma significativa. Entre as características dos foguetes de sondagem que os distin­guem em relação a outras plataformas espaciais destacam-se:

• Baixo custo de acesso ao espaço. Pelo fato de suas cargas úteis não entrarem em órbita, eles são relativamente simples. Não necessitam de propulsores dispen­diosos nem de telemetria ou cobertura de rastreio estendidas. Isso faz com que os custos das missões sejam substancial­mente menores que aqueles das missões orbitais. Além disso, os programas de foguetes de sondagem são economi­camente vantajosos pela reutilização de cargas úteis já voadas em missões prévias. Em muitos casos, apenas o módulo de experimento é alterado. Os custos também são reduzidos em função da aceitação de um maior grau de risco, em relação às missões orbitais, sem o comprometimento da segurança.

• Pronta resposta. A carga útil de foguetes de sondagem pode ser desenvolvida muito rapidamente quando comparada com outros sistemas, podendo chegar ao mínimo de três meses. Isto permite que os cientistas reajam rapidamente na investi­gação de um fenômeno de oportunidade, como o estudo de um novo meteoro ou cometa. Além disso, os experimentos podem fazer uso das tecnologias mais recentemente disponibilizadas.

• Validação de novos instrumentos. Os programas de sondagem são uma alternativa de baixo custo para testar instrumentos e tecnologias científicas in­suficientemente maduras para voarem em satélites ou estações espaciais, par­ticularmente quando nenhum teste em microgravidade tenha sido conduzido, tornando-os valiosas ferramentas de fomento à inovação espacial.

• Capacidade inigualável para pesquisa científica. Os foguetes de sondagem transportam experimentos em vôos praticamente verticais tanto no sentido ascendente quanto no descendente, enquanto que parecem flutuar na região próxima ao ponto mais alto de sua trajetória, chamado apogeu. Essas carac­terísticas de missão são adequadas para a investigação de fenômenos geofísicos. Eles também são plataformas eficazes para experimentos em microgravida­de, proporcionando oportunidades de pesquisa em uma grande variedade de disciplinas incluindo ciência dos materiais, física dos fluidos, combustão, física funda­mental e biologia. Além disso, há regiões do espaço que são inacessíveis aos balões científicos, que atingem um teto máximo por volta de 40 km de altitude, e aos satélites que operam a partir de 120 km de altitude. Portanto, os foguetes de sondagem são únicos na investigação dessa região do espaço. Adicionalmen­te, os foguetes de sondagem podem ser lançados praticamente de qualquer lugar do planeta, sendo assim a plataforma ideal para o estudo de eclipses, tempes­tades solares, aurora boreal e austral e outros fenômenos localizados.

Falar de ressurgimento dos foguetes de sondagem não é uma expressão exata do que está acontecendo, afinal eles nunca deixaram de ser empregados. O que acontece é que a comunidade cien­tífica e os programas espaciais em todo o mundo estão voltando a valorizar esta imprescindível ferramenta de pesquisa científica e, consequentemente, conside­rável oportunidade de mercado.

* Diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - núm 07 - Ano 2 - Out., Nov. e Dez. de 2009 - Pág. 19

Comentário: Tudo que o competente Cel. Pantoja fala nesse artigo demonstra a importância do “Programa de Microgravidade” para o país e o quanto o descaso com o mesmo tem sido prejudicial para a comunidade científica brasileira. Infelizmente apesar de termos bons foguetes de sondagens como o VSB-30, Sonda III, VS-40 e o VS-30, infelizmente esse programa vem sendo nos últimos anos profundamente prejudicado em prol do Programa de Microgravidade Europeu (PEM), algo que na opinião do blog é inadmissível.

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