O Que Podemos Esperar Ainda do PEB em 2014?

Olá leitor!

Estamos nos aproximando do final de mais um ano onde mais uma vez as expectativas e as previsões relacionadas com o Programa Espacial Brasileiro (PEB) não se concretizaram como se esperava.

Vale lembrar que segundo a nossa pífia Agência Espacial para este ano ainda estão previstos os lançamentos do Satélite CBERS-4 da cooperação espacial com a China (em 07/12) e dos nanossatélites AESP-14 e SERPENS, além do picosatélite Tancredo-1 dos jovens estudantes de Ubatuba (SP), previsões estas que sinceramente o BLOG BRAZILIAN SPACE não acredita que ocorram, principalmente em relação ao lançamento do CBERS-4.

Entretanto leitor ainda existe a possibilidade (mesmo pequena) de que o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) venha realizar até o final do ano a tão esperada missão do "SARA Suborbital I", missão esta aliás que diferentemente do que estava programado inicialmente, deverá levar já em seu primeiro voo suborbital três importantes experimentos tecnológicos: São eles:

* Sistema GPS – Sistema desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que terá como função principal determinar, em tempo real, as coordenadas de localização (latitude, longitude e altitude) do SARA;

* Plataforma MEMS – Plataforma desenvolvida pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) com componentes microeletromecânicos comerciais com a finalidade de estimar a atitude do SARA durante o voo; e

* Plataforma MARINS – Plataforma esta desenvolvida no âmbito do Projeto SIA (Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial) a MARINS é uma plataforma inercial com aplicação em sistemas de defesa.

Vale dizer também leitor que o lançamento do “SARA Suborbital I” é apenas o primeiro voo de quatro programados (dois suborbitais e dois orbitais), e que os objetivos deste primeiro voo são os seguintes:

* Desenvolvimento de estruturas em material composto;

* Desenvolvimento do Banco de Controle;

* Qualificação da Rede Elétrica do Veículo;

* Levantamento dos dados aerodinâmicos, térmicos e operacionais durante as fases de voo ascendente e descendente;

* Caracterização do ambiente de microgravidade;

* Realização de experimentos em ambiente de microgravidade;

* Desenvolvimento de materiais resistentes à reentrada atmosférica;

* Testes de soluções tecnológicas para o veículo orbital;

* Qualificação do subsistema de recuperação; e

* Análise da capacidade de reutilização do sistema.

Em resumo leitor o PROJETO SARA é de suma importância para o futuro do PEB por se tratar de um projeto multidisciplinar que envolve diversas áreas e entre elas a de dinâmica de voo, guiamento e controle, cálculo termoestrutural, materiais resistentes a altas temperaturas, aerotermodinâmica, propulsão e física de plasma.

Pois é leitor, e quando o IAE se aproxima de finalmente realizar o primeiro voo tecnológico desse projeto, esse feito não será observado pelo seu idealizador (o saudoso pesquisador Paulo Moraes Jr.), que infelizmente nos deixou precocemente em julho deste ano.

Bom leitor, vale dizer também que devido aos exitosos lançamentos do NanosatC-Br1 e do EPL/L5, o ano de 2014 já é desde 2007 (quando do lançamento do satélite CBERS-2B) um dos mais ativos, podendo se tornar um ano marcante se realmente as previsões de nossa Agência Espacial de Brinquedo (AEB) se concretizarem ao lado do tão esperado voo do “SARA Suborbital I”.

É pouco para você leitor? Na verdade para um país com o poder econômico que temos e de grande importância política no cenário internacional esses resultados não são só pífios, mas também vergonhosos e um tremendo erro estratégico. No entanto é preciso entender que com a classe política corrupta, incompetente e populista que temos é louvável que ainda exista um programa espacial neste país.

Duda Falcão

Comentários

  1. Duda,

    Como você é o cara dos dados, gostaria que nos ajudasse a recordar:

    O que efetivamente foi realizado AQUI no Brasil em termos de programa espacial no ano de 2014 até agora? Sem contar é claro as "missões" de lançamento de foguetes de treinamento.

    Acho que teve um outro lançamento além do EPL/L5, mas não me lembro direito...

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    Respostas
    1. Caro Marcos!

      Até agora seis operações de lançamento foram realizadas em 2014, sendo quatro do CLA (Operação Facão I - 2014, Operação Águia I - 2014, Operação Águia II -2014 e a Operação Raposa) e duas do CLBI (Operação Barreira X e Operação Barreira XI). Dessas seis, somente a Operação Raposa não foi uma operação com foguetes de treinamento. Corre nos bastidores a informação de que até o final do ano deva ocorrer do CLBI ainda duas operações com foguetes de treinamento (Tangará I e II) e do CLA pode ser que ocorra a Operação do SARA Suborbital, mais ainda é apenas uma possibilidade. Tá ok amigo?

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. Ou seja, então eu estava certo. De fato, apenas um lançamento em 2014, com possibilidade de um segundo do projeto SARA.

      É como eu disse num outro comentário: "se o programa espacial brasileiro se resumisse a lançar foguetes de sondagem regularmente eu já me dava por satisfeito".

      É triste.

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  2. Estive pesquisando agora a pouco na internet e parece que o Brasil é o único país no Mundo que possui um programa regular de lançamento de "foguetes de treinamento" para manter suas equipes em "prontidão".

    Vejam, eu acredito, que devido às nossas conhecidas deficiências, a ideia é excelente. É algo que tem a visão militar de equipes em estado permanente de prontidão, mas que faz todo o sentido. Só discordo frontalmente (como já reportei varias vezes), do fato de não fazer parte do "treinamento", a integração, lançamento, rastreio e coleta de dados em relação à cargas úteis nesses foguetes de treinamento.

    No meu ponto de vista, eles deveriam ter uma carga útil mínima padrão bem simples, que seria usada na falta de alguma outra melhor, tipo o experimento do Nike Smoke, por exemplo.

    Mais uma vez insisto: se quem está dentro do PEB, quiser continuar contando com o apoio da pequena parcela da população que tem o mínimo de consciência sobre o assunto, precisam parar de pedir e começar a FAZER.

    Afinal essa proposta não deve ser nenhum "bicho de sete cabeças" para os nossos cientistas. Minha sugestão, é que o pessoal do ITA projete e fabrique essa "carga útil padrão", bem simples mesmo, para não esbarrar em mais problemas, dimensionada para dois "envelopes" distintos (que já existem, só estão ocos), um para o FTB e outro para o FTI, e a entregue para que a mesma empresa que faz os foguetes de treinamento as produza em série.

    Dessa forma, teríamos uma espécie de "foguete de sondagem de prateleira", com carga útil padrão definida, e assim, o PEB poderia anunciar que tem um programa regular de lançamento de foguetes de sondagem, e não apenas uma série de lançamentos de treinamento que mais se parecem com um treinamento de artilharia militar do que um programa espacial com experimentos científicos.

    Isso feito, poderiam oferecer ao INPE e as demais instituições de pesquisa do país, o "espaço" nos "envelopes" para conduzir experimentos mais sofisticados. Com as missões planejadas no ano anterior e o calendário de lançamentos para o ano seguinte divulgado, caberia a elas aprontar e disponibilizar as cargas úteis a tempo e a hora (o que também deve fazer parte do treinamento, na parte de gerenciar a integração e prever um plano B, que seria a carga útil padrão).

    Força pessoal !!! Vamos AGIR !!! Isso é o mínimo do mínimo !!!

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    Respostas
    1. " ABAIXO AO PAYLOAD INERTE ! A FAVOR DA UTILIDADE POLIVALENTE ! “

      Quero dar os meus parabéns ao colega , Sro. Marcos Ricardo, que mais uma vez tem acertado e tem explanado seu raciocínio com grande destreza e assertividade. Realmente faze-se necessário o uso de uma baía científica nos foguetes de treinamento. Porque a AEB, não institui um espaço ( Programa de Utilização Científica e Tecnológicas) no sentido de abrir espaço para que as universidades, institutos, grupos científicos amadores, concursos CANSAT, utilizem com mais objetivos este veículo.
      A carga útil é todo equipamento ou conjunto de equipamentos instalados a bordo de um veículo, para desempenho de funções programadas em terra.
      De acordo com estas funções podemos então dividir as cargas úteis em duas categorias: A - Científicas, B - Tecnológicas.
      As CARGAS ÚTEIS CIENTÍFICAS = São aquelas que tem a finalidade de medir parâmetros externos ao foguete. Por exemplo - campo elétrico irradiado por uma estação em terra através da ionosfera.
      As CARGAS ÚTEIS TECNOLÓGICAS = São destinadas a medir parâmetros internos ao foguete par que possamos avaliar o seu desempenho. Normalmente as cargas tecnológicas só utilizam sensores internos e externos para essa avaliação. Por exemplo - Para determinarmos a rotação de um foguete usamos o sol como referência para acionar sensores solares e tirarmos assim a rotação desejada. Poderíamos ainda unir as duas cargas acima em uma só, porém em fases de homologação dos foguetes desenvolvidos, só são usados as cargas tecnológicas. Posteriormente então, podemos utilizar os veículos para experimentos científicos com boa segurança.
      Todo o sistema é integrado pelo conjunto de ( BOX) separados, porém interligados UMBILICALMENTE, tais como: Conjunto de Telemetria, a qual é composta de: Transmissor; Somador; Osciladores de Subportadora de sinais; Calibrador e Comutadores. O Atuador de Vôo, é composto de Seqüenciadores Programável de Eventos e o Box (caixa) de comando e disparo, que é alimentado por uma bateria que também energiza a caixa de telemetria e pirotécnicos. Daí destacam-se: o condicionador de sinal; sensores; separador da carga útil; yoyo; capas/sensores; ponta injetável ,sist. de recuperação e comando da plataforma. Em fim, todos interligados num modo padrão e seqüenciado.

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    2. Agradeço os comentários do colega Carlos, mas preciso discordar de UMA coisa.

      Esqueçam a AEB, esqueçam os inúteis. Essa iniciativa, se acontecer, precisa partir do pessoal do ITA, que possui os recursos técnicos necessários e quanto à verba, tratando-se de um experimento bem simples, como o proposto, eles devem ter como lidar com mais essa necessidade dentro do orçamento já limitado.

      Temos certeza que vocês do ITA podem fazer o que é necessário e correto. Agora é apenas questão de DECIDIR e EXECUTAR.

      Força pessoal do ITA !!! O desafio está lançado !!!

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