Ideias Brasileiras Para Um Espaço Mais Útil a Todo o Mundo
Olá leitor!
Segue abaixo mais um artigo do Sr. José Monserrat Filho
postado dia (06/10) no site "www.defesanet.com.br" dado destaque a
idéias brasileiras para um espaço mais útil a todo o mundo, apresentadas em uma
das sessões plenárias do “64º Congresso
Internacional de Astronáutica”, realizado em Beijing, na China.
Duda Falcão
COBERTURA ESPECIAL - Especial Espaço
Ideias Brasileiras Para Um Espaço
Mais Útil a Todo o Mundo
José Monserrat Filho*
06 de Outubro, 2013 - 20:50 ( Brasília )
Ao falar, como convidado
especial, numa sessão plenária do 64º Congresso Internacional de Astronáutica,
realizado em Beijing, China, de 23 a 27 de setembro passado, o presidente da
Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, propôs a criação
de um sistema universal de satélites para a observação da Terra (sensoriamento
remoto), constituído por grande número de países, destinado a prestar serviços
essenciais à comunidade internacional como um todo.
Seria uma constelação de
satélites aberta à utilização global, com custos e gestão compartilhados entre
todos os países participantes. O mutirão espacial daria origem a um mecanismo
sem precedentes de cooperação em escala planetária, proporcionando benefícios
inestimáveis a toda a humanidade.
A proposta foi
apresentada na plenária que discutiu o tema "Desenvolvimento e
Perspectivas das Atividades Espaciais na China", na qual o presidente da
AEB figurou como único representante de uma agência espacial de outro país, o
que caracterizou uma deferência especial ao Brasil.
A ideia de um sistema
universal de satélites está em perfeita sintonia com o Art. 1º, § 1º, do
Tratado do Espaço, de 1967, considerado a carta magna e o código maior das
atividades espaciais, que estabelece: "A exploração e o uso do espaço
cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão ter em mira o bem e
interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu
desenvolvimento econômico e científico, e são incumbência de toda a
humanidade."
O texto em inglês
emprega a expressão "province of all mankind" ("província de
toda a humanidade"), em lugar de "incumbência de toda a
humanidade". Província parece claramente como o termo mais apropriado no
caso, pois significa território de toda a humanidade, ou seja, área comum de
todos os povos, de todos os países.
Mas, o mais prestigioso
para nós, brasileiros, é que esse princípio fundamental - que passou para a
história como "a cláusula do bem comum", estava inicialmente inscrito
no preâmbulo do Tratado do Espaço. Foram exatamente os representantes do Brasil
que sugeriram transformá-lo no § 1º do Art. 1º, o que lhe garantiu a posição de
primeiro princípio básico do direito das atividades espaciais.
O Brasil também esteve
profundamente engajado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho de 1992. E
deixou sua marca na Declaração do Rio, cujo Princípio 7 não deixa dúvidas sobre
o conceito de cooperação que defendemos, inclusive para as atividades
espaciais: "Os Estados irão cooperar, em espírito de parceria global, para
a conservação, proteção e restauração da saúde e da integridade do ecossistema
terrestre. Considerando as diversas contribuições para a degradação do meio
ambiente global, os Estados têm responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca
internacional do desenvolvimento sustentável, tendo em vista as pressões
exercidas por suas sociedades sobre o meio ambiente global e as tecnologias e
recursos financeiros que controlam." Esse princípio também se aplica hoje
ao grave desafio do lixo espacial que só faz crescer e afeta a todos os países,
tenham eles ou não programas espaciais.
Outra importante ideia
brasileira é a política de distribuição gratuita de dados e imagens de
satélites, adotada em 2004, que estimulou o surgimento de um mercado interno
invejável e já beneficiou várias nações latino-americanas e africanas, com
perspectivas de levar tais benefícios para um número ainda maior de países.
Esse exemplo se
projetou, igualmente, com a iniciativa brasileira aprovada, em 2008, pelo
Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS, na
sigla em inglês), que veio enfatizar a necessidade imprescindível de um
programa global de cooperação destinado a equipar todos os países do mundo - ou
pelo menos a maioria absoluta deles - com infraestrutura e pessoal técnico
especializado para receber, processar, analisar, e utilizar, o mais amplamente
possível, dados e imagens de satélites nos programas nacionais de
desenvolvimento sustentável. Imagine-se a amplitude dos ganhos sociais,
econômicos e culturais que um programa dessa natureza traria para o mundo
inteiro.
Como se vê, a proposta
de um sistema universal de satélites de observação da Terra, de mil e uma
utilidades e vantagens, é parte de uma sequência de projetos efetivamente
comprometidos com "o uso do espaço para o bem e o interesse de todos os
países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e
científico" e, consequentemente, com "a província de toda a
humanidade".
* Chefe da Assessoria de
Cooperação Internacional da AEB, vice-presidente da Associação Brasileira de
Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), diretor honorário do Instituto
Internacional de Direito Espacial e membro pleno da Academia Internacional de
Astronáutica
Fonte: Site www.defesanet.com.br
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