Sistemas de Controle, CCDs e Etc.

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (27/02) no blog “Panorama Espacial” do jornalista André Mikeski, onde o mesmo faz um interessante analise sobre os sistemas inerciais de controle e os detectores CCD (Charge-Coupled device / dispositivo de carga acoplada), sistema e dispositivo necessários para foguetes e satélites.

Duda Falcão

Sistemas de Controle, CCDs e Etc.

André M. Mileski
27/02/2011

Em 28 de fevereiro, será inaugurado no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), o Laboratório de Identificação, Navegação, Controle e Simulação, construído com recursos da FINEP para apoiar atividades de desenvolvimento de sistemas de navegação e controle de satélites e veículos lançadores.

Na última sexta-feira (25), uma reportagem ("Laboratório reduz gargalo espacial") de Virgínia Silveira com informações detalhadas sobre as finalidades do laboratório e projetos do Brasil no campo de sistemas de controle aeroespacial foi publicada no jornal "Valor Econômico".

Sistemas inerciais e de controle, aliás, sempre foram o calcanhar de aquiles de muitos projetos espaciais, particularmente em veículos lançadores. Por ser um item de uso dual (tanto para lançadores espaciais como mísseis balísticos), sua comercialização é muito controlada. Em julho de 2008, publicamos um pequeno artigo no blog sobre a história do desenvolvimento local e posterior compra de sistemas inerciais russos para o VLS (veja em "Sistemas Inerciais: o calcanhar-de-aquiles do VLS").

Além de sistemas de controle, existem vários itens sensíveis para o desenvolvimento autônomo de tecnologia espacial. Um exemplo crítico são os detectores CCD (Charge-Coupled device / dispositivo de carga acoplada) para câmeras óticas espaciais, que não são fabricados localmente e precisam ser importados. Para câmeras de resolução mais apurada (a partir de 5 metros), a aquisição no exterior é ainda mais difícil. Os EUA, por exemplo, costumam restringir a venda em razão de sua legislação interna (ITAR).

Alguns movimentos de consolidação entre as empresas fornecedoras de CCDs têm tornado mais difícil a compra desses componentes. A companhia inglesa E2V adquiriu várias fabricantes na Europa, como a unidade da Atmel em Grenoble, na França, em 2006, fornecedora, aliás, dos CCDs das câmeras MUX e WFI dos CBERS 3 e 4. Mais recentemente, em janeiro deste ano, o grupo britânico BAE Systems adquiriu o controle da Fairchild Imaging, fabricante norte-americana de CCDs e de outros componentes óticos.

Há algumas alternativas para as dificuldades em compra de itens críticos. Uma delas é o chamado "up-screening" que, grosso modo, consiste em utilizar técnicas de seleção de componentes eletrônicos para aproveitar componentes de uma categoria inferior, disponíveis comercialmente, por exemplo, em uma aplicação que demandaria outras de categoria superior.

Os exemplos dos sistemas inerciais e dos CCDs mostram que, se o objetivo é buscar independência e autonomia (caso do Programa Espacial Brasileiro), não basta apenas pensar nas plataformas (lançadores e satélites), mas também nos subsistemas e componentes críticos.


Fonte: Blog “Panorama Espacial“ - André Mileski

Comentário: O companheiro Mileski esta corretíssimo com a sua análise. Ter alcançando o desenvolvimento da plataforma inercial no Brasil é realmente um grande avanço e a criação de um laboratório especializado nesse tema uma grande vitória, como também a proximidade da conquista do desenvolvimento do “Subsistema para Controle de Atitude e Gerenciamento de Dados (ACDH)", tecnologia que está sendo adquirida junto a INVAP argentina. Entretanto, os CCDs e outros subsistemas e componentes críticos precisam rapidamente está à disposição do Brasil sem restrições e, portanto o governo precisa investir em seus desenvolvimentos no Brasil, isso é verdadeiramente estratégico e já deveria ter sido feito há muito tempo.

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