Artigo de Roberto Amaral: Comentários

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante nota postada hoje (14/03) no blog “Panorama Espacial” do jornalista André Mikeski, onde o mesmo faz uma pequena analise sobre o artigo “Programa Espacial Brasileiro: Impasses e Alternativas”, escrito pelo diretor-geral da mal engenhada empresa bi-nacional Alcântara Cyclone Space (ACS) e divulgado aqui no blog anteriormente.

Duda Falcão

Artigo de Roberto Amaral: Comentários

André M. Mileski
14/03/2011

Alguns comentários do blog Panorama Espacial sobre o artigo "Programa Espacial Brasileiro: impasses e alternativas", de Roberto Amaral, diretor-geral da Alcântara Cyclone Space (ACS) e ex-ministro de Ciência e Tecnologia:

Curiosa a posição de Amaral em defender a Ucrânia e o Canadá como os parceiros ideais para o Brasil em matéria espacial. A Ucrânia é defendida, por razões óbvias, afinal, é parceria no projeto da ACS. Surpreendente seria se Amaral defendesse outra alternativa em se tratando de lançadores. Mas, em seu artigo, o dirigente brasileiro ignorou alguns elementos-chave na parceria com a Ucrânia, como o fato do acordo não envolver transferência de tecnologia (ou mesmo desenvolvimento tecnológico local, como acontece com o programa CBERS, projeto que critica), e também a crescente dependência ucraniana da Rússia e mesmo de outros países no campo espacial. Até onde se sabe, o sistema inercial e outros componentes críticos do Cyclone 4 são fabricados na Rússia, o que teria exigido, inclusive, a assinatura de um acordo de proteção tecnológica (algo similar a um acordo de salvaguardar tecnológicas) em junho de 2009 entre Kiev e Moscou (veja aqui).

Sobre a defesa do Canadá como parceiro ideal do Brasil em satélites, o blog especula que existe aí certa influência dos ares ucranianos. Isto por que a Ucrânia possui um acordo com o Canadá para a construção de um satélite de comunicações. Inclusive, tempos atrás circularam rumores de que ucranianos e canadenses, em conjunto, aproveitando-se da relação já estabelecida da Ucrânia com o Brasil, estariam tentando um acordo para a venda de um satélite de comunicações (SGB) para o governo brasileiro. Ainda, Amaral também ignora alguns pontos sobre o programa e a indústria espacial do Canadá. Em 2008, por muito pouco, a MDA, principal indústria espacial canadense, não foi comprada pela norte-americana ATK (veja aqui). A ATK, a propósito, que por mero acaso manteve (ainda mantém?) contatos com os ucranianos para a construção conjunta de um sítio de lançamentos do Cyclone 4 nos EUA (leia mais aqui).

A venda da MDA para os americanos só não avançou em razão de veto do governo canadense. Ainda assim, a empresa tem forte dependência dos EUA, tanto como fornecedor de tecnologia e componentes como por ser um grande cliente.

Para alguns integrantes da comunidade espacial brasileira, algo que chamou positivamente a atenção no artigo foi sua posição sobre o modelo institucional para o Programa Espacial Brasileiro (PEB), que não seria o mais adequado para o seu desenvolvimento. O ex-ministro da Ciência e Tecnologia cita a existência de vários órgãos (AEB, INPE, ACS e IAE/DCTA) e a falta de uma agência central [nota do blog: em teoria, esta tarefa deveria ser exercida pela AEB, mas o arranjo atual não permite isto]. A opinião de Roberto Amaral, aliás, está muito alinhada com a visão para o PEB divulgada pela Associação Aeroespacial Brasileira (AAB), em dezembro de 2010.


Fonte: Blog “Panorama Espacial“ - André Mileski

Comentários

  1. Francamente não entendo porque a FAB ou AEB não publicam um artigo mostrando as contradições das declarações do Sr. Roberto Amaral, principalmente no que se refere ao planejamento da Base de Alcantara, e do VLS. Fica parecendo que só a empresa ACS é alternativa ao espaço por parte do Brasil.
    Fernando Molina

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  2. Olá Fernando!

    É muito simples amigo, se não vejamos: Tanto a FAB e a AEB (pós Raupp) estão impossibilitados de fazerem publicamente isso por estarem subordinados ao governo. Já o governo jamais permitiria, já que a ACS é fruto de uma decisão política que está sob o comando de um dos homens fortes do PSB, um dos mais influente partido da base governista do governo no Congresso. É por isso que não acredito que haja qualquer mudança nessa empresa e muito menos na queda do senhor Roberto Amaral, como foi comentado em algumas oportunidades. Em outras palavras, vai continuar tudo como antes no quartel de Abrantes.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  3. É, mandei recentemente uma nota no Site da Presidencia da Republica (fale conosco) pedindo explicações sobre o Programa Espacial Brasielrio diretamente a Presidente Dilma. Respondeu-me um dos auxiliares da presidente(não informou nada), mandei outro e ate agora não recebi resposta(vou cobrar). Lembrei que o Lula havia prometido um lançamento de foguete(por acasião da morte dos técnicos na explosão dsa plataforma) antes do termino do seu mandato. Não lançou nada. Realmente muito pouco foi feito e essa ACS ainda vai atrazar mais o Programa do VLS.
    Infelizmente so podemos cobrar, e é o que vou continuar fazendo.
    Abraços
    Fernando Molina

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