Ministro Jobim Abre III Seminário de Defesa da LAAD

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada ontem (13/04) site da Força Aérea Brasileira (FAB) destacando a abertura dia 12/03 do III Seminário de Defesa da LAAD pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Duda Falcão

Ministro da Defesa Abre
III Seminário de Defesa da LAAD

Agência Força Aérea
13/04/2011 - 14h08

Soberania é um compromisso do Brasil, e o investimento em ciência e tecnologia é fundamental para cumprir essa missão. Foi essa idéia apresentada pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim, na abertura do III Seminário de Defesa, realizada nesta terça-feira. O Seminário faz parte da programação da LAAD 2011, que acontece até o próximo dia 15 no Rio de Janeiro.

"Não temos inimigo, não representamos ameaça a ninguém, mas isso não quer dizer que abriremos mão da nossa soberania", afirmou o Ministro. Segundo ele, há uma disparidade entre o poder político-econômico do Brasil e os nossos gastos militares, o que seria uma ameaça para as riquezas do país. "Não podemos permanecer alheios ao mundo, porque o mundo não está alheio a nós", disse.

Nelson Jobim lembrou ainda que a Estratégia Nacional de Defesa definiu os pontos de partida para vários aspectos da política de defesa. Em ciência e tecnologia, os focos são a energia nuclear, a pesquisa espacial e a cibernética. Para o Ministro, grandes desafios para o Brasil. "A modernização tecnológica de nossa estratégia militar demandará esforço das nossas instâncias políticas e administrativas", conclui.

O Desafio Espacial

Intitulado "Desafio do Desenvolvimento Tecnológico das Forças", o primeiro painel de discussões do III Seminário de Defesa contou com a presença do Brigadeiro-Engenheiro Francisco Carlos Melo Pantoja, diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

Ele explicou que a conquista do espaço traz avanços para a tecnologia, defesa e economia, em aplicações como metereologia, alerta de catástrofes e controle do espaço aéreo. Com essa meta, o DCTA já conta, hoje, com dois centros de lançamento, um em Alcântara (MA) e outro em Natal (RN).

Mas, para o Brigadeiro Pantoja, alcançar a excelência em uma área de ponta depende de um planejamento detalhado desde a base da pesquisa. "É preciso ter investimento na ciência básica, se não o ciclo não fecha", explicou. Segundo ele, é estimado um tempo de 10 a 15 anos para um conhecimento se tornar uma inovação industrial, daí a necessidade de investimento.

O Brigadeiro apresentou o modelo de pesquisa aeronáutica do DCTA, que começa com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ensino), passa pelo Instituto de Estudos Avançados e Instituto Aeronáutica e Espaço (desenvolvimento de tecnologia) e termina com o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial, que leva a inovação ao mercado.

Somente por meio de um fluxo assim seria possível descobrir aplicações antes impensáveis para uma pesquisa. "O resultado da tecnologia espacial não é só direto. Pode-se ter o estudo em uma área e um resultado para outra", exemplificou.


Fonte: Sita da FAB via NOTIMP

Comentário: Como você leitor deve lembrar estive semana passada no “5º SePP&D” em São José dos Campos (SP). Durante os dois dias do evento estive conversando com o Brig. Pantoja e o Brig. Kasemodel sobre diversos assuntos e entre eles o VLS. É clara a preocupação desses militares quanto ao vôo do VLS-1 XVT-01 que poderá não ocorrer em 2012, por conta da diminuição de recursos. Segundo o que está programado, o lançamento do VLS-1 XVT-01 ocorrerá em 2012, o do XVT-02 em 2013 e finalmente o quarto vôo de qualificação do VLS-1 VO4 em 2014. É verdade que o COMAER está lutando através de reuniões com o Ministério da Defesa para que esse atraso não ocorra, mas vai depender muito da DILMA. Também ficou claro para mim a intenção do COMAER de não prosseguir com o programa do VLS-1 após este quarto vôo de qualificação. Vale lembrar leitor que paralelamente ao programa do VLS-1, já se encontra em desenvolvimento pelo IAE o VLM-1 em parceria com o DLR, além de que também existe uma luz no final do túnel muito promissora para se acelerar o lançamento do VLS-Alfa, segundo eu pude constatar em conversa com o coordenador do “Programa Cruzeiro do Sul”. Entretanto, todos esses planos dependerá da liberação de recursos do governo DILMA, tendo talvez uma menor influência nesta questão o programa do VLM-1, já que o mesmo conta com o apoio do DLR. No entanto, já desconfiava que esse atraso pudesse ocorrer desde que assistir o discurso do ministro Aloizio Mercadante durante a posse do Marco Antônio Raupp na AEB. Naquela oportunidade ele disse: “O ano de 2012 pode ser um ano importante de reflexão do Programa Espacial Brasileiro, o VLS, a possibilidade de lançamento do Cyclone-4 e avançarmos no programa com a China lançando o nosso novo satélite CBERS. Portanto é um ano de reflexão, um ano que nós vamos mostrar resultados, um ano importante na história do Programa Espacial Brasileiro. Não sei se vamos conseguir manter todas essas frentes em 2012, mas uma parte importante delas seguramente será concluída, e concluída, nós estaremos mostrando um salto de qualidade e criando condições para avançarmos mais adiante”. Ora leitor, não sei se você irá concordar comigo, mas em minha opinião o ministro estava preparando o terreno político para as reais intenções do governo, ou seja, tentar lançar o CBERS em 2012.

Comentários

  1. Depois do quarto voo do VLS , vão partir pro VLS-ALFA ?

    Estava pensando, o motor L75, possui 75kn de empuxo certo ?
    Porque não juntar uns 4 L75 em um mesmo estágio, assim ficaria um estágio com 300kn de empuxo.

    Agora vem a minha dúvida, 300kn de empuxo da pra levar quantos kg de carga útil ?

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  2. Olá Ramir!

    A idéia é partir para o VLS Alfa antes disso e lança-lo pouco depois do VLS-1. Porém isso é apenas uma idéia, já que o IAE precisará garantir os recursos necessários para que esse objetivo seja atingido.

    Quanto a montar o L75 em cacho, esse é o objetivo a ser utilizado nas outras versões dos foguetes do "Programa Cruzeiro do SUL", mas novamente esbarramos na qustão dos recursos.

    Quanto a quantidade de kg que 300kN de empuxo pode levar de carga útil, eu não sei lhe responder. Talvez algum leitor do blog possa, fique atento.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  3. Olá Ramir!

    Conseguir a sua resposta. No caso do VLS-Alfa o motor L75 tem a capacidade de colocar algo como 500kg de carga útil em órbita baixa (LEO).

    Já quanto aos 300kN de empuxo, depende do tamanho foguete. Lhe pergunto: Quanto quilos um automóvel pode carregar? Pois então, o mesmo conceito se aplica no foguete, entende? Além disso irá depender de uma série de outros fatores como: a velocidade no final do estagio em que o motor será acionado, a altitude, a órbita a qual você quer colocar o satélite, a inclinação da órbita, o ponto de lançamento, os materiais que compoem o último estágio se são de primeiro mundo em titânio ou de segunda linha em aço, entre outros.

    Abs

    Duda FAlcão
    (Blog Brazilian Space)

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  4. Não há o que agradecer Ramir, estamos aqui para informar o leitor da melhor forma possível.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  5. Olá Ramir,

    Um empuxo total na faixa dos 300 KN está na faixa do que era utilizado pelo foguete Diamant Francês (1 motor Vexin com 270 a 400 KN dependendo da versão e da altitude), que levava cargas na faixa dos 150 Kg.

    É mais ou menos a capacidade de carga esperada para o novo projeto do VLM, e acho que não valeria à pena desenvolver um foguete de combustível líquido da mesma categoria, já que os recursos não estão sobrando.

    Motores na faixa dos 75 KN são basicamente para uso em estágios superiores, para o primeiro estágio de um foguete válido na atualidade temos que começar a pensar em algo na faixa dos 250 KN para cima.

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