PEB: Os Primeiros Passos de uma Longa Jornada

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo publicado na edição histórica de janeiro de 2011 da revista “AEROVISÃO” da Força Aérea Brasileira (FAB) destacando os primeiros passos do “Programa Espacial Brasileiro”.

Duda Falcão

Programa Espacial: Os Primeiros Passos
de uma Longa Jornada para o Amanhã

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI)
foi o primeiro criado no país

Com a criação do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), nos anos 50, começou no país um novo pensamento para o desenvolvimento dos programas aeroespaciais.

Definitivamente, o Brasil passou a chamar a atenção do mundo. Em 1960, o presidente Jânio Quadros criou uma comissão para dar os primeiros passos para a elaboração de um programa nacional de exploração espacial. O resultado foi a formação, em agosto do ano seguinte, do Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE), com sede em São José dos Campos, subordinado ao Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), com o propósito de sugerir a política e o programa de envolvimento do Brasil em pesquisas espaciais.

O GOCNAE instalou-se no CTA e iniciou suas atividades com equipamentos cedidos pela Agência Espacial Americana (NASA) e pesquisadores militares e civis do Ministério da Aeronáutica. Com este grupo, o Brasil participou de pesquisas internacionais nas áreas de astronomia, geodésica, geomagnetismo e meteorologia. A comissão, conforme conta o Brigadeiro-do-Ar Hugo de Oliveira Piva, contou com a participação de franceses e, principalmente, de americanos. “Tivemos muito ajuda da NASA. Eles já traziam tudo pronto”, lembra o Brigadeiro, ressaltando, ainda, que “naquela época existia uma pressão dos países desenvolvidos para que o Programa Espacial Brasileiro não evoluísse ao ponto de desenvolver sua própria tecnologia”, completa.

Personalidade marcante do Programa Espacial Brasileiro e conhecido como o “Von Braun brasileiro” – cientista alemão tido como o pai do foguete Saturno 5, que levou os astronautas americanos à Lua, o Brigadeiro Piva recebeu o título summa cum laude, pelo ITA, dado ao aluno que durante todo o curso e em todas as disciplinas tenha recebido média igual ou superior a 9.5, numa escala de 0 a 10.

Foi então, com a ambição de não apenas se envolver em pesquisas internacionais, mas também de desenvolver sua própria tecnologia espacial, que surge no Brasil em 1964 o Grupo de Trabalho e de Estudos de Projetos Espaciais (GETEPE), que também se instalou no CTA e tinha como principal foco os campos de lançamentos. Os engenheiros do programa espacial sabiam que tinham uma longa caminhada pela frente, mas estavam envolvidos no empreendedorismo que reinava na época. Os primeiros “foguetes” foram apelidados de “busca-pé”.

Em dezembro de 1965 ocorreu o primeiro lançamento em solo brasileiro. Era um foguete de sondagem de fabricação norte-americana – o Nike Apache. Em 1966, começou o Projeto EXAMENT para estudos da atmosfera em altitudes de 30 a 60 km.

No final da década, o GETEPE foi desativado e deu origem ao Instituto de Atividades Espaciais (IAE), no CTA. O Instituto ficaria responsável pelos projetos de pesquisa e desenvolvimento de foguetes, cabendo ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) a parte operacional de lançamento de vários foguetes estrangeiros, e os nacionais SONDA I, II, III e IV. Desde então, com a criação do CLBI, já foram realizados quase três mil lançamentos de foguetes para organismos nacionais e estrangeiros, assim como a unidade participou de quase 200 rastreios da família européia de foguetes Ariane, lançados de Kourou, na Guiana Francesa.

Apesar de o Brasil não ter conseguido o efetivo lançamento operacional de foguete na década de 60, o SONDA I foi à grande escola do Programa Espacial Brasileiro, no qual houve os primeiros passos.

Monitoramento do foguete Sonda I pelo
Centro de Lançamento da Barreira do Inferno


Fonte: Revista Aerovisão da FAB - Edição Histórica - núm 229 - Jan de 2011 - Págs. 20 e 21


Comentário: O programa espacial do país é fruto da visão, iniciativa e da engenhosidade de pioneiros como o Brigadeiro Hugo de Oliveira Piva, o Engenheiro Aeronáutico Jaime Alex Boscov, entre outros. Após 50 anos de existência devido a governos inrresponsáveis que pouco ou nada apoiaram o programa, estamos atrasados em relação a países que começaram depois do Brasil. Para que você leitor possa ter uma idéia do descaso, no dia 13/02 o ministro "Aloizio Mercadante" participou do programa "Canal Livre" da Rede Bandeirantes e em pouco mais de 57 minutos de duração do programa, em momento algum ele citou o PEB. O Programa Espacial Brasileiro não pode continuar sob a responsabilidade da Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). A AEB precisa de autonomia e de status de ministério, só assim poderá ter mais recursos e a força política para realmente atuar como uma agência espacial de verdade.

Comentários

  1. Interessante resumo histórico do PEB. Foi, como possível, objetivo. Quero destacar as fotos ilustrativas da época. Aprecio sobremaneira ilustração de período.

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  2. Realmente amigo Antônio, foi muito objetivo e preciso o relato. Quanto as fotos, são magníficas.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  3. Aproveitando o embalo, gostaria de sugerir uma matéria histórica dos diversos estágios do PEB. Podem ser reportagens divididas e intercaladas com as mais atuais, como sobre 1) a formação da Comissão criada por Jânio Quadros (Não sabia até ler acima que ele a havia proposto já em 1960. Tinha o Jânio); 2) os primeiros lançamentos norte-americanos na Barreira do Inferno; 3) o desenvolvimento da família Sonda (sou muito curioso sobre esse estágio inicial o Sonda I, em particular! E havendo ilustrações!...) e os avanços metalúrgicos (como a soldagem sem costuras [?]) e técnicos. 3) O que aconteceu na déc de 1970 e 80 etc...

    Ressalto que sou preferentemente curioso sobre os estágios iniciais do Programa na década de 1960. Uma década de verdadeiras transformações.

    Daria um livro épico do nosso programa ainda não escrito, não, camarada Falcão?! Esta seria, à seu tempo, uma outra sugestão...

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  4. Olá Antônio!

    A sua sugestão é muito boa, mas acredito que a revista "Aerovisão" irá fazer uma reportagem com cada fase do PEB. Entretanto, se você quer saber mais sobre os bastidores, sugiro que compre o livro "Política Espacial Brasileira" do escritor Edmilson Costa Filho - Editora Revan. Esse livro conta essa história nos mínimos detalhes, tá ok?

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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