Orbital Engenharia - Um Grande Exemplo a Ser Seguido

Olá leitor!

No Brasil, poucas são as empresas brasileiras que trabalham no área espacial e algumas delas atuam também na área de Defesa entre outras, tentando com isso sobreviver à irresponsável falta de vontade política para com o Programa Espacial Brasileiro que impera no governo brasileiro desde o ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Dentre as mais conhecidas podemos citar a MECTRON que hoje pertence ao Grupo Odebrecht e atua também no setor de Defesa, a Opto Eletrônica que além da área espacial atua também na área Médica, de Antirreflexo e de Óptica industrial (empresa de alta tecnologia de suma importância para o Brasil que segundo os bastidores está correndo o sério risco de ser vendida a qualquer momento ao grupo europeu SAFRAN), a Avibrás que tem a área de Defesa como o seu principal foco, mas atua também na área de Transporte Civil e infelizmente ainda de forma bastante tímida na Área Espacial, e a Orbital Engenharia que é uma empresa que atua nas áreas Aeronáutica e Espacial e que é hoje o foco de nosso artigo.

Criada em março de 2001 pelo Doutor em Engenharia Mecânica e Aeronáutica formado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (ITA), o Dr. Célio Vaz da Costa, a Orbital que ainda hoje é presidida com competência comprovada pelo Dr. Célio Vaz, tornou-se a primeira empresa brasileira qualificada para projetar, fabricar, montar, testar e integrar Geradores Solares para aplicações aeroespaciais.

A empresa que se localiza estrategicamente na cidade de São José dos Campos (SP), próxima dos seus principais clientes, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) e a Embraer, além de universidades e de seus fornecedores e outros players envolvidos com as atividades do Setor Aeroespacial Brasileiro, conta com uma competente equipe formada por profissionais altamente especializados e qualificados, alocados em áreas de engenharia, design, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, produção e administração.

Envolvida diretamente desde sua criação com a história recente do Programa Espacial Brasileiro (PEB), a empresa logo que foi criada identificou que se quisesse ser competitiva no mercado de alta tecnologia ligado ao Setor Aeroespacial, e com isso gerar valor agregado aos seus produtos, teria de buscar um caminho que possibilitasse atingir seus objetivos.

Assim sendo, iniciou a sua trajetória vitoriosa participando do “Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)” da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), através do projeto intitulado “Geradores Solares para Aplicações Espaciais”. Desde então, a empresa desenvolveu e qualificou toda a tecnologia necessária para a fabricação de geradores solares (painéis solares) para aplicações aeroespaciais, tornando-se assim a primeira empresa brasileira qualificada em todo processo de fabricação e qualificação destes geradores neste setor.

A partir de então a empresa se qualificou para participar e vencer as licitações para projetar e fabricar geradores solares dos seguintes satélites do Programa Espacial Brasileiro:

* Satélite Tecnológico (SATEC);

* Plataforma Multi-Missão (PMM);

* Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres CBERS-2B;

* Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres CBERS 3; e

* Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres CBERS 4.

Dando sequência as suas atividades na área espacial a empresa então buscou diversificar participando conjuntamente com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do desenvolvimento técnico do pacote de dados do processo de revisão do Foguete de Sondagem Brasileiro (VSB-30), foguete este que posteriormente obteve com sucesso da Agencia Espacial Europeia (ESA) a sua qualificação, tornando-se assim o primeiro foguete sondagem brasileiro a ser qualificado para ser lançado na Europa.

Vale também dizer leitor que a Orbital já fabricou seguindo projeto do IAE algumas unidades de equipamentos eletrônicos empregados no foguete VSB-30, tendo inclusive um modelo de bateria desenvolvido pela própria empresa voado em um desses foguetes, apesar de não ser o modelo empregado correntemente. Além disso, eventualmente a Orbital participa do processo de fabricação dos equipamentos eletrônicos e da integração do cone de adaptação (parte superior do VSB-30 onde são posicionados os equipamentos que controlam o foguete), mas novamente neste caso os projetos destes equipamentos tem como origem o IAE.

Atualmente ainda na área de foguetes e suas tecnologias associadas o Orbital Engenharia participa conjuntamente com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) de dois importantes projetos do PEB, são eles:

* A Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM) - Plataforma de suma importância para que possamos ter o domínio completo da utilização de missões espaciais suborbitais de pesquisas científicas e tecnológicas em ambiente de microgravidade.

* Sistema de Alimentação de Motor Foguete (SAMF) - Outro importante projeto este na área de propulsão líquida que teve recentemente seu teste em voo realizado pelo IAE com sucesso (apesar do mesmo infelizmente não ter sido projetado para ser utilizado como o Motor L5 que foi usado neste teste de voo) durante as atividades da Operação Raposa.

Vale lembrar também que a empresa participou conjuntamente com o IAE, e em sua primeira fase com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do importantíssimo projeto de desenvolvimento do Motor Foguete Líquido L15 (o mesmo que deveria ter sido testado conjuntamente com o SAMF durante a realização da Operação Raposa), mas que em sua fase final de desenvolvimento por exclusiva falta de recursos financeiros (outro souvenir do desgoverno DILMA ROUSSEFF) o projeto infelizmente teve de ser cancelado pelo seu gestor, ou seja, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Vale dizer também que demonstrando ser uma empresa de visão apurada, a Orbital agora está em busca de abrir novos mercados, e assim começa a caminhar em direção ao mercado internacional, e duas de suas recentes iniciativas bem sucedidas são uma clara demonstração deste objetivo.

Recentemente a Orbital Engenharia foi uma das quatro empresas fornecedoras das SCA's (Solar Cell Assembly) utilizadas pela empresa inglesa Surrey Satellite Technology LTD (SSTL) na fabricação do painel solar usado pelo satélite científico de demonstração tecnológica TechDemoSat 1 (saiba mais clicando aqui) desenvolvido por esta empresa inglesa, satélite este lançado com sucesso através de um foguete russo Soyuz em julho deste ano.

E em agosto deste ano a empresa assinou um “Acordo de Cooperação” com a empresa “China Great Industry Corporation (CGWIC)” e com o instituto “Shanghai Institute of Space Power-Sources (SISP)”, ambos chineses, e segundo o que foi dito pelo o Dr. Célio Vaz na oportunidade, o acordo prevê a representação comercial dessas duas instituições no Brasil pela Orbital, bem como também o desenvolvimento conjunto de novos projetos e produtos.

Vale lembrar que a Orbital produz os seguintes equipamentos eletrônicos utilizados em projetos espaciais:

* Modelo de Aquisição de Dados - MAD

* Módulo de Comutação e Distribuição

* Baterias

* Temporizador Programável -TP

E na área de “Monitoramento e Simulação Ambiental” a empresa produz os seguintes equipamentos:

* Simulador Solar

* DataRad

* Radiômetro Global

Vale lembrar também que além disso tudo a Orbital foi a empresa responsável pelo projeto da estrutura do Telescópio do CTA para o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, e também mais recentemente foi a fornecedora dos paneis solares do misterioso nanosatélite do Programa SERPENS da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Finalizando (com o intuito de estimular a curiosidade de nossos leitores) o Blog BRAZILIAN SPACE obteve a informação de que a Orbital Engenharia já esta em negociações com outra importante instituição brasileira para desenvolverem conjuntamente outro projeto de suma importância para PEB (acreditem), mas que infelizmente ainda não temos autorização da empresa para divulgarmos.

É por essas e outras que a empresa Orbital Engenharia e vista pelo Blog BRAZILIAN SPACE como um grande exemplo de sucesso a ser seguido por todos aqueles que pretendem atuar dentro deste importante setor de alta tecnologia de nosso país. Esta sim uma verdadeira empresa brasileira de sucesso. Avante Orbital.

Duda Falcão

Comentários

  1. Só espero que não vendam ela pra empresas estrangeiras, como já aconteceu com várias outras.

    No mais, parabéns!

    PS.: será que esse novo projeto tem alguma relação com o anúncio que a AEB fará no começo do mês quem vem?

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    1. Olá Rodrigo!

      Respondendo a sua pergunta não, e talvez o tal anúncio da AEB já tenha sido feito e seja a informação do lançamento do ITASAT-1 através do foguete Falcon 9 da SpaceX. Caso não, não tenha grandes esperanças quanto a este anúncio.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  2. Algumas coisas me chamam atenção...

    1) Como pode o IAE demorar tanto para fazer um vídeo de uma missão como da Operação Raposa? Lá se vão quase um mês e nada! Absolutamente nada!

    2) Como pode o Programa Espacial Brasileiro receber mais dinheiro - e isso é um fato, gostemos ou não, com ou sem críticas, ressalvando que NÃO estou dizendo que sejam suficientes, longe disso, mas apenas que quatitativamente é maior - que o que é investido na Argentina, e eles avançarem mais que nós?

    A conclusão que chego é que, na verdade, gastamos mal e ineficientemente o dinheiro público. As instituições envolvidas no PEB, que são sim capazes e competentes para fazer o programa ir adiante, com pessoal altamente qualificado, parece que, por meio de suas lideranças, também não têm muito interesse de fazer e mostrar avanços.

    Tenho a real impressão que é muito cômodo para estas instituições nacionais o atual patamar de "do jeito que está, está ótimo". Vê-se reclamando que não há verbas suficientes, isso é um fato inegável, mas não se pode imputar a tudo a falta de dinheiro. Até projetos que têm dinheiro não avançam, e não me parece, como mero observador, que haja interesse para mudar esse cenário.

    O caso do vídeo da Operação Raposa, que como exemplo é até pouco, mas, por outro lado é bem didático: o DCTA, o IAE e a FAB não mostram muito interesse em divulgar o atual status do programa, nem para sensibilizar a opinião pública isto é feito. Para mim, isso é um fato que colabora com a tese do "deixa como está"!

    Quando vejo o argumento do "não temos recursos", olho aqui do lado a Argentina que tem INFINITAMENTE menos recursos aportados ao desafio espacial, mas mesmo com o pouco que têm gastam com eficiência e mostram resultados que nós patinamos para fazer. Nós, ao contrário deles, tendo numericamente mais recursos (reforço: não digo que são suficientes de maneira nenhuma!!!) não conseguimos mostrar do que somos capazes. E para mim é por uma obvia questão: os envolvidos não gastam com eficiencia, não tem FOCO nos objetivos a serem alcançados e, sendo assim, podemos colocar centenas de BILHÕES de dólares no programa que nada vai sair, nunca!

    Não adianta ficarmos atacando o governo como único culpado. O governo tem parcela maior de culpa na medida que não inverte o suficiente, mas quem é responsável por fazer acontecer com o pouco que se tem, tão pouco tenta fazer "do limão uma limonada", como muitos outros fazem. A criatividade brasileira de superar desafios emperra sim na falta de verbas, é inegável, mas emperra sobretudo na falta de interesse de colocarem, por vezes, os cérebros para funcionar de modo dinâmico, eficiente e pragmático.

    Por fim, ou se toma o programa de forma profissional e deixemos de brincar de PESQUISAS ACADÊMICAS (sim! é isso que o IAE faz hoje!) na área espacial, ou realmente jamais chegaremos a algum lugar, com ou sem dinheiro investido. Se a Argentina nos passar por cima na área espacial, TODOS serão culpados, sem exceção!

    Desculpem o longo desabafo.
    Abraços, André.

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    1. Caro André!

      Respeitamos a sua opinião, mas não concordamos com ela, já que a mesma não condiz com a realidade dos fatos, não só com relação ao Brasil, como também em relação a Argentina que já esta investindo mais que o Brasil no setor espacial.

      Transferir a responsabilidade pelo que está acontecendo para os técnicos e pesquisadores que bravamente lutam para apresentar resultados neste importante programa para o nosso país, é tentar distorcer a realidade dos fatos. Programa espacial se faz com dinheiro e compromisso do governo que é seu gestor, e no Brasil não temos nem uma coisa nem outra.

      As instituições envolvidas com o PEB são apenas órgãos executores que só podem apresentar resultados se houver condições de trabalho para isto, o que no momento não há, e mesmo assim conseguem de vez em quando apresentar algo de positivo.

      Já quando ao vídeo da Operação Raposa o IAE tem tido dificuldades em apresenta-lo (dificuldades que espero possam ser resolvidas) devido (eu acredito) por questões de segurança, já que depois da estupida autorização de nossa debiloide presidentA para que a Boeing instalasse um laboratório em SJC (empresa sabidamente com estreitas relações com a CIA) as coisas ficaram tensas na região, principalmente após a assinatura do COMAER de uma parceria com este laboratório. Portanto amigo, não temos como concordar com as sua colocações, mas as mesmas estão ai para serem debatidas pelos nossos leitores.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  3. ¡Excelente artículo! Es muy interesante.
    Felicitaciones

    Saludos

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    1. Muchas gracias estimado Gustavo

      Saludos desde Brasil

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  4. Apenas teria um pequeno comentário sobre esta reportagem:
    A Orbital foi uma empresa que "desenvolveu" o processo de montagem semelhante que a DIGICOM desenvolveu para entregar os painéis fotovoltaicos do SCD1 e SCD2. Documento anexo apresenta uma noticia do inpe informando a entrega de 27 painéis pela empresa ao INPE para o desenvolvimento do SCD-2 . http://md-m09.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/banon/2005/11.09.13.13/doc/digicon%20produz.pdf

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    1. E hoje ela é uma reles fabricante de catracas.

      Pra vocês verem como nada que presta é valorizado e vai pra frente no Brasil.

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    2. Pois é , uma reles fabricante de catraca, que segundo noticia (http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/tecnologia/noticia/2013/01/grupo-digicon-completa-35-anos-no-setor-de-tecnologia-e-alcanca-mercado-asiatico-4016256.html) em 2012 teve um faturamento de R$ 288 milhões, com 2 mil funcionários.... Quantos funcionários a orbital possui ?

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  5. Ola, não entendo nada do assunto mencionado, entrei na pagina por acaso, justamente por causa do problema com a Odebrecht, lido no site www.conversaafiada.com.br, do PHA, senti VERGONHA de vcs falando mau do Brasil, acredito eu q nem os Chineses devem falar mau do país comunista assim como vcs falam do Brasil, GENTE q coisa horrível, e o outro ainda chama a Sra. Presidente com total falta de respeito de anta, sabe o q parece? Um bando de crianças do jardim da infância falando horrores das balinhas com gosto ruim. Já se perguntaram o q vcs podem fazer p melhorar o Brasil? Ou a globosta e a midia ñ deixam? Cresçam e aprendam a valorizar o país rico q temos, e a Sra. Dilma, se muitos forem iguais a vcs q falam tão mau do Brasil, vai ficar facil, muito FACIL, os lobos virem aqui e tomarem o q temos. CRESCAM, TOMEM VERGONHA NA CARA E PAREM DE FALAR MAU DO NOSSO QUERIDO BRASIL. Se ñ gostam daqui, vão lavar privada nos USA ou na UE. ANTI PATRIOTAS. Vcs deveriam ser presos.

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  6. outra coisa, minha postagem será censurada, claro

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    1. Cara Sra. Nilda Rosa dos Santos!

      Amar o Brasil, todos nós amamos, mas não podemos fechar os olhos para o que está acontecendo. Quanto a tratar a presidentA de "Anta", isto ocorreu na época em que este artigo foi postado no Blog em setembro de 2014. Hoje temos certeza de que ela é muito mais do que isso, ou seja, uma completa "Ogra" debiloide e irresponsável. Respeito Sra. Nilda Rosa dos Santos é algo que se conquista, não com títulos, mas com atitude, bons exemplos e liderança. Já quanto a censura de sua postagem, ela só ocorreu na parte onde lhe faltou educação.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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