Crise Trabalhista no INPE Abre Debate Sobre Modelo de Gestão
Olá leitor!
Segue abaixo uma
matéria publicada ontem (06/10) no site do jornal “O VALE”, destacando que a crise
trabalhista no INPE abre debate sobre Modelo de Gestão.
Duda Falcão
BRASIL &
Crise Trabalhista no INPE Abre
Debate Sobre Modelo de Gestão
Expira na
próxima sexta-feira prazo para demissão de 71 servidores
temporários
contratados sem concurso no CPTEC
Marcelo Pedroso
Editor de Cidades
October 6, 2013
- 04:12
Foto: Divulgação
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| Paralisação de funcionários do INPE em Cachoeira Paulista |
A ameaça de demissão dos 71 servidores temporários do INPE
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que trabalham no CPTEC (Centro de
Previsão do Tempo e Estudos Climáticos), em Cachoeira Paulista, retoma a
polêmica do modelo de gestão considerado ideal para instituições voltadas à
Ciência e Tecnologia.
A cinco dias para o cumprimento de uma liminar que
determina a exoneração dos servidores e no meio de uma greve deflagrada pela
categoria, a direção do INPE se defende e justifica que já vinha adotando desde
o ano passado medidas para repor as vagas em déficit.
O ofício 780/2013 da SEGEP/MP (Secretaria de Gestão
Pública do Ministério do Planejamento), datado da última quinta-feira e
assinado pela secretária Ana Lucia Amorim de Brito garante o reforço no quadro
de funcionários, que pode chegar a 438, mas não dá um prazo para isto
acontecer.
"Temos um diagnóstico que aponta que grande parte de
nossos funcionários tem acima dos 50 anos", disse o atual diretor do INPE,
Leonel Perondi, a O VALE.
Perdas
O VALE apurou que, somente este ano, já foram efetivados 50
pedidos de aposentadoria no INPE, que possui hoje cerca de 1.100 funcionários.
A média atual chega a um pedido por semana.
As dificuldades de reposição desta mão de obra
especializada são potencializadas pelo tempo necessário para o exercício das
funções, de dois a três anos.
Sujeito ao RJU (Regime Jurídico Único), o INPE depende da
realização de concursos públicos para suprir a carência de mão de obra, além de
obedecer a mecanismos de controle como a Lei de Licitações.
A contratação dos servidores temporários foi questionada
pelo MPF (Ministério Público Federal).
Entre as alterações defendidas por alguns segmentos está,
por exemplo, a criação de OS (Organizações Sociais).
Além disto, tramitam no Congresso a PEC (Proposta de
Emenda Constitucional) 290 e o PL (Projeto de Lei) 2177, que propõem mudanças
nos regimes jurídicos das instituições. Sobre mudanças nos modelos de
gestão, Perondi prefere não expor sua opinião em função do impasse jurídico atual.
"É uma discussão importante e interessante", afirmou.
Sindicato
Para o sindCT (Sindicato dos Servidores Públicos Federais
da área de Ciência e Tecnologia no setor Aeroespacial), não há que se falar em
modelos de gestão e sim da reposição da defasagem de profissionais.
"Os institutos estão fragilizados. Precisamos
recompor essa força de trabalho, que está exaurida. Não são os projetos que
perenizam as pessoas", afirmou o presidente do SindCT, Ivanil Barbosa
Belisário.
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| “Essa situação tem que ser tratada com tranquilidade. Foram tomadas ações compatíveis com o risco avaliado” Leonel Perondi, diretor do INPE |
Pesquisadora Defende Busca de Autonomia
A pesquisadora Valéria Cristina dos Santos Ribeiro, da
Unicamp, defende que, apesar das limitações do regime jurídico da administração
direta, há espaços que permitem autonomia e flexibilidade.
Para ela, um modelo jurídico mais adequado precisaria
estar alicerçado em três pilares: institutos com uma personalidade jurídica
própria, o que permitiria a venda de produtos e serviços, além do
estabelecimento de contratos; autonomia para definir os recursos humanos e que
a legislação de compras possa considerar as peculiaridades da área de ciência e
tecnologia.
"Sabemos hoje que os recursos são limitados em todos
os sentidos. Internacionalmente, por exemplo, a tendência é do uso do recurso
humano temporário, do trabalhador empregado por projeto, por demanda."
Reserva
Apesar disto, a pesquisadora considera que é necessário
preservar profissionais da área de pesquisa básica. "Outra tendência que
percebemos são os trabalhos em rede, as pesquisas colaborativas, em que os
custos são partilhados pelas instituições."
Valéria considera que é hora de estimular o debate. "Este não é um
problema só do INPE. Precisamos abrir o debate sobre a importância dos
institutos para o país. Os pilares do desenvolvimento estão na educação,
ciência e tecnologia."
Ponto de Vista
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| Gilberto Câmara - Pesquisador do INPE. |
Porque o INPE Está no Fundo do Poço
Os leitores de O VALE tomaram conhecimento, na última
semana, de uma situação paradoxal no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
A previsão do tempo, um dos serviços mais importantes do instituto, está
ameaçada de ser paralisada, devido a uma ordem judicial que manda demitir 111
servidores temporários.
O leitor deve se perguntar: como pode um serviço público
essencial ser interrompido? A resposta é simples, mas não óbvia: o atual governo federal e os anteriores
não tiveram coragem e disposição para reformar o modelo de gestão do INPE, hoje
um órgão da administração direta federal.
Todas as missões do instituto tem de ser confiadas a
servidores públicos estáveis, contratados pelo Regime Jurídico Único. Todas as
licitações e compras do instituto estão sujeitas à análise prévia da Advocacia
Geral da União e devem seguir a Lei de Licitações.
Precisa ser assim? Esta é a maneira moderna e adequada de
se fazer atividades de Ciência e Tecnologia? Países desenvolvidos também seguem
estas regras? Será que este modelo de gestão é bom para o Brasil?
Não, não, não e não. Não precisa nem deve ser assim. O
atual modelo de administração pública do INPE está obsoleto. É completamente
inadequado à nossa missão.
Nos países desenvolvidos, as atividades públicas são
divididas entre funções exclusivas do Estado (como polícia, justiça e
diplomacia) e funções não-exclusivas (como educação, saúde e pesquisa).
Nos Estados Unidos, o país de maior produção científica e
tecnológica do mundo, a maioria das atividades de pesquisa e desenvolvimento
(P&D) do governo é realizada por instituições públicas não estatais. Os
laboratórios nacionais de P&D cumprem missões essenciais aos EUA, inclusive
estudos secretos sobre armas nucleares, mas operam com a liberdade de ação
necessária. A experiência americana nos indica que o modelo de gestão pública
não-estatal é compatível com institutos que cumprem missões de grande
importância para a sociedade.
O INPE é um caso típico de serviço público não exclusivo
do Estado. Em tese, nada impede um empresário de comprar um supercomputador e
montar uma empresa de previsão de tempo. O INPE faz este serviço porque a
previsão de tempo é um bem público. Todos precisam deste serviço.
O Brasil não precisa que o INPE seja composto por
servidores públicos estáveis. Precisa que o INPE tenha uma equipe de alto nível
em permanente aprendizado e com fome de conhecimento.
Instituto Executa 68% do Orçamento
Depois de amargar um índice de 49% na execução
orçamentária em 2011, o INPE conseguiu fechar o ano passado com um índice de
68%, conforme publicação do Relatório Executivo. O documento informa que ' a
meta de 100% de execução orçamentária é muito difícil de ser alcançada para o
INPE, dados o tamanho e a complexidade do Instituto e o montante de seu
orçamento'.
Servidor Decide Greve na Segunda
Uma assembleia marcada para amanhã em Cachoeira Paulista
vai definir se os servidores do CPTEC manterão a greve deflagrada na última
sexta-feira. Dos 71 servidores temporários ameaçados de demissão, 43 aderiram à
paralisação. Atividades do centro consideradas essenciais estão mantidas,
afirmou anteontem o sindicato da categoria.
SAIBA MAIS
Greve
Os funcionários temporários do CPTEC decidiram entrar em
greve na última sexta-feira
Prazo
A paralisação é por prazo indeterminado em protesto pela
ameaça de demissão de 71 funcionários temporários
Decisão
A decisão é da Justiça Federal, que acolheu pedido do
Ministério Público Federal, que defende a realização de concurso público para
os cargos
Emergência
A direção do INPE prepara plano de emergência para evitar
paralisação de atividades essenciais do CPTEC
Medidas
O Ministério de Planejamento informou que deverá suprir a
carência de mão de obra do INPE, mas não deu detalhes sobre quando isto
acontecerá
Debate
A crise trabalhista vivida no instituto traz à tona o
debate sobre a mudança no regime jurídico dos institutos de Ciência e
Tecnologia para garantir competitividade
Fonte: Site do Jornal
“O VALE” - 06/10/2013



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