Blog Entrevista o Novo Diretor do IAE

Olá leitor!

Brig. Eng. Leonardo Magalhães Nunes da Silva
(Novo Diretor do IAE)
Na busca contínua de sempre manter bem informados os nossos leitores, a partir do terceiro ano de existência de nosso Blog criamos a série de entrevistas com profissionais do PEB e de outras instituições universitárias e privadas, que direta ou indiretamente tem contribuído para o avanço das atividades espaciais desenvolvidas em nosso país.

Diante disto, nesta primeira entrevista do ano (a última tinha ocorrido em dezembro do ano passado com o Dr. Waldemar Castro Leite, coordenador do Projeto SIA do IAE, veja aqui) o Blog traz agora para o seu leitor a primeira entrevista realizada com o Brig. Eng. Leonardo Magalhães Nunes da Silva (novo diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE), que nos atendeu com gentileza e grande atenção esclarecendo para todos nós a situação em que se encontram atualmente todos os projetos espaciais em curso neste instituto.

Nesta entrevista o Brig. Leonardo Magalhães, responde a perguntas sobre diversos projetos em curso neste instituto e entre eles, o do VLS-1, VLM-1, SARA, Operação Raposa, PSM, entre tantos outros, inclusive esclarecendo algumas dúvidas levantadas pelo Blog. Vale a pena dar uma conferida.

O Blog “BRAZILIAN SPACE” aproveita para agradecer a atenção dispensada pelo Brig. Magalhães, pela Sra. Janaina Pardi Moreira da Seção de Comunicação Social do IAE, e evidentemente ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), que pela quinta vez nos atenderam sem qualquer espécie de censura ou discriminação, o que vem mais uma vez comprovar o bom trabalho que temos realizado em prol do PEB nesses últimos cinco anos de existência.

1- BLOG BRAZILIAN SPACE: Brig. Magalhães, para aqueles leitores que não o conhecem nos fale sobre o senhor. Sua idade, formação, onde nasceu, trajetória profissional.

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES NUNES DA SILVA: Estou com 55 anos, sou Engenheiro Aeronáutico, formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica em 1983 e sou natural da cidade de Pelotas, RS.  Minha primeira área de atuação foi em um dos Institutos que deu origem ao atual IAE, o Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento – IPD, do então Centro Técnico Aeroespacial – CTA que, após a vinda do Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento - DEPED para São José dos Campos, em 2006, deu origem ao atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA. Nos primeiros 7 anos de minha carreira atuei na Divisão de Ensaios em Voo do IPD. Em 1990 fui designado para o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial – IFI, para atuar inicialmente nas áreas de garantia da qualidade governamental, certificação de Produto Aeroespacial de Emprego Militar, em particular no que concerne ao software embarcado e respectivos sistemas aviônicos. Posteriormente, assumi a Chefia da Divisão de Homologação Militar – FHM, daquele Instituto. Em 2005, após ter realizado curso de carreira em 2004, fui transferido para o DEPED, em Brasília, para a Divisão de Relações Externas. Com a vinda do DEPED para São José dos Campos, já mencionada, permaneci em Brasília, tendo sido designado para o Ministério da Defesa, onde atuei nas áreas de Exportação de Produtos de Defesa, Fomento à Indústria de Defesa, Política Nacional da Indústria de Defesa - PNID, Política de Desenvolvimento Produtivo - PDP e Tecnologia Industrial Básica, entre outras. Pelo Ministério da Defesa - MD, tive também a oportunidade de realizar o curso Gestão de Recursos de Defesa (CGERD), na Escola Superior de Guerra (ESG) e fui designado como representante do MD no Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO) e no Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Com minha promoção a Brigadeiro Engenheiro, ocorrida em março de 2012, fui designado para a Chefia do Subdepartamento de Administração do DCTA, cargo este que fiquei até abril deste ano, quando assumi a Direção do IAE.

2- BRAZILIAN SPACE: Brig. Magalhães é sabido que desde o início do Governo DILMA ROUSSEFF, cortes orçamentários diminuíram em muito as verbas disponíveis para os projetos do IAE, principalmente os projetos do VLS-1 e do VLM-1. Como o instituto tem enfrentado essas dificuldades?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES:  Tais dificuldades, advindas de uma conjuntura econômica menos favorável, estão presentes também em outras áreas não menos importantes e essenciais ao desenvolvimento do País e para o bem estar da sociedade.   Somam-se, ainda, a tais restrições, o grande número de aposentadorias ocorridas nos últimos anos e o fato de não ter sido possível, nas últimas décadas, a contratação oportuna dos recursos humanos mínimos que possibilitariam uma desejável superposição com tais profissionais, antes de suas aposentadorias ocorrerem, o que resulta na necessidade de movimentação interna de pessoal para suprir eventuais carências em áreas, não necessariamente mais importantes, mas decorrentes da difícil tarefa de priorizar os recursos efetivamente recebidos.  Face a tais restrições, tanto orçamentárias quanto de pessoal, o IAE busca, constantemente, soluções que possam, senão viabilizar a continuidade de seus projetos e atividades, pelo menos manter o seu corpo técnico e administrativo capacitado e envolvido em atividades compatíveis com sua formação e experiência profissional. Em síntese, o IAE tem enfrentado tais dificuldades não apenas com ações junto à Direção-Geral do DCTA, solicitando injunções junto ao Governo Federal para o aporte dos recursos orçamentários necessários, mas principalmente com a colaboração dos servidores civis e militares que, entendendo as dificuldades atuais do País, buscam também viabilizar os projetos e atividades pelas quais são responsáveis, identificando, planejando e solicitando o aporte de recursos de outras fontes Governamentais (FINEP, CNPq) ou Estaduais (FAPESP), por exemplo.

3- BRAZILIAN SPACE: Brig. Magalhães existe entre meus leitores uma grande preocupação em relação à realização ou não das Operações Santa Bárbara I e II em 2014. Em entrevista ano passado o Brig. Kasemodel disse que os recursos previstos na PLOA de 2014 seriam suficientes para a realização dessas duas operações em 2014. Sendo objetivo Brigadeiro, essas operações serão mesmo realizadas em 2014?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES:  As partes mecânicas que compõem o VSISNAV estão quase que completamente prontas para a Santa Bárbara I, mas falta ainda as redes elétricas de serviço e controle, a serem entregues pela empresa contratada. O IAE depende dessa entrega para realizar os ensaios do MIR VSISNAV no CLA. A Santa Bárbara II também depende da entrega de modelos de voo dessas redes elétricas. Dessa forma, mesmo com recursos suficientes neste ano, o IAE somente conseguirá realizar essas duas operações em 2014 com a entrega desses equipamentos eletrônicos de qualificação e de voo, a serem fornecidos pela empresa.

4- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro Magalhães, nos últimos dois anos duas falhas atribuídas a foguetes brasileiros ocorreram na Europa, e bem recentemente a “Operação TEXUS 51” foi adiada pelo SSC/DLR. Na entrevista ano passado com o Brig. Kasemodel o mesmo disse que em uma das missões (SCRAMSPACE) a falha foi atribuída a um defeito na matéria prima utilizada na garganta da tubeira do propulsor brasileiro S30 e que ações estavam em curso para substituições dessas tubeiras em todos os foguetes fabricados. Essas ações já foram concluídas e caso não, o adiamento da Operação TEXUS 51 teria algo haver com esta situação?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: Sim, a conclusão da Comissão de Análise de Falha foi a de que houve problemas de qualidade na matéria-prima importada. Ainda em 2013, foi adquirido um novo lote de outro fornecedor, que foi exaustivamente testado para confirmar todas as propriedades mecânicas. Para retorno ao voo, tanto no Brasil como na Europa, resta ainda o ensaio em banco do motor S30 (Operação Acapú), a ser realizada no mês de julho.

5- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, falando agora de propulsão líquida o IAE está bem próximo de realizar um grande feito para Astronáutica Brasileira, ou seja, o lançamento do VS30/L5 da esperada “Operação Raposa”. Segundo o Brig. Kasemodel, esta operação estava prevista para ser iniciada em fevereiro desse ano, coisa que infelizmente não ocorreu. Quando esta operação será realizada e qual foi o motivo do adiamento?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: A Operação Raposa ocorrerá após o ensaio em banco do motor S30. O experimento foi aprovado em todos os testes em solo e a missão está prevista para ser iniciada em agosto de 2014.

6- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, o foguete VS-30 dessa operação além de testar em voo o desempenho do SAMF (Sistema de Alimentação Motor-Foguete) e do primeiro motor-foguete líquido brasileiro, o L5, carregará algum outro experimento cientifico ou tecnológico?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: Além do próprio EPL (Estágio de Propulsão Líquido), formado pelo conjunto SAMF e Motor L5, serão testados em voo a chave acelerométrica e o módulo de telemetria do IAE, ambos já ensaiados em voo, mas que terão o seu desempenho confirmado durante essa operação.

7- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, continuando na área de Propulsão Líquida, onde é sabido que o grande projeto do IAE é o desejado motor-foguete líquido L75, o que o senhor pode nos dizer, houve avanços concretos desde 2013? O DLR continua cooperando com o IAE neste projeto?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: Recentemente, foi bem sucedido o teste do Gerador de Gás do Motor L75 na Divisão de Propulsão Espacial. Ainda, no mês de maio, especialistas do DLR estiveram no IAE para participar de reuniões técnicas com a equipe brasileira de projeto. A infraestrutura para testar componentes da turbobomba, produzidos na indústria, está em andamento.

8- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, voltando aos foguetes de sondagem, desde a entrevista com o Brig. Kasemodel em 2013, houve avanços no desejado processo de industrialização do VSB-30?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES:  A industrialização do VSB-30 depende de recursos financeiros para contratação de empresa para esse fim, ou, o que seria melhor, o surgimento de empresa interessada em produzi-los por sua própria conta. Em ambos os casos, deveriam existir perspectivas de aplicação desse veículo em 5 a 6 lançamentos por ano no Brasil, a exemplo do que ocorre na Europa, na forma de demanda de aplicações científicas (Programa Microgravidade).

9- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, outra importante operação do IAE inicialmente prevista para esse ano é a “Operação São Lourenço” (VS40/SARA Suborbital I). Segundo o Brig Kasemodel a realização desta operação dependia da integração das redes elétricas e da conclusão do Banco de Controle que iria testar todos os sistemas do SARA, tendo como previsão de entrega o mês de dezembro do ano passado. Entretanto a AEB publicou no Diário Oficial da União (DOU) do dia 17/04 um Extrato de Contrato assinado com a empresa CENIC ENGENHARIA INDÚSTRIA E  COMERCIO LTDA, tendo como objeto a contratação dessa empresa para realização de serviços técnicos especializados de engenharia voltados à integração e testes do veículo SARA Suborbital ao veículo de lançamento VS-40, e o acompanhamento da missão de lançamento e do resgate da carga útil. Acontece Brigadeiro que, segundo esse extrato o prazo de vigência do contrato será de 16/04/2014 à 13/02/2015. Isto significa Brigadeiro que a “Operação São Lourenço” não se realizará mais em 2014, e caso sim, quando se realizará e qual foi o motivo desse adiamento?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: A dificuldade em relação à integração das redes elétricas e do Banco de Controle ainda persiste. O Banco de Controle deverá ser entregue em breve, juntamente com a entrega das redes elétricas, e servirá para testar o modelo de voo do SARA. Caso a entrega desses componentes ocorra até julho, há grande chance de que seja realizada a Operação São Lourenço neste ano. Infelizmente, quaisquer atrasos adicionais dessas entregas, contratadas na indústria, acarretarão adiamento da campanha. O prazo mencionado se refere à vigência do contrato, que é maior do que o prazo de execução, haja vista que a análise pós-voo, bem como o pagamento da etapa e encerramento do contrato devem ocorrer durante a vigência.

10- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, ainda em relação à missão do SARA Suborbital I, a mesma continua ainda prevista para ser lançada do CLBI e não mais do CLA?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: Sim, ocorrerá a partir do CLBI, por razões técnicas e para aumentar a probabilidade de recuperação da carga-útil no mar.

11- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, um assunto que tem causado preocupação e tem sido pauta de discussões entre os nossos leitores é a pouca utilização do CLA e do CLBI em missões científicas e tecnológicas. É de consenso que ambos os centros e seus serviços deveriam estar sendo oferecidos ao mercado internacional de lançamentos (especialmente o mercado latino-americano formado por instituições governamentais, industriais e acadêmicas), como acontece com os centros de Andoya e Esrange na Europa, já que o Brasil dispõe de bases muito bem localizadas, além de profissionais preparados e de foguetes de sondagens disponíveis para atuar nesse mercado. A questão é, existe alguma legislação ou norma militar em vigor que, de alguma forma impede esse objetivo, ou isso acontece por falta de atitude?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: Não há impedimento para uso do CLBI ou CLA por países latino-americanos, desde que estejam amparados por acordos bilaterais para esse fim. Entretanto, o uso de veículos suborbitais em missões científicas e tecnológicas geralmente ocorre em favor de estudos específicos para cada região ou país. Por essa razão, a exemplo do que ocorre com o Programa de Microgravidade europeu, é importante que o experimento esteja próximo ao ICT ou universidade de cada país, a fim de diminuir as despesas de deslocamento e hospedagem das equipes de experimentadores. Nesse caso, lançar do Brasil poderia dificultar a interação entre financiadores locais (empresas, órgãos governamentais) e os estudantes. Além disso, estudos de clima e de atmosfera são também de interesse científico bem localizado, vide estudos de campo magnético da Terra que ocorrem próximo a Circulo Polar Ártico, utilizando-se de veículos suborbitais.

12- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, o projeto da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM) é outro projeto de suma importância para o PEB, especialmente para o Projeto Microgravidade da AEB. Em que pé se encontra o desenvolvimento do Modelo de Voo da PSM. Houve avanços desde 2013?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: A expectativa é de que a contratação do Modelo de Voo da PSM ocorra neste ano, o que garantirá a continuidade desse importante projeto.

13- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, todo Setor Aeroespacial e o Setor de Ciência e Tecnologia ligados as instituições governamentais tem enfrentado a falta de reposição e de contratação de novos profissionais para esses setores. Diante disto, como o IAE tem enfrentado esta situação, e em sua opinião a existência do programa “Ciências sem Fronteiras” pode realmente ajudar e alguma forma?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES:  A solução de RH para o serviço público se dá por meio de mais concursos. Recentemente, o DCTA recebeu 241 novos servidores, sendo 98 para o IAE, decorrente do edital de 2013. Também foram aprovadas mais 880 novas vagas para concursos do DCTA  que ocorrerão nos próximos anos. Dessa forma, está ocorrendo gradativa reposição de recursos humanos, vislumbrando que há constante perda por conta de aposentadorias.

14- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, na entrevista com o Brig. Kasemodel o mesmo nos informou que até aquele momento não havia ocorrido à realização do anteprojeto do VLS Beta, isto devido a não disponibilidade de recursos financeiros. De lá pra cá essa situação mudou ou tudo continua na mesma?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES:  A situação mantém-se inalterada, por conta da falta de recursos orçamentários para esse projeto. O valor do orçamento de 2014 (LOA) é idêntico ao de 2013, logo não há como atender novas atividades ou novos projetos.

15- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, há um consenso entre os meu leitores que no momento o desenvolvimento do projeto do VLM-1 é de importância crucial para o PEB, não só para sua consolidação como um verdadeiro programa espacial completo, como também para a sua continuidade, já que as cargas úteis já existem no país, e a tendência é que nos próximos anos se tornem cada vez mais presentes. É sabido que o cronograma do IAE previa o lançamento do voo de qualificação desse foguete em 2015 e o voo do experimento alemão SHEFEX III em 2016. As etapas de desenvolvimento desse projeto ainda estão dentro do cronograma previsto ou houve alguma mudança?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES:  O projeto VLM-1 foi concebido para se ter a participação da indústria desde as primeiras fases de concepção. Diante de recursos orçamentários insuficientes e demora no processo de contratação de empresas, há enorme dificuldade de manter o cronograma de desenvolvimento, originalmente previsto. Conforme divulgado no site da AEB, em maio ocorreu reunião entre a AEB, o DLR e o DCTA, onde foram discutidos os aspectos técnicos e administrativos relacionados ao cronograma do VLM-1  para lançar o Shefex III.

16- BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, ainda em relação ao projeto do VLM-1, existe alguma previsão para 2014 de testar a quente em banco de provas o motor-foguete S50 desse veículo?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: Os recursos orçamentários insuficientes e a demora no processo de contratação de empresas, citados na resposta à pergunta anterior, inviabilizam a realização do teste do motor S50 em 2014, tal como planejado.

17: BRAZILIAN SPACE: Brigadeiro, um dos projetos que tem chamado à atenção de alguns de meus leitores é o pouco comentado projeto da plataforma de mísseis Marins, um dos frutos do Projeto SIA. Em qual estágio se encontra o desenvolvimento dessa plataforma?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES: O projeto SIA produziu alguns subprodutos que terão outras aplicações, mas que são dependentes de demandas distintas daquelas estabelecidas para satélites do INPE e veículos lançadores do IAE, previstas originalmente, incluindo-se aí possíveis aplicações em mísseis desenvolvidos no País.

17- BRAZILIAN SPACE: Finalizando brigadeiro a pergunta de praxe, já estamos nos aproximando do meio do ano de 2014. Quais são as suas reais expectativas com relação às atividades do IAE para este ano e para o ano de 2015?

BRIG. LEONARDO MAGALHÃES:  A Direção do IAE, alinhada com o Planejamento Estratégico do COMAER e respectivas orientações e suporte orçamentário provenientes do DCTA, bem como com as políticas, diretrizes e prioridades governamentais, sob coordenação da Agência Espacial Brasileira, além da importante participação da indústria, tem como principal expectativa a continuidade do Programa Espacial Brasileiro, em especial no que concerne à efetiva implantação das metas previstas no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). Poucos países do mundo têm o conhecimento (recursos humanos, legislação, projetos com êxito), a infraestrutura (instalações, laboratórios, sistemas e equipamentos) e a vantagem da localização geográfica dos centros de lançamentos que dispomos. Para 2014, pretendemos não apenas dar continuidade ao esforço para a alocação dos recursos necessários à continuidade dos projetos, mas principalmente investir na formação e treinamento dos recursos humanos provenientes do recente concurso, de forma a não apenas proporcionar a necessária e oportuna integração às equipes atuais mas principalmente minimizar a descontinuidade dos trabalhos diante do natural processo de aposentadoria dos servidores civis e militares do Instituto. Para 2015, coerente com o PNAE, pretendemos dar continuidade às operações de lançamento de veículos suborbitais, aos projetos de propulsão líquida e de veículos lançadores de satélites, sempre contando com a oportuna alocação dos recursos orçamentários por parte do Governo Federal.

Comentários

  1. Nada foi dito explicitamente, mas a mim deu a impressão que os projetos VLS e VLM tem poucas chances de seguir adiante...

    Com um "governo" que prefere construir portos em Cuba, comprar refinarias falidas nos Estados Unidos e gastar bilhões em "reformas" e construção de estádios para a Copa e depois para a Olimpíada, o que mais poderíamos esperar ?

    Lamentável. E mais ainda o fato de quem está dentro do processo não poder sequer levantar a voz contra tudo isso. Muito triste...

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  2. Lamentável é criticar como todo Brasileiro e não tomar nenhuma ação. O copo sempre está meio cheio para os que tem esperança!

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  3. Traduzindo = não tem din din pra nada......muito triste !!!!!

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  4. pouca coisa acrescentou ao que já era sabido

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