Estudo Propõe Discussão de Cenários na Amazônia


Olá leitor!

Segue abaixo uma noticia postada no dia (19/03) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) informando que um estudo elaborado pelo instituto propõe discussão de cenários de futuro na Amazônia.

Duda Falcão

Estudo Propõe Discussão de Cenários de Futuro na Amazônia

19-03-2010

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) realiza um esforço pioneiro de discussão de cenários de futuro em diferentes locais no Pará, com foco em questões de uso da terra e organização social. Neste mês de março os pesquisadores estiveram no Projeto de Assentamento Agro-extrativista (PAE) Lago Grande, em Santarém, primeiro local selecionado para o estudo através da ONG Saúde e Alegria, que há anos desenvolve projetos na área.

O objetivo do estudo, iniciado em 2009 e desenvolvido em parceria com outras instituições, é adaptar métodos participativos de construção de cenários para a realidade da Amazônia, em diferentes escalas e contextos socioeconômicos. Os eixos de análise são infraestrutura, atividades econômicas sustentáveis e uso da terra, organização social e conflitos socioambientais.

“Cenários são narrativas sobre o futuro, que podem ser contadas em palavras ou números. Um cenário não é uma tentativa de prever o futuro, mas de visualizar como o futuro pode se desenvolver, em trajetórias alternativas, consistentes e plausíveis”, explica a pesquisadora Ana Paula Aguiar, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CST) do INPE. “Estudamos se este processo de construção de cenários pode ser efetivo como ferramenta no processo de consolidação de diferentes unidades territoriais da região”.

O PAE Lago Grande foi criado em 2005, em uma área de ocupação antiga, entre os rios Amazonas, Tapajós e Arapiuns, com cerca de 250 mil ha, que corresponde a aproximadamente 15% do território de Santarém. Além de repetir o processo em outras áreas, os pesquisadores pretendem refinar a metodologia para vincular estes cenários qualitativos aos modelos computacionais em desenvolvimento no CST/INPE.

O trabalho de construção de cenários é organizado através de oficinas. No caso do PAE Lago Grande, está sendo conduzido em duas escalas: comunitária e assentamento. Os resultados preliminares apontam o potencial deste tipo de trabalho para apoiar o processo de tomada de decisão coletiva. Na comunidade de Aracy, dois futuros bastante distintos para 2020 foram desenhados, um desejado e um não desejado. Em ambas as narrativas construídas, os participantes dão como certo que as condições de infraestrutura do assentamento serão melhoradas num futuro próximo (incluindo a chegada do programa “Luz para Todos”, melhoria do sistema de água, da acessibilidade pela estrada, e escola de ensino médio na comunidade). No médio prazo, em ambos os cenários, melhores condições de acesso a saúde e comunicação (internet, telefonia celular) também estariam presentes.

“A diferença entre o cenário desejado e o não desejado reside principalmente na questão do sucesso de novas atividades econômicas, capazes de gerar trabalho e fixar os jovens na comunidade”, diz a Dra. Ana Paula, que lidera a atividade de construção de cenários na região, atividade inserida nos projetos PIME (Projeto integrado MCT e Embrapa), Violência, Dependência Social e Espaço Público (FINEP), LUA/IAM (FAPESP) e à Rede GEOMA de Modelagem Ambiental.

Ainda sobre os resultados obtidos no PAE Lago Grande, a chave da diferença entre os dois cenários – em termos de trajetória para alcançá-los – reside em dois pontos: o primeiro é assistência técnica de qualidade, embasada numa ampla discussão sobre quais tipos de projeto devem ser subsidiados. O segundo ponto é o fortalecimento da organização social, essencial para possibilitar aos comunitários escolherem e gerirem os seus próprios negócios, e assim desenvolverem estratégias de modo coletivo.

A comparação com os resultados das oficinas na escala do assentamento mostra a relevância destes dois fatores - assistência técnica e organização social - para as pessoas. “O enfraquecimento da capacidade de organização, em particular, foi apontado como um problema sério nas oficinas na escala do assentamento, juntamente com a falta de autoestima e a perda da sensação de pertencimento ao território. O próprio fim do assentamento é considerado uma possibilidade no cenário negativo”, relata a pesquisadora.

Em abril e maio, está prevista a realização de oficinas em mais duas comunidades, em locais diferentes do PAE. Será realizada também mais uma oficina no nível do assentamento, refinando os cenários construídos nas duas primeiras. Após haverá uma oficina final de discussão dos resultados, com todos os envolvidos, buscando alinhavar consensos e contrapontos.

Segundo os pesquisadores, depois de concluído o trabalho no PAE Lago Grande, a idéia é replicar esta experiência em outras unidades territoriais (como outros tipos de assentamentos e unidades de conservação) e também em áreas de expansão da fronteira agropecuária.

“Ainda há muito a aprender, muito a refinar na metodologia. Mas os resultados obtidos até o momento, em especial o interesse e receptividade das pessoas nos diferentes níveis, indicam o potencial da metodologia de construção de cenários como ferramenta para fortalecer a discussão de um futuro sustentável para a Amazônia, contrapondo visões, buscando alternativas coletivamente e favorecendo a participação política qualificada das pessoas nos processos de decisão”, conclui a Dra. Ana Paula.

Clique aqui para acessar o sumário executivo do estudo

Oficina Promovida pelo Projeto Cenários

Mapa da Região do Projeto de
Assentamento Agro-extrativista (PAE) Lago Grande

Participantes de Oficina do Projeto Cenários


Fonte: Site do Instituto Nacional de Pesquisas espaciais (INPE)

Comentário: Mais uma contribuição deste instituto que faz um trabalho extremamente relevante para a região Amazônica e para o país. O INPE é uma instituição que atua com competência reconhecida internacionalmente em várias áreas, mas que pela falta de visão de uma sociedade mal informada e de uma classe política incompetente e tão mal informada quanto, ainda deixa desejar no desenvolvimento da tecnologia de satélites.

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