Satélite de Comunicações Será Comprado no Exterior

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada hoje (26/09) no jornal “VALOR ECONÕMICO” destacando que o Brasil comprará o satélite SGB no exterior.

Duda Falcão

Satélite para Comunicação
Será Comprado no Exterior

Por Virgínia Silveira
De Curitiba e São José dos Campos
De São Paulo
Valor Econômico – 26/09/2011

A Telebrás, assessorada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), vai planejar a construção e encomendar o Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) no mercado internacional. A decisão pela aquisição no exterior foi tomada porque o país não terá tempo hábil para fazer o satélite até 2014, informou ao Valor o ministro Celso Amorim. Além desta decisão, outra mudança nos planos do governo é usar este primeiro satélite para comunicação governamental e internet, deixando meteorologia para um segundo satélite, que poderia, este sim, ser construído no Brasil.

Segundo o ministro Amorim, 2014 é o prazo que o país tem para ocupar a reserva feita para duas posições orbitais que tem direito no espaço, para aplicações na área de defesa, de acordo com as regras definidas pela União Internacional de Telecomunicações (UIT).

A viabilização de um satélite geoestacionário brasileiro até 2014, voltado para comunicações estratégicas de governo e das Forças Armadas, segundo Amorim, atende a uma decisão da própria presidente Dilma Rousseff, favorável ao projeto. O satélite, que terá ainda uma banda especial KA, para internet em banda larga, já foi incluído no PPA de 2012-2015, com uma previsão de investimentos da ordem de R$ 716 milhões.

Embora seja comprado de empresas estrangeiras, segundo o ministro, haverá exigência de transferência de tecnologia (acordos de offset) e uma empresa nacional ficará responsável pela parte industrial do projeto e a contratação de fornecedores. Ainda não foi definida qual empresa, mas a Embraer e sua parceira Atech afirmaram que têm muito interesse nesse projeto.

O presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, disse que a Embraer, assim como a Atech (que tem 50% de suas ações controladas pela Embraer), têm capacidade de não apenas fazer a parte de integração dos sistemas do satélite, mas também a gestão da cadeia de suprimentos e de logística de todo o projeto", disse.

O projeto do SGB também deve atrair o interesse de empresas estrangeiras do segmento espacial e com atuação no Brasil, como é o caso da francesa Thales e da Astrium, do consórcio europeu EADS. Procuradas, a Thales não concedeu entrevista e a Astrium confirmou, em nota, o interesse.

"Em relação a este satélite não podemos ter uma visão puramente de preço porque, às vezes, o barato pode sair caro. Temos que pensar em uma solução que deixará o país mais independente a médio e longo prazo", disse Amorim. O Brasil, na opinião do ministro, não pode continuar com a vulnerabilidade de ter todas as suas comunicações civis e militares num satélite estrangeiro alugado. Hoje o país aluga satélites de telecomunicações do México e da Espanha.

Uma fonte do setor espacial, envolvida nas discussões sobre o projeto, informou que após o lançamento do primeiro satélite, uma das alternativas analisadas é a de se fazer um conjunto de satélites de comunicações menores, que poderiam ser lançados pelo foguete Cyclone 4, da joint-venture ACS (Alcântara Cyclone Space), que pertence ao Brasil e à Ucrânia.

Os primeiros satélites, segundo esta fonte, não terão transponders para meteorologia e controle de tráfego aéreo, outras duas reivindicações do setor espacial e de defesa. Na área de meteorologia, segundo o climatologista Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, o Brasil utiliza hoje o satélite norte-americano Goes e o europeu Meteosat.

"É fundamental que o país também tenha um satélite meteorológico próprio, para que ele possa ter autonomia nessa aérea e também maior capacidade para monitorar os sistemas de tempo com alta freqüência temporal", diz ele, que defende que o primeiro satélite já seja usado para monitorar o clima. A dependência dos satélites estrangeiros, diz, já prejudicou o país em várias ocasiões. O satélite Goes, diz ele, manda imagens a cada 15 minutos para o Brasil. "Em época de furacões no Caribe, comumente viram as câmaras para lá e só mandam imagens para o Brasil a cada três horas. Nesses casos, a nossa capacidade de monitorar situações de desastres naturais fica muito prejudicada", afirmou.

O projeto do satélite, segundo p ministro da Defesa, Celso Amorim, envolve também os ministérios das Comunicações e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).


Fonte: Jornal “Valor Econômico” - http://www.valor.com.br

Comentário: Vamos procurar analisar por partes essa competente matéria da bela jornalista Virgínia Silveira. Como já havíamos antecipado, esse satélite não teria como ser desenvolvido no Brasil dentre do prazo estabelecido de 2014 e mesmo sendo desenvolvido no exterior, dificilmente esse prazo será cumprido. Se não vejamos: Para que o satélite esteja pronto para lançamento em 2014, seria necessário que o orçamento do projeto fosse aprovado em tempo, que o cronograma de liberação de verbas seguisse rigorosamente os prazos preestabelecidos, que existisse um regime especial para o setor na lei de licitações (para que assim não houvesse atrasos), que não houvesse dificuldade de desenvolvimento (coisa comum no setor por diversas razões) e que existisse vontade e principalmente comprometimento político não só do poder executivo (Presidência da República), como do Congresso. Vamos falar sério, isso nunca ocorreu em 50 anos de programa espacial e muito dificilmente isso ocorrerá agora. Em outras palavras, caso realmente o satélite seja lançado em 2014 como previsto (cumprindo assim o prazo final estabelecido pela União Internacional de Telecomunicações) ficará demonstrado claramente que o grande empecilho para o Programa Espacial Brasileiro é o próprio governo. Agora. Quanto à viabilização da utilização do Cyclone-4 criando satélites que possam ser lançados desse trambolho tóxico ucraniano, já havíamos também adiantado. Afinal, como temos dito, devido a sua baixa capacidade de carga para o setor que pretende atuar, só restará mesmo os satélites brasileiros adaptados e talvez alguns ucranianos para serem lançados por esse foguete, principalmente pela falta de um acordo de salvaguardas tecnológicas entre o Brasil e os EUA assinado e aprovado pelos congressos dois países, já que grande parte das cargas uteis comerciais (que por acaso possam ser lançadas desse foguete) são de origem americana ou contam com equipamentos americanos abordo. Você acha que os ucranianos não sabiam disso? Em resumo, não é por acaso que taxamos o senhor Roberto Amaral de um completo incompetente e irresponsável, mas que só fez juz ao seu histórico político desastroso. Pior mesmo foi quem apoiou todo esse processo, no caso um famoso humorista.

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