Dilma: Lançador Brasileiro em 2015

Olá leitor!

Segue abaixo um interessante artigo escrito pelo jornalista Salvador Nogueira e postado ontem (19/10) no seu blog “Mensageiro Sideral” do site do Jornal Folha de São Paulo, tendo como destaque a resposta do Comitê de Campanha da Dilma em relação aos questionamentos feitos por este jornalista à candidata petista sobre o Programa Espacial Brasileiro.

Duda Falcão

Dilma: Lançador Brasileiro em 2015

POR SALVADOR NOGUEIRA
19/10/14 - 14:36

Cinco dias após o prazo originalmente estabelecido, a presidente Dilma Rousseff aceitou o desafio e respondeu, por meio de seu comitê de campanha, às perguntas do Mensageiro Sideral sobre o futuro do programa espacial e da astronomia brasileira num potencial segundo mandato. Caso seja eleita, a candidata promete um lançamento do VLS, o Veículo Lançador de Satélites, ainda que numa versão apenas parcialmente funcional, para 2015. Já o primeiro lançamento de satélite feito por veículo brasileiro deve recair sobre um derivado do VLS, o VLM (Veículo Lançador de Microssatélites), com voo inaugural previsto para 2017.

Segunda tentativa de lançamento do VLS-1
(Veículo Lançador de Satélites), feita em 1999.

Dilma também declarou apoio à adesão do Brasil ao ESO (Observatório Europeu do Sul), embora destaque o objetivo de reduzir o custo do acordo, assinado em 2010 e que até agora não concluiu sua tramitação no Congresso.

O Mensageiro Sideral enviou as mesmas perguntas ao comitê do candidato Aécio Neves, que respondeu apenas o seguinte: “No momento, não temos como responder as suas perguntas. Envio abaixo o nosso posicionamento do nosso programa de governo. O programa de governo do candidato à Presidência pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, prevê que o setor aeroespacial será priorizado, depois de ter sido sucateado pelo governo do PT. Os pilares desse fortalecimento passam pela inovação tecnológica conjugada e pela transferência efetiva de tecnologia.”

Caso o comitê do candidato do PSDB encontre tempo para responder às perguntas nos próximos dias, o Mensageiro Sideral publicará com prazer, na esperança de contribuir com o debate programático nesta reta final de campanha, até agora tão carente de ideias, propostas e compromissos para o futuro do Brasil.

Abaixo, as respostas do comitê de Dilma Rousseff, na íntegra:

Mensageiro Sideral: O programa espacial brasileiro se encontra bastante moroso no segmento de veículos lançadores desde o acidente com o VLS-1, em 2003. Caso seja eleita(o), quais são suas ambições para esse setor?

RESPOSTA: Desde 2003, muitos avanços foram efetivamente conquistados no âmbito do projeto que visa dotar o Brasil de autonomia no acesso ao espaço. Além da completa revisão do projeto do VLS, diversas partes e subsistemas foram aprimorados e uma nova torre de lançamentos foi construída e hoje está pronta para executar lançamentos no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Além disso, o Brasil conseguiu desenvolver e dominar a tecnologia dos sistemas de navegação de foguetes e diversos itens da infraestrutura do CLA e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado em Natal (RN), foram reformados e modernizados. Os resultados desses investimentos devem começar a produzir seus frutos a partir de 2015, quando ocorrerá o lançamento do protótipo denominado VSISNAV, que será o primeiro lançamento do VLS desde 2003.

Além dos investimentos diretamente relacionados ao VLS, o Brasil iniciou, em parceria com a Alemanha, o desenvolvimento de um novo veículo, denominado VLM, destinado ao lançamento de microssatélites. O VLM deverá ter seu primeiro lançamento em 2017. Também será mantido o importante programa de lançamento de foguetes suborbitais destinado a manter as operacionalidades dos nossos centros de lançamento e a atender a demandas por pesquisas em microgravidade no Brasil e na Europa. O objetivo do próximo governo é completar e lançar o próximo protótipo do VLS, desenvolver e lançar o VLM e colocar essas tecnologias para atender às necessidades do Programa Espacial Brasileiro e de nações parceiras.

Mensageiro Sideral: Os investimentos no programa espacial têm aumentado de forma significativa na última década, mas não se traduzem em grandes avanços palpáveis. O que está dificultando os progressos?

RESPOSTA: O ciclo de desenvolvimento de sistemas espaciais é reconhecidamente de longo prazo e, portanto, os investimentos efetuados não geram resultados imediatos. Mas, seguramente, os resultados serão perceptíveis gradualmente a médio e longo prazo. Basta verificar que o Programa Espacial Brasileiro investe em várias frentes distintas e complementares, tais como na infraestrutura de unidades de pesquisa e centros de lançamento; no desenvolvimento de satélites e suas aplicações; em lançadores; em educação, e no desenvolvimento de tecnologias críticas. Em todas essas frentes, temos obtido resultados importantes e sucessivos em decorrência dos investimentos realizados.

Há ainda a expectativa de crescimento nos investimentos, pelas novas iniciativas dos Ministérios da Defesa e Comunicações, que se unem aos programas do MCTI, compondo um cenário mais amplo e promissor de investimentos no Programa Espacial Brasileiro, com benefícios diretos para nossa base industrial, como a meta já alcançada da criação de uma empresa integradora, capaz de organizar a cadeia produtiva desse setor.

Mensageiro Sideral: Quais serão as prioridades do Brasil em seu programa espacial para os próximos quatro anos, caso seja eleita(o)?

RESPOSTA: Prosseguir na implementação do Programa Nacional de Atividades Espaciais para o período de 2012 a 2021, nas várias vertentes ali contempladas. Dentre os resultados esperados, podemos citar o lançamento do satélite CBERS-4, a ser realizado em dezembro deste ano, em parceria com a China, assim como a continuidade na cooperação espacial com aquela nação parceira. Também está previsto o lançamento do satélite de sensoriamento remoto Amazônia-1, em 2016, e o desenvolvimento de um par de satélites oceanográficos em parceria com a Argentina, denominados SABIA-Mar, com lançamentos previstos para 2017 e 2018. Para atender aas outras demandas hidrometeorológicas, está em desenvolvimento um novo sistemade satélites denominado SCD-Hidro, que dará continuidade ao Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SCD), implantado nos primórdios do Programa Espacial Brasileiro. Na vertente de lançadores, serão mantidos os investimentos no VLS e VLM, e na infraestrutura a eles associada, como já exposto anteriormente na primeira pergunta.

Neste período, serão iniciados os desenvolvimentos de novos sistemas de observação da terra baseados em radar e também um novo sistema geometeorológico – todos voltados para atender às demandas ambientais brasileiras. Como forma de ampliar os benefícios das atividades espaciais, serão mantidos e ampliados os investimentos em suas aplicações, como o de acompanhamento e alertas de desmatamento na região amazônica e outros biomas. Também será implantado o programa de transferência de tecnologia associado à aquisição do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e mantida a orientação que busca consolidar a base industrial do setor espacial. Na vertente da educação e do desenvolvimento de tecnologias críticas, importante citar a existência do programa Ciência sem Fronteiras Espacial, assim como os programas de desenvolvimento tecnológico financiados pela Agência Espacial Brasileira (Uniespaço e Microgravidade) e pela FINEP em parceria com o BNDES (Inova Aerodefesa), iniciativas que serão mantidas e ampliadas no futuro.

Mensageiro Sideral: Em 2010, o MCTI assinou um acordo com o ESO para a entrada do Brasil na renomada organização europeia de astronomia. Desde então, o texto tramita no Congresso, sem ser concluído. Sua aprovação terá prioridade caso seja eleita(o)?

RESPOSTA: A adesão do Brasil ao ESO é uma grande expectativa dos astrônomos brasileiros e recebe todo o nosso apoio. O grande esforço que temos feito neste momento está na revisão dos recursos envolvidos para esta adesão. O MCTI tem insistido com a Administração do ESO uma redução tanto da taxa de entrada como da contribuição anual a ser paga pelo Brasil.


Fonte: Blog “Mensageiro Sideral” do site do Jornal Folha de São Paulo

Comentário: Bom leitor, está ai para o debate.

Comentários

  1. certamente, não foi ela que respondeu nenhuma dessas perguntas.....

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  2. Isso parece aqueles debates que passam na TV (segundo soube, pois não assisto).

    Nem as respostas prestam, e nem as perguntas são feitas sobre o que realmente interessa.

    Tanto na política em geral, como na saúde, na educação e claro, no programa espacial, o grande problema do país são as estruturas administrativas e leis que aí se encontram e que comprovadamente não funcionam.

    O que o país precisa, depois desse período pós ditadura, cheio de experimentos, boa parte deles, no meu ponto de vista mal sucedidos, é reformular tudo. Precisa de leis e uma estrutura administrativa (incluindo aí os ministérios), que mude o panorama atual. Que impeça os descalabros da corrupção, que mantenha os três poderes como poderes realmente independentes entre si e representando os interesses do povo, e muitos etc. etc. e etc.

    Enquanto alguém falar que vai fazer isso ou aquilo no programa espacial, com essa estrutura (se é que se pode chamar essa bagunça de estrutura), eu simplesmente não acredito em absolutamente nada. E por um motivo muito simples: mesmo que houvessem boas intenções (coisa que eu duvido), essa estrutura administrativa e de legislação sob a qual o nosso "programa espacial" está atrelado, impede qualquer possibilidade de bons resultados.

    Infelizmente, é isso.

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  3. Ao menos o comitê da Dilma teve o trabalho de enviar uma resposta mais completa do que a do comitê de Aécio. Entretanto, sabemos que nenhum dos dois governos está comprometido em alavancar o setor de pesquisa espacial no Brasil. O jeito é aguardar os novos episódios e cobrar, pelo menos, que o próximo presidente siga o PNAE.

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  4. Marcos tem razão. Não adianta colocar dinheiro em uma estrutura que não funciona. E não adianta vir com a desculpa de que não funciona porque não tem recursos. A estrutura do PEB é exdrúxula e com a legislação do funcionalismo público, seus protagonistas estão bastante satisfeitos com os resultados pífios. Um governo sério, que queira ter um programa espacial de verdade, deverá reformulá-lo completamente. Não é o caso do governo Dilma.

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  5. Cobrar? Mas se nem quem já está dentro do sistema (provavelmente exatamente por isso), que está participando do PEB cobra...

    Insisto que se não mudarem as estruturas de uma forma radical, não existe a menor chance de algo de bom sair daí. O pessoal todo já se "acostumou" com o esquema. Tá todo mundo acomodado.

    Continuar acreditando, é continuar jogando o nosso dinheiro de impostos no lixo, ou no bolso de mais alguns corruptos com números e cores um pouco diferentes.

    É triste, mas é a nossa realidade. Basta ver os "personagens" que se reelegeram e os novos que se juntaram ao circo.

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  6. O estranho é a resposta do comitê não citar o acordo com a Ucrânia (tão criticado aqui), que já demandou altos recursos. O que aconteceu?

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