Operação no CLBI Marca a Coop. Espacial Brasil-Alemanha

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (25/11) no site do Ministério da Defesa (MD) destacando que o lançamento dos foguete de sondagens “Improved Orion” e “VS-30” do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) marcam a cooperação espacial entre Brasil e Alemanha.

Duda Falcão

Notícias do MD

Lançamento de Foguete de Sondagem na
Barreira do Inferno Marca Cooperação
Espacial Entre Brasil e Alemanha

Assessoria de Comunicação
Ministério da Defesa
(61) 3312-4070
25/11/2011

Foto: Força Aérea Brasileira
Brasília, 25/11/2011 – Para marcar os 40 anos de cooperação internacional entre o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e o Centro Espacial da Alemanha (DLR), o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado nas proximidades de Natal, no Rio Grande do Norte, realiza, às 20h desta sexta-feira (25/11), o disparo de um foguete suborbital Improved Orion, de fabricação norte-americana.

Tripulações da FAB e Marinha do Brasil estarão empenhadas na segurança da operação, interditando o espaço aéreo e marítimo nas proximidades do CLBI. Na Operação Brasil-Alemanha, o veículo e a carga útil serão de responsabilidade do DLR, com a equipe brasileira fazendo a integração, os testes, o lançamento e o rastreio.

Disparado de uma rampa móvel, o Orion é um foguete de sondagem monoestágio, não guiado, estabilizado por aletas, que pesa 500 kg e utiliza um motor carregado com propelente sólido. Ele atingirá uma altitude entre 95 e 105 km e cairá no Oceano Atlântico após percorrer uma distância em linha reta que pode variar entre 70 e 80 km.

A Operação Brasil-Alemanha prevê ainda o lançamento de um segundo foguete no dia 2 de dezembro: o VS-30 V8, um veículo de concepção brasileira, monoestágio a propelente sólido, com uma massa total da ordem de 1.500 kg. Segundo cálculos preliminares, Seu apogeu deverá estar entre 160 e 200 km, com impacto a uma distância entre 105 e 145 km.

Os dois disparos serão monitorados à distância pelo Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, operando equipamentos de radar e estação de telemedidas.

Pesquisas

O VS-30 V08 carregará dois experimentos científicos, um proposto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e outro pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Este último tem como função básica informar com precisão a posição e a velocidade do foguete ou de um satélite no espaço.

A principal inovação é a incorporação de certas características, principalmente de software, que não estão presentes em receptores disponíveis comercialmente, como a capacidade de funcionar em elevadas altitudes e em altas velocidades sem perder o sincronismo com o sinal recebido da constelação de satélites GPS. Atualmente os receptores GPS utilizados na área espacial, no país, são importados. O experimento conta com a cooperação do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

O evento servirá também para o treinamento dos profissionais do CLBI para operar a estação móvel de telemedidas e o lançador móvel, além de interligar as estações de telemetria, radar e de tratamento de dados de localização das duas bases espaciais brasileiras.

Cooperação

O DLR pretende desenvolver tecnologias para construção de plataformas orbitais recuperáveis e experimentos de reentrada atmosférica que serão posteriormente utilizados em novos projetos de veículos lançadores reutilizáveis e aeronaves hipersônicas. Da parceria entre Brasil e Alemanha surgiram vários produtos, como o foguete de sondagem VSB-30, e projetos, como o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1).

O VSB-30 é um foguete biestágio, que transporta cargas úteis científicas e tecnológicas, de 400 kg, para experimentos na faixa de 270 km de altitude. Para experimentos em ambiente de microgravidade, o VSB-30 permite que a carga útil permaneça cerca de seis minutos acima da altitude de 110 km. Até hoje, foram efetuados onze lançamentos, todos com sucesso.

Projetado pelo Brasil com apoio alemão, o VLM, capaz de colocar micro e nano satélites em órbita, deve ser lançado no Brasil a partir de Alcântara (CLA), no Maranhão, em 2015.


Fonte: Site do Ministério da Defesa (MD)

Comentário: Não há como negar o acerto do DCTA/IAE de ter assinado com o DLR no final dos anos 60 esse exitoso acordo Brasil-Alemanha. O avanço desde então foi bastante significativo (apesar de que poderia ter sido bem maior se o governo tivesse colaborado adequadamente durante o período), e agora parte para uma nova etapa que envolverá o desenvolvimento de um lançador de microssatélites, ou seja, o já por diversas vezes citado VLM-1. Segundo foi divulgado pela edição de nº 10 (out., nov. e dez.) da revista “Espaço Brasileiro” (veja a nota: “IAE Desenvolve Motor para VLM”), o motor-foguete sólido S-50 do VLM-1 deve ter realizado a sua “Revisão Crítica de Projeto (CDR)" em junho desse ano, e em 2012 deverão ser fabricados os primeiros envelopes motores para testes de carregamento, ensaios de pressurização e ensaios estruturais estáticos. Caso esse cronograma esteja realmente sendo seguido, o primeiro ensaio a quente do motor (tiro em banco de provas) deverá ser realizado também em 2012. Enquanto o acordo com a Alemanha avança (não na velocidade que gostaríamos e poderíamos avançar), o mesmo não se pode dizer do “Programa de Microgravidade” da AEB, que continua andando a passos de tartaruga. O que é mais revoltante nesse caso, é que o programa não avança não por falta de tecnologia, afinal temos foguetes como o VS-30, VS-40, VSB-30, VS-30/Orion e em breve o VS-50, além de haver planos anteriores para o V-43 e até mesmo um Sonda IIIA, que poderiam estar servindo a comunidade científica brasileira com uma freqüência satisfatória de vôos em ambiente de microgravidade, e até mesmo a comunidade latina, através de acordos internacionais. É com satisfação que depois de 4 anos (voou pela última vez durante a realização em 2007 da “Operação Angicos” em parceria com a Argentina) observamos nessa “Operação Brasil-Alemanha” o retorno do foguete de sondagem VS-30 as atividades espaciais brasileiras, lamentando e condenando profundamente a falta de atitude de nossos representantes políticos responsáveis até então pela inoperância do “Programa Microgravidade” de nossa agência espacial, afinal sem recursos financeiros adequados, nem mesmo David Copperfield faz milagres. Estamos no final de novembro, próximo de mais um ano de grande importância para o programa espacial de nosso país, onde esperamos realizar grandes feitos, como o lançamento do CBERS-3, o lançamento do VLS-1 XVT-01, o lançamento do VS-40/SHEFEX II, do VS-40/SARA Suborbital, da finalização do projeto SIA, do Projeto SAMF - Sistema de Alimentação de Motor Foguete do VS-15, do Projeto do MFPL L5, entre tantos outros que se encontram em andamento nos bastidores do PEB. Entretanto, para que isso possa acontecer, o governo DILMA e seu ministro menestrel têm de deixar a conversa mole de lado e meterem a mão na massa realizando as modificações e dando o apoio necessário ao programa. Para que assim o PEB possa alcançar seus objetivos previsto para 2012. A esperança de que isso possa acontecer é ainda grande para muitos, mediana para alguns e muito pequena para o grupo que fazemos parte. Entretanto, como a esperança é sempre a última a morrer, vamos aguardar e torcer.

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