Empréstimos para Salvar Cyclone 4

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia publicada ontem (15/04) no jornal “O Globo”, destacando que a Ucrânia pede ajuda financeira para honrar o projeto do Cyclone 4 com o Brasil.

Duda Falcão

Empréstimos para Salvar Cyclone 4

Ucrânia pede ajuda financeira para
honrar projeto espacial com o Brasil

Roberto Maltchik
O Globo
15/04/2011

BRASÍLIA - Sem dinheiro para bancar a parceria espacial com o Brasil, o governo da Ucrânia obteve aval do Parlamento para contrair empréstimos em bancos internacionais e, com isso, impedir o fracasso do plano de lançar da base de Alcântara, no Maranhão, o Cyclone 4, foguete em construção na ex-república soviética. A partir de agora, o governo ucraniano buscará financiadores para tapar o buraco no caixa da Alcântara Cyclone Space (ACS), binacional criada para gerenciar o projeto espacial, orçado em cerca de R$1 bilhão.

Além de renovar as perspectivas do programa Cyclone 4, a mudança no Código Orçamentário da Ucrânia diminui o constrangimento esperado para a visita ao Brasil do presidente Viktor Yanukovich, prevista para maio. Em 2010, a Ucrânia deveria injetar US$95,9 milhões na ACS. Entretanto, os depósitos alcançaram apenas US$7,3 milhões (7,6%). A Ucrânia chegou a pedir ajuda financeira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apoio que foi negado por ferir a legislação brasileira.

Desidratada e criticada por sua contaminação política, a ACS já adiou em dois anos a previsão do lançamento do primeiro modelo de teste, agora marcado para 2012. Nos bastidores do programa, fala-se que o prazo dificilmente será cumprido. A ACS não informa o tamanho da diferença entre os aportes realizados por Brasil e Ucrânia.

Dirigida até 25 de março pelo vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, a empresa acumula gastos administrativos, como R$224,2 mil em automóveis. No início do ano, técnicos da Aeronáutica chegaram a sugerir ao ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, que abortasse o projeto. Segundo nota divulgada pela ACS, o novo aporte de recursos da Ucrânia deve ocorrer no fim de maio, mas a empresa estatal não divulga o valor. Mercadante encomendou ao novo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp, um amplo diagnóstico sobre o funcionamento da ACS. O governo ainda não indicou o substituto de Amaral.


Fonte: Jornal O GLOBO - 15/04/2011

Comentário: Pois é amigos já havíamos anunciado aqui que o governo ucraniano obteve aval do Parlamento para contrair empréstimos em bancos internacionais (veja a nota "Aprovada Lei na Ucrânia que Favorece o Cyclone-4") o que dará uma sobrevida a essa mal engenhada empresa, já que foi uma das condições impostas pelo ministro Aloizio Mercadante para que o Brasil seguisse com o projeto. Infelizmente ao que parece esse projeto será tocado sem qualquer mudança significativa. Deus proteja a população Maranhense e as pessoas que trabalhão ou ainda irão trabalhar em Alcântara, para que não haja um acidente, porque se isso ocorrer, vocês serão responsáveis por talvez o maior acidente com vítimas de toda história registrada na América Latina. Lembre-se que a capital São Luiz está bem próxima de Alcântara e ao alcance de uma nuvem tóxica. (Explica-se: Devido o alto risco de ficar transportando a Hidrazina de um lado para o outro, o projeto prevê a construção de um enorme depósito desse combustível altamente tóxico nas instalações da ACS em Alcântara. Num caso de acidente com explosão do depósito uma nuvem altamente tóxica seria imediatamente gerada e só deus pode avaliar quais seriam as conseqüências, já que além de Alcântara os ventos poderiam carregar essa nuvem para a capital São Luiz e quem sabe até onde mais).  

Comentários

  1. Acho que todo dinheiro que esta sendo investido na ACS , fosse investido no projeto Cruzeiro Do Sul ,hoje o programa espacial brasileiro estaria em outro patamar.

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  2. Olá André!

    Certamente estaríamos numa situação melhor, é verdade. Porém, devo lhe lembrar que o problema não se resume a recursos financeiros. Outra situação crítica do programa e talvez a pior delas é o déficit de recursos humanos e a perda do que se tem para iniciativa privada ou por aposentadoria. Só para você ter uma idéia o quadro de servidores do INPE, IAE e no IEAv hoje é 30% do que era na década de 80, e deteriorando rapidamente. Estive visitando laboratórios no IAE e no IEAv onde em alguns deveriam ter 30 pesquisadores e quando muito tinha 3 ou dois e as vezes 1 pesquisador. Como se leva pelo menos uma década para se formar um pesquisador nessa área, a solução além de investir pesado na formação de novos pesquisadores abrindo novos cursos de engenharia aeroespacial nas universidades brasileiras, será necessário a importação de pesquisadores e técnicos estrangeiros por pelos menos esses mesmos 10 anos, preferencialmente da Rússia e da Ucrânia e principalmente da área de tecnologias críticas, já que eles em minha opinião viriam por uma valor mais em conta do que os europeus e americanos.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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