IAE Coopera com o Programa GPM-Br


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada hoje (23/03) no site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), destacando que o instituto está cooperando no desenvolvimento de um sistema internacional de medidas de meteorologia.

Duda Falcão

IAE Coopera no Desenvolvimento de um
Sistema Internacional de Medidas de Meteorologia

23/03/2010

O IAE, por meio da Divisão de Ciências Atmosféricas (ACA), está participando do Global Precipitation Measurement (GPM) para auxiliar no desenvolvimento de um sistema mundial de coleta de dados de chuva tropical. O GPM é uma missão internacional envolvendo diversos países e organizações e liderada pela NASA e JAXA, agências espaciais dos Estados Unidos e Japão, respectivamente.

O programa nacional do GPM (GPM-Br) está sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB) e seu braço executor principal é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), tendo também participação do DCTA por meio de organizações subordinadas: o IAE com seus pesquisadores e técnicos para a coleta e análise de dados e o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) com a infraestrutura meteorológica, coleta de dados e suporte logístico.

Sob a coordenação do DCTA, representada pelo engenheiro Mauro Dolinsky, a campanha acontece em Alcântara-MA, sob a denominação de Experimento GPM 2010. Inicialmente prevista para o período 1 a 20 de março, foi estendida até 25 de março pela baixa ocorrência de precipitação no período, incomum nessa época do ano. Diversas equipes se revezam nas instalações do CLA, participando de uma diversidade de experimentos, com a finalidade de estudar, naquela região do país, basicamente a formação de chuvas através de diversos tipos de nuvens.

A análise é efetuada considerando o ciclo de vida da nuvem e seus processos físicos internos. O projeto está centrado no estudo de nuvens quentes, responsáveis por uma grande quantidade de precipitação nos trópicos, especialmente nas regiões costeiras. A região do CLA foi escolhida não só porque grande parte da precipitação está relacionada com a formação dessas nuvens, que não possuem a fase de cristais de gelo, mas também pela boa infraestrutura meteorológica existente no Centro (radar meteorológico, estação meteorológica de solo, sistema de radiossondagem, torre anemométrica, sensores de descarga atmosférica e de campo elétrico). O apoio logístico fornecido pelo Centro também colabora para o sucesso do experimento.

A nuvem quente, que não é considerada na análise de precipitação por satélites meteorológicos, está sendo estudada na campanha visando a melhorias nos modelos de previsão de tempo e na estimativa de precipitação a partir de dados obtidos desses mesmos satélites.

Esses modelos estão sendo aprimorados para fornecer dados com melhor resolução espacial (cerca de 25 km) e temporal (cerca de 3 horas) em toda o globo terrestre. Essa é uma resolução que abrange áreas que não são rotineiramente medidas, como as oceânicas e de difícil acesso.

De acordo com o Programa Espacial Brasileiro, o Brasil participará do experimento do GPM também lançando um satélite para medição de precipitação, previsto para 2014. Essa ação faz parte de um programa de maior abrangência, conhecido por Constelação GPM, para investigação de diferentes regimes de precipitação. As experiências de campo serão realizadas em mais seis locais do globo.

Na configuração global, um satélite principal será equipado com um radar meteorológico, um radiômetro de microondas e uma constelação de sete satélites, incluindo o brasileiro.

A Experiência Brasileira no CLA

Apesar de o volume precipitado ter sido aquém da expectativa para essa estação de chuva em 2010, devido ao evento El Niño no Pacífico equatorial, os equipamentos continuam operacionais, já que a aproximação com a Zona de Convergência Intertropical facilita a ocorrência de chuvas generalizadas na região.

Medidas de radiossondagem são realizadas quatro vezes ao dia (nos horários das 0h, 6h, 12h e 18h UTC) e outras, como as realizadas por radares meteorológicos e torre anemométrica, estão sendo coletadas continuamente.

Os instrumentos meteorológicos utilizados incluem também: um veículo aéreo não-tripulado (VANT) da SIMEPAR (PR); 2 estações meteorológicas de superfície (CLA e INPE); radiômetro de microondas (INPE); LIDAR (do INPE e IPEN, que mede, por meio da absorção de ondas luminosas, a concentração de vapor d’água na atmosfera) e uma aeronave Bandeirante instrumentada (ALPA - Avião Laboratório de Pesquisas Atmosféricas, da UECE), para a medição de diversos outros parâmetros, que coletou dados em 10 horas de vôo.

Equipamentos vindos dos Estados Unidos e da Alemanha, inclusive um ADMIRARI também foram instalados no CLA para a coleta de dados. Esse equipamento, desenvolvido pela Universidade de Bonn e constituído de 2 radiômetros e um pequeno radar meteorológico direcional (banda K), faz medidas complementares a um radar meteorológico de varredura, coletando dados das características das gotas de nuvens.

Até 18 de março ocorreram apenas 6 dias com eventos de chuva, com um total de aproximadamente 30 mm registrados nos pluviômetros. Nos dias 15 e 16 todos o eventos de chuva foram originados por nuvens quentes (lembrando que o principal objetivo do experimento é monitorar chuva de nuvem quente).

Todos os equipamentos registraram as chuvas ocorridas e o trabalho de coleta, estendida até o dia 25, visa a aumentar a amostragem para uma análise mais detalhada pós-campanha.

Participam do GPM 2010 cerca de 50 especialistas, muitos deles em regime de revezamento, incluindo 9 estrangeiros. Além do IAE, do CLA e do INPE (sobretudo o CPTEC), participam ainda o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Instituto Tecnológico SIMEPAR, Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Fundação de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME). Do exterior há participação de especialistas de diversas organizações da NASA, da Universidade do Colorado (EUA), da Universidade de Bonn (Alemanha) e do CNRS (França).

* Foto - Radar Meteorológico do CLA, Doppler, Banda X Dupla Polarização que permite a identificação de chuvas (fracas e médias) até uma distância de 120 km, medindo a quantidade de gotas líquidas e calculando a chuva associada. Pode também estimar o campo horizontal de vento. É o equipamento principal da Operação GPM 2010, com o IAE, INPE e a USP participando com os operadores.


Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

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