A MECTRON e a Missão VS-40M/ SARA Suborbital

Olá leitor!

Desde o dia 05 desse mês temos postado aqui no blog uma série de artigos sobre os projetos espaciais do governo contratados junto à empresa brasileira MECTRON, empresa essa que é parte integrante da Organização Odebrecht. (veja as notas “A MECTRON e a Plataforma Multi-Missão (PMM)” e “A MECTRON e o Programa CBERS”).

Agora trago para você leitor o terceiro artigo dessa série, este relativo ao projeto do VS-40M/SARA Suborbital, missão a ser realizada ainda este ano de 2013.

Concepção Artística do VS40M/SARA Suborbital

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) cumprindo um dos seus principais objetivos de desenvolver tecnologia espacial brasileira em parceria com a indústria nacional, selecionou a MECTRON como responsável pelo projeto das redes elétricas do VS-40M/SARA, em outras palavras, a eletrônica embarcada que envolve todas as redes do sistema, ou sejam:

* Rede de Controle: engloba os sensores inerciais e o computador de bordo, incluindo os atuadores de gás frio (destinados a zerar as velocidades angulares da plataforma);

* Rede de Segurança: é responsável por comandar a teledestruição do veículo VS-40 caso este assuma uma trajetória anômala;

* Rede de Serviço: é destinada ao suprimento de energia e ao sequenciamento de eventos em voo; e

* Rede de Telemedidas: é destinada à transmissão dos dados de voo para a estação de solo.

Além disso a MECTRON foi também contratada pelo DCTA/IAE para o desenvolvimento e fabricação do atuador a gás frio do sistema VS-40M/SARA Suborbital.

Participação da MECTRON no Projeto VS-40M/SARA Suborbital

Vale dizer que o SARA é uma plataforma orbital (nessa fase de desenvolvimento ainda suborbital) a ser lançada pelo foguete de sondagem VS-40M (nesta fase de desenvolvimento, pois quando o voo for orbital exigirá o uso de um veículo lançador de satélites) para a realização de experimentos em ambiente de microgravidade, tento como teto operacional uma órbita baixa de até 300 km de altitude, dentro de um período de no máximo dez dias.

Trajetória de voo do VS40M/Sara Suborbital

No futuro, esta plataforma abrirá novas possibilidades para a realização de projetos de pesquisa e desenvolvimento nas mais diversas áreas e especialidades, tais como biologia, biotecnologia, medicina, materiais, combustão e fármacos, entre outros.

Duda Falcão


Fonte: Formulado com informações colhidas do Site da MECTRON

Comentários

  1. Antes de mais, força Duda por manter este blog extremamente interessante para quem se interessa por espaço.

    Para os interessados, é possível simular esta missão (e não só) no Orbiter Space Flight Simulator. Saibam mais em: http://orbiterspaceport.blogspot.pt/2013/05/brazilian-space-program-for-orbiter-v2.html

    Aqui podem ver um video do lançamento do VS-40 SARA no simulador:

    http://youtu.be/Q8QZB0-H3i0

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  2. Valeu Ricardo!

    Inclusive eu já postei aqui no blog outro dia os seus dois videos, tanto sobre o lançamento VS-40, como também o do SARA.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  3. A tecnologia de satélites com capacidade de reentrada é uma espécie de "rito de passagem" tecnológico para todo programa espacial. Além de EUA e URSS/Rússia que já possuíam esta tecnologia deste 1961 (programas Vostok e Mercury), satélites com capacidade de reentrada também estão presentes em outros programas espaciais;

    China - Programa FSW - 1974
    Japão - Programa OREX - 1994
    Alemanha (ESA) - Programa BremSat - 1994
    França (ESA) - Programa ARV - 1998
    Índia - Programa SRE - 2007

    O SARA vai trazer ao Brasil este "selo" de construtor de satélites com capacidade de reentrada. Este tipo de programa do ponto de vista tecnológico é importante porque ele representa uma volta completa no circulo de competências de engenharia espacial.

    Une segmentos da engenharia espacial normalmente associados a satélite como controle de atitude, propulsão orbital, condicionamento de potência elétrica, telemetria & tele controle, com competências de engenharia de foguetes como aerodinâmica hipersônica, materiais resistentes ao calor, estruturas e sistemas de recuperação. A soma disto tudo fornece quase a totalidade das competências básicas de um programa espacial.

    Se a boa noticia é que o SARA é um indutor da boa engenharia espacial no Brasil a má noticia é que hoje como o programa espacial brasileiro está estruturado não permite ao país colher os frutos científicos do projeto.

    Um programa espacial maduro, onde há o mínimo de planejamento e compromisso, deve fornecer uma freqüência constante de lançamentos. A quantidade de lançamentos é claro varia de acordo com o “bolso” da agência espacial. Seja 40por ano (como a URSS já chegou a ter), seja um a cada 3 anos como Israel mantém na média um programa deve ser relativamente previsível.

    No Brasil já se produziu em uma década (1993-2003) 8 satélites ( SDC-1, SCD-1B, SCD-2, SATEC, SACI 1, SACI 2 CBERS 1, CBERS 2) e depois em outra década (2003-2013) apenas 2 (CBERS-2B e CBERS-3). Ironicamente os anos 90 foram de problemas econômicos graves em relação a bolha dos commodities que surfamos na primeira década do século. Que país é este que produz projetos espaciais em fases de crise do que de bonança? Somos exemplo único deste tipo de feito no mundo.

    A irregularidade destrói qualquer capacidade de fornecimento de componentes, qualquer planejamento de pessoal, qualquer política espacial digna deste nome.

    O que o programa espacial deveria fazer é concentrar seu foco em UM lançador e UMA plataforma (PMM) e contratar pelo menos 7 missões em uma década, isto revitalizaria a industrial espacial, no sentido amplo, de fornecedores a pessoal.

    Estamos falando de contratar. Assinar contrato com fornecedores, remunerá-los, acompanhar a entrega do hardware e não apenas produzir Power Point com projetos mirabolantes que não saem do papel.

    Ai sim com pelo menos 2 ou 3 foguetes disponíveis ( e contratados no papel e não só em discurso político) em um horizonte de digamos 7 anos programas como o SARA dariam belos frutos científicos e tecnológicos.

    No programa espacial DE HOJE é um satélite que dificilmente dará resultados científicos, apenas tecnológicos, um triste desperdício de talento, haja vista a grande competência de engenharia necessária para projetá-lo.

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    1. Só um correção Eng. João Dallamuta. Na realidade foram 10 satélites e não houve um SCD-1B e sim um SCD-2A. Os outros dois foram nanossatélites, ou seja, o UNOSAT -1 e o primeiro deles todos, o DOVE. Bom dito isso eu concordo com as suas colocações, ou pelo menos a maioria delas, mas não creio que o SARA não venha ser útil para o PEB, apesar de concordar que não será quanto poderia e deveria devido ao que o senhor já colocou. Mas a questão aqui Eng. Dallamutta gira em torno da falta de interesse do governo no programa espacial. A existência do Projeto do SARA não tem um peso tão significante assim na não realização dos projetos de veículos lançadores, nem financeiramente, nem a nível de recursos humanos, pois as equipes que trabalham nesse projetos são distintas, com exceção (creio eu) da equipe que trabalha no projeto do VLM-1, mas esse é um caso a parte, pois é um projeto que também conta com recursos financeiros e humanos da Alemanha. Em outras palavras, mesmo que o SARA não existisse, estaríamos mesmo assim sem os veículos lançadores. Para o senhor ter uma ideia, esse ano o IAE solicitou R$ 60 milhões para o VLS-1 VSISNAV, mas só vai receber R$ 16 milhões. Em minha opinião Eng. Dallamutta, toda esperança agora nessa questão gira em torno do VLM-1 e é nele que estou apostando as minhas fichas. É pouco? É, mas temos de encarar a nossa realidade e ela se chama DILMA ROUSSEFF, pelo menos até o final de 2014.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  4. Ola Duda;

    Obrigado quando a correção referente ao SCD-2A. Eu não considerei o UNOSAT nem o DOVE em meus critérios por considera-los ou extensão de um outro hardware já existente ou um CubeSat COTS cujo desenvolvimento tecnológico é pequeno a ponto (de no meu entender) ser considerado um programa de satélite.

    Mas são critérios subjetivos meus apenas.

    Sobre o SARA

    Eu não estou dizendo que o SARA tem algum peso na não realização de outros projetos.

    Estou dizendo o contrário.

    O projeto SARA é um desenvolvedor de engenharia espacial e um acelerador de competências tecnológicas.

    Seus ganhos tecnológicos são importantes e como disse no começo do meu texto é um passo para a maturidade de engenharia espacial que todo programa espacial no mundo um dia tomou.

    A minha critica (na verdade o meu lamento) é que INFELIZMENTE no programa espacial DE HOJE haverá poucas oportunidades de lança-lo e isto reduziria os ganhos científicos do programa.

    Porem, quem sabe não aconteça com o SARA o mesmo que aconteceu com os foguetes de sondagem. Um parceiro estrangeiro não enxerga nele um hardware de qualidade e custos competitivos e o SARA não seja empregado por outras nações em programas científicos de microgravidade.

    A equipe de projeto esta fazendo a sua parte, desenvolvendo a espaçonave e buscando a homologação. Este é o caminho.



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    1. Olá Eng. Dallamuta!

      Entendo o que o senhor quer dizer e concordo, e lhe informo que os objetivos do SARA são bem maiores do que os apresentados, inclusive com planos que se concretizados levarão o Brasil a um patamar como nação espacial invejável no mundo. Entretanto é um projeto que precisa ser acelerado não só para alcançar os objetivos previstos e em estudos, mas também para se aproveitar de uma pequena janela comercial que ainda existe na Europa e assim seguir o exemplo dos foguetes de sondagens como bem lembrou o senhor. De qualquer forma essa janela comercial na América do Sul e Central é ainda enorme e quanto mais rápido aprontarmos o SARA, mais rápido poderemos nos aproveitar desse mercado. No planos da equipe do Dr. Loures o SARA Suborbital 1 será lançado esse ano, e o SARA Suborbital 2 em 2015, talvez através de um VS-50 (como parece ser a preferência deles) ou através de outro VS-40. Entretanto com o "ED" eu não acredito nessa segunda possibilidade. Aproveito a oportunidade para parabenizá-lo pelo andamento do projeto do MiniSat.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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