SOS para o PEB

Olá leitor!

Trago agora para você a concepção artística da futura “Estação Espacial Chinesa” prevista para estar completa por volta de 2020. Este desenho foi divulgado pelo jornal chinês “China Daily” em 26/04/2011.

(Photo: China Daily)

O governo brasileiro precisa acordar para a importância de se investir com consistência e seriedade no setor espacial do país para que no futuro não venhamos pagar um preço muito alto. O mundo caminha para o espaço e o descaso de seguidos governos nos levou a atual situação de ser o único país que tentou o acesso ao espaço sem sucesso tendo como agravante o fato de ser o quarto programa espacial mais antigo do mundo.

Muito em breve o acesso ao espaço para satélites e experimentos científicos e tecnológicos não será mais um parâmetro tão importante, pois muitos países já terão transformado esse objetivo em algo corriqueiro, estando anos luz de distância desse feito e talvez alguns deles já no estágio alcançado atualmente pela China, Índia e Japão. Estão nessa lista países, como Israel, Iran, Paquistão, Argentina, Canadá e talvez a Austrália.

Infelizmente o nosso programa espacial nunca foi visto como prioridade pelo governo nesses 50 anos de existência (tendo seu melhor momento durante a época dos governos militares e durante o governo Sarney), apesar de em alguns momentos (como no governo do humorista LULA) ter sido vendido para a sociedade como um programa estratégico.

O PEB passa por problemas sérios que precisam ser resolvidos com urgência e com a seriedade e o dinamismo que um setor como esse exige, para que possamos obter os resultados esperados.

Precisamos fazer até 2015 o que não foi feito em 50 anos, e a nossa esperança é que o Marco Antônio Raupp seja o condutor dessa mudança de mentalidade que nos leve a um programa espacial focado na busca por soluções que venham resolver os problemas de nossa sociedade, com o dinamismo e a seriedade que essa área exige, para que assim finalmente possamos obter o retorno do investimento feito até hoje.

Entretanto, para atingir esse objetivo, o Rauppjet que vem trabalhando com afinco desde que assumiu o cargo de presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), precisará contar com o apoio incondicional do governo da presidente Dilma Rousseff e do ministro Aloizio Mercadante, caso queira atingir o objetivo de ter pelo menos um veiculo lançador brasileiro em 2015 a disposição, que possa colocar em órbita pelos menos os satélites baseados na Plataforma Multi-Missão (PMM) previstos no atual PNAE (Amazônia-1, Lattes-1, GPM-BR, MAPSAR).

Caso isso não aconteça (e sinceramente não acredito que seja esse o caminho que a DILMA adotará) estaremos na dependência do uso inadequado do foguete ucraniano CYCLONE-4 (caso o mesmo já esteja à disposição, o que é bastante provável, lembrando que além de tóxico o seu uso é economicamente inadequado para satélites da classe da PMM devido ao baixo peso), dando uma possibilidade de sobrevida a esse desastroso acordo para o Brasil.

Alternativa existe e está em curso, como o projeto do VLS-Alfa do “Programa Cruzeiro do Sul” que depende do desenvolvimento do motor-foguete líquido L75. Entretanto, quando estive em São José dos Campos, em conversa com o coordenador deste projeto, o mesmo deixou entender que esse motor só estará à disposição dentro de 8 a 10 anos, tempo inadmissível para os objetivos do PNAE.

Talvez a solução fosse à compra de um motor similar ao L75 na Rússia (se aproveitado do acordo em curso) enquanto o L75 não fica pronto, e a partir da aí, partir para a finalização do VLS-Alfa em tempo de cumprir essa meta de 2015.

Vale lembrar que o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) espera em 2015 está com o protótipo do “Veiculo Lançador de Microsatélites (VLM-1)” pronto para o seu vôo inaugural, visando atender ao lançamento (suborbital) do experimento alemão SHEFEX III. Para tanto, o IAE já iniciou o desenvolvimento do motor-foguete sólido “S50” que será utilizado no primeiro e segundo estágios desse foguete.

Uma boa notícia para o PEB, não resta dúvida, pois a existência desse lançador certamente estimulará as pesquisas e o desenvolvimento de novas tecnologias espaciais nas universidades e centros de pesquisas do país, quadro extremamente necessário para a sustentação do próprio programa espacial. Entretanto, tudo dependerá do apoio do governo DILMA e da seriedade como o programa será conduzido em seu governo. Vamos aguardar os acontecimentos.

Duda Falcão

Comentários

  1. Olá Duda Falcão

    Neste ano deverá ser lançada a nova programação do nosso programa espacial, com a nova carteira de programas. A gente sabe que estão sendo realizados vários seminários/eventos/reuniões nesse sentido. Algum tempo atrás falava-se que seria a maior revisão até então.
    Acho que a nova equipe do MCT está disposta a mostrar serviço. Ou assim esperamos.


    abraços

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  2. Olá Raul!

    É verdade Raul, reuniões têm sido feitas, discussões tem sido realizadas, mas esse movimento já foi realizado em outras oportunidades (mesmo em menor escala) e acabou não dando em nada, pois como eu disse, depende do governo executivo. Estou cansado de promessas Raul e de papo-furado, quero é ação e até que isso venha acontecer, me resguardo em não acreditar. Entretanto, até dezembro saberemos realmente quais são as reais intenções do governo DILMA e ai teremos a certeza do que ocorrerá com o PEB nesses próximos quatro anos.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  3. Melhor peso e incentivo é o povo. Quantas pessoas no Brasil sabem da existencia do PEB? e quantas das que sabem tem conciencia da sua importancia?
    A opinião publica exigindo seriedade no desenvolvimento do programa seria de muitissima ajuda, afinal, depositar as esperanças no atual governo é praticamente já apontar um culpado pra mais uma evidente catastrofe administrativa. Quero ver a imprensa fazendo peso no assunto, o povo enchendo o saco dos senadores e etc... se não aparece verba adiminstradores de verdade e vontade como se por milagre.

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  4. Olá scratred!

    Você está com toda a razão amigo. Não existe no mundo programa espacial exitoso que não tenha contado com o apoio de seu povo. Para tanto, houve desde o inicio nesses países a preocupação com a divulgação de seus programas espaciais junto as suas sociedades. Inicialmente, como na Rússia e nos EUA (durante a guerra fria), onde ambos visaram fazer propaganda da supremacia tecnológica espacial de seus países, mas que depois se tornou uma máxima para todos os outros países, devido ao seu alto custo e seu alto risco se chegou a conclusão que seria necessário o apoio de seus povos para assim se obter o apoio político necessário para a continuidade desse programas. No Brasil, isso infelizmente ainda não existe e a nossa população é totalmente desinformada e ignorante em tudo que se refere ao espaço e seus benefícios. Consequentemnte a classe política não tem interesse pelo programa, já que o mesmo não dá voto.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  5. Aquele ditado seguido a risca pelo nosso programa espacial, "devagar se vai ao longe", na verdade NÃO SERVE PRA NADA. Não é assim que um programa espacial funciona. Planeja para executar ao longo de uma década um projeto e ainda sim, não sai do papel. Tá na hora do Brasil acordar e aprender que :

    "DEVAGAR NÃO CHEGA A LUGAR NENHUM !!!"

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  6. Pois é Ricardo!

    Confesso que estou desestimulado e pensando se realmente vale a pena continuar com meu trabalho de divulgação.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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