Namitec Realiza Estudo Inédito em Faixa de Radiação Solar
Olá leitor!
Segue uma nota postada ontem (08/10) no seu site do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) destacando que o Namitec realiza estudo inédito em faixa de
Radiação Solar.
Duda Falcão
Namitec Realiza
Estudo Inédito
em Faixa de Radiação Solar
Ascom do INCT Namitec
08/10/2013 - 17:31
Em ciência, não
é raro que resultados e aplicações surpreendentes surjam de temas ou pontos de
vista pouco explorados. É o que mostra a pesquisa feita no âmbito do Namitec,
em parceria com a Universidade Presbiteriana Mackenzie e o Centro de
Componentes e Semicondutores (CCS) da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp).
O estudo, realizado pela equipe do professor Pierre
Kaufman, investiga a radiação na faixa terahertz (THz) do espectro solar. Os
pesquisadores desenvolveram filtros THz, confeccionados no CCS e no Laboratório
Nacional de Nanotecnologia (LNNano), integrados a fotômetros em
frequências THz, cuja aplicação observacional conta com a parceria da
Universidade da Califórnia (Berkeley) e do Instituto Lebedev de Física (Rússia)
para fazer testes práticos da instrumentação.
A nova tecnologia de sensoriamento THz – pode ter
outras aplicações para além da física solar e espacial. “Há uma filosofia no
CCS e no Mackenzie de que a motivação científica disciplina e estimula o
desenvolvimento tecnológico”, diz Kaufmann.
Aplicações
Tanto esforço, segundo ele, tem resultados que vão além
do interesse científico. Uma aplicação é na biologia, já que o imageamento do
corpo humano na faixa THz possibilita um contraste muito bom entre tecidos
doentes e saudáveis – e não é tão invasiva quanto os Raios X. “O potencial de
aplicação pode competir com vantagens sobre a dissonância magnética”, conta
Kaufmann.
A engenharia civil também pode se beneficiar com
detecções nesta faixa do espectro de frequências. “Outra aplicação é na
detecção de trincas, defeitos em estruturas na construção civil, em pilares,
colunas, pontes. Na faixa THz seria possível ver mais profundamente no concreto
para identificar a presença de rachaduras”.
A segurança e checagem em aeroportos também teria uma
aplicação possível: medidores em THz podem ser usados com precisão ainda maior
na detecção de armas, metais e drogas.
Para Emílio Bortolucci, engenheiro do CCS-Unicamp e
membro da equipe de Kaufmann, a fabricação destes sensores é importante porque
há uma certa dificuldade em se ter detectores nessa área, mesmo em
microeletrônica. E isto representa uma inovação no campo.
Histórico
O professor conta que sua equipe trabalha há mais de uma
década na pesquisa e desenvolvimento de materiais e dispositivos sensores
THz destinados ao diagnóstico de explosões solares .
A partir de observações no solo, em local de elevada
altitude, encontraram a existência de uma componente de emissão na faixa de
frequência que fica entre o rádio e o visível: a THz. Isso fez surgir a
necessidade de medição desta faixa para se compreender o fenômeno, o que trouxe
questionamentos de ordem científica e tecnológica. Segundo Kaufmann, emissões
em THz são “completamente inexploradas do ponto de vista tecnológico também”.
“Então trabalhamos em sensores de radiação solar
sensíveis à faixa THz. Mas, para observar estas frequências, é preciso fazer
medições fora da estratosfera terrestre, já que ar bloqueia a propagação da
radiação THz”.
Os filtros, acoplados aos sistemas sensores, serão
levados por balões estratosféricos que sobrevoarão a Sibéria e Rússia por dez
dias e a Antártica por outros quinze – e é neste ponto que a parceria com o
Instituto Lebedev de Física e a Universidade da Califórnia em Berkeley se
mostra importante: os russos ficarão responsáveis pelo sobrevoo em seu
território e os americanos, no Polo Sul.
“Já tivemos os lançamentos adiados por um ano, mas faz
parte dos riscos. O importante é fazer essas medições rapidamente, pois estamos
passando por um ciclo de explosões solares extremamente fraco, com pouquíssimos
eventos”, informa Kaufmann. “Se a gente esperar muito, vai-se entrar em um
mínimo de atividade solar e nem vai valer a pena mandar o balão”.
Sobre o Namitec
O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Sistemas
Micro e Nanoeletrônicos (INCT Namitec) é uma rede que reúne as principais
instituições que desenvolvem nano e microeletrônica no Brasil. São, ao todo, 23
centros de pesquisa e universidades, espalhados por 13 estados nas cinco
regiões do país.
Com 124 pesquisadores, o Namitec tem uma atuação ampla em
micro e nanoeletrônica, com pesquisas e ações no estudo de redes de sensores
sem fio, sistemas embarcados, projeto de circuitos integrados, estudos de
dispositivos, materiais e técnicas de fabricação e formação de recursos humanos,
com aplicação em áreas como: tecnologia da informação e comunicação (TIC);
instrumentação biomédica e vida assistida; redes veiculares e ambientes
inteligentes.
A unidade tem como missão gerar, aplicar e disseminar
conhecimentos de micro e nanoeletrônica, articulando competências para promover
inovações que atendam às necessidades da sociedade, por isso o projeto conta
com uma coordenação de transferência de tecnologia para o setor produtivo, que
visa gerenciar as relações com a indústria.
Em quatro anos, o projeto já teve 22 interações com
empresas e solicitou o depósito de 14 patentes, desenvolvendo por exemplo, o
primeiro transistor 3D do Brasil.
Sobre os INCTs
Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs)
foram criados pelo CNPq para incentivar redes de pesquisa que atuem integrando
a comunidade científica brasileira. Financiado pelo CNPq, FAPESP e Capes, o
Namitec tem sua coordenação realizada pelo Centro de Tecnologia da Informação
Renato Archer (CTI), unidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em
Campinas.
Saiba mais em www.namitec.org.br
Fonte: Site do Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação (MCTI)
Comentário: Bom, bom, muito bom mesmo. Parabéns a todos
os pesquisadores envolvidos.
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