Rumo ao Espaço

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante matéria publicada na edição de “Abril de 2012” da revista “AEROVISÃO” da Força Aérea Brasileira (FAB) destacando as ações realizadas pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) nos últimos meses do ano passado relacionados com os projetos do Motor Líquido L5 e do SARA Suborbital.

Duda Falcão

TECNOLOGIA

Rumo ao Espaço

Força Aérea realiza com sucesso ensaio com motor de Foguete e com
satélite de reentrada, projetos fundamentais para o domínio de
tecnologias e para a autonomia no setor aeroespacial

Alessandro Silva


O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), concluiu duas importantes etapas no desenvolvimento de pesquisas de propulsão líquida para foguetes (foto) e de uma plataforma espacial (satélite de reentrada) para realização de experimentos em ambiente de microgravidade.

Os ensaios com o motor L5 foram retomados no ano passado. Em dezembro pesquisadores da Divisão de Propulsão Espacial realizaram ensaio de qualificação em solo para verificar o desempenho do motor. Foram coletadas medidas de empuxo, vazões, pressões e temperaturas em diferentes pontos das linhas de alimentação dos propelentes, bem como no próprio motor (cabeçote de injeção, câmara de combustão e tubeira).

A equipe do Projeto SARA (Satélite de Reentrada Atmosférica) testou com sucesso o sistema de paraquedas do veículo Sara Orbital, que ajudará no resgate da cápsula depois do lançamento. O subsistema de recuperação é composto por quatro paraquedas.

“As pesquisas relacionadas com propulsão líquida e reentrada na atmosfera (SARA) são de grande relevância porque nos darão o domínio de tecnologias críticas nestas duas áreas. Tais conhecimentos são fundamentais para a autonomia do país no setor espacial. Em geral, são tecnologias já dominadas pelas nações desenvolvidas no setor e que não são disponibilizadas para aquisição. São tecnologias de elevado valor agregado e portanto de grande valia estratégica e econômica”, afirma o Major-Brigadeiro Engenheiro Francisco Carlos de Melo Pantoja, diretor do IAE.

SATÉLITE – O Projeto SARA é composto de vários veículos, dois suborbitais e dois orbitais. O primeiro da série, o Sara Suborbital, deve ser lançado ainda neste ano. O projeto compreende o desenvolvimento de uma plataforma espacial para experimentos em ambiente de microgravidade para operar em órbita baixa, circular, a 300 km de altitude, por um período máximo de dez dias.

FOGUETE – O motor à propulsão líquida L5 utilizará querosene e oxigênio líquido em sua versão final. Porém, para o desenvolvimento, em lugar do querosene, os pesquisadores do IAE tem utilizado o etanol, que produz uma queima mais limpa e sem resíduos. No futuro, esse novo combustível para foguete pode ser um subproduto do projeto. A próxima fase será o ensaio em voo do motor, que deve ser colocado no segundo estágio de um veículo de sondagem a ser desenvolvido, similar ao VS-15.


Fonte: Revista Aerovisão da FAB  - núm 232 - Abril  de 2012 – Pág. 35

Comentário: Pois é leitor, essa reportagem foi feita com o Brig. Pantoja (na época ainda diretor do IAE) muito provavelmente entre janeiro e fevereiro desse ano, quando a expectativa de todos (menos a nossa) era de esperança para o ano de 2012, esperança essa desfeita pouco depois com o corte no orçamento do MCTI anunciado pelos palhaços dos Ministérios do Planejamento e da Economia da presidente DILMA ROUSSEFF. Agora, se não houver uma reviravolta nessa história, muito provavelmente esses projetos serão prejudicados e mais atrasos virão.   

Comentários

  1. Uau! Motores a propelente líquido? Cápsulas de reentrada atmosférica? Seriam estes os primeiros passos no desenvolvimento e maturação de tecnologias para um programa de vôo espacial tripulado brasileiro?

    Sinceramente, já estou pensando em escrever um email ao ministério do planejamento para que entendam a grandeza e importância da pesquisa aqui apresentada, e que passem a garantir financiamento e suporte no mínimo adequado para o nosso programa espacial.

    Danilo

    ResponderExcluir
  2. Olá Danilo!

    Não sabia desses projetos do IAE? São apenas dois projetos dos diversos que estão em desenvolvimento neste instituto. Na área de propulsão líquida além do motor L5, estão em desenvolvimento os motores L15 e L75 que se encontram em fase diferentes de desenvolvimento. Na área de propulsão sólida o IAE está desenvolvendo o motor S50, para ser utilizado pelo VLM-1 (Veículo Lançador de Microsatélites). Ainda na área de motores, o IAE está desenvolvendo o SAMF (Sistema de Alimentação Motor-Foguete) para motores líquidos. Além disso, tem a PSM (Plataforma Suborbital de Microgravidade), o Projeto SIA (Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial), os foguetes de sondagens VS50 e VS15 (este movido a propulsão líquida). Vale dizer também que já está em estudo por um grupo coordenado pelo Paulo Morais Jr. a possibilidade de desenvolver uma versão orbital da SARA com capacidade de acoplagem em órbita, isto após o segundo voo da SARA Orbital, quarto da série. Além disso, vale e lembrar que o IAE está envolvido com o desenvolvimento do VLS-1, do VLS Alfa e do VLS Beta, além de outros projetos de tecnologias críticas. Como você mesmo pode observar Danilo, a importância do IAE para o PEB é incomensurável, mas infelizmente com os energúmenos que temos no atual governo, fica muito difícil desenvolver um programa espacial com seriedade.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  3. Olá, Duda.
    Satisfação, novamente, em participar deste blog.
    Muito bom que esses projetos estejam em andamento. Na verdade, tomei conhecimento de maiores detalhes graças a este blog.
    Entretanto... tem algo que me incomoda muito, dentre tantos outros detalhes relacionados ao PEB: é o fato de não dominarmos ainda as tecnologias de navegação inercial. Considero isso um verdadeiro absurdo, tanto que vamos depender de um sistema comprado na Argentina(!!!!...queria repetir isso umas mil vezes) para equipar nossos satélites. Será que não temos universidades, institutos de pesquisa e empresas de tecnologia suficientes? Será que somos tão incompetentes assim? Será que vamos ficar eternamente choramingando, desde a década de 80, que os americanos, os marcianos ou os incas venusianos não nos deixam adquirir essa tecnologia sensível? Não nos deixaram ou deixam adquirir componentes críticos? Bem, tb não nos deixavam adquirir perclorato de amônio e polibutadieno para os foguetes. Fizemos. Por que não tomamos a mesma atitude em relação aos sistemas inerciais? Por que o SIA está tão atrasado? Gostaria de ler sua opinião e conhecer mais detalhes sobre esse importante item.

    Abraço,
    Élvio

    ResponderExcluir
  4. Caro Élvio!

    Seja bem vindo novamente. Veja bem Élvio, não é bem assim. Na realidade o Projeto SIA está em andamento e já existe protótipos de sistemas inerciais em varias fases de desenvolvimento e testes, inclusive no inicio de 2011 foi inaugurado o LINCS (Laboratório de Identificação, Navegação, Controle e Simulação) que é o único na América Latina e está apto para caracterizar sensores e sistemas inerciais de alta precisão bem como realizar simulação de sistemas de controle para veículos espaciais. Além disso já se dispõe de um protótipo de sistema de navegação inercial chamado SISNAV, que já foi ensaiado duas vezes em montanha-russa no intuito de fornecer informações para o desenvolvimento do algoritmo de navegação. Também já foi realizado um teste em vôo (Operação CUMÃ II) de um GFO.

    Atualmente, contratos com empresas nacionais proverão o hardware e o software do protótipo de vôo do SISNAV a ser lançado em um veículo com características idênticas ao VLS-1 (VSISNAV) para qualificação do mesmo.

    A parte do Projeto SIA concernente ao INPE também está bastante adiantada. Todos os equipamentos pertinentes à malha de controle de satélites foram adquiridos e estão operacionais. Dois contratos foram celebrados para a realização do computador de bordo e do ambiente de simulação da malha de controle de satélites (SISCAO) que utiliza tais equipamentos.

    Não se pode deixar de mencionar a formação de recursos humanos. O Projeto SIA tem contratado dezenas de profissionais para cooperarem com as atividades realizadas, recebendo assim treinamento especializado. Cerca de 30 bolsas acadêmicas (entre mestrado e doutorado e pós-doutorado) foram concedidas e diversas teses já foram defendidas.

    Após a conclusão do projeto, um consórcio de empresas será responsável pela aplicação industrial da tecnologia.

    Vale dizer também que a transferência de tecnologia da INVAP para o INPE tem sido realizada com sucesso e o ACDH do Satélite Amazônia-1 em breve será entregue e o próximo para o Amazônia 1B já será desenvolvido no Brasil.

    Entretanto Élvio, todo atraso do Programa Espacial Brasileiro é devido exclusivamente a falta de comprometimento do governo por décadas seguidas, pois sem dinheiro adequado, muito pouco pode ser feito.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Élvio,

      Tem mais uma coisa em relação aos argentinos que o Duda não citou, e eu gostaria que ele confirmasse isso também, o Brasil teve uma participação importante neste sistema inercial, pois foi aqui que ele foi homologado, em 2010 o VS-30 fez um voo com experimentos brasileiros e argentinos e entre eles estava o inercial.
      A cooperação com o Brasil permitiu que os argentinos participassem do chamado “projeto carga útil VS-30" com várias experiências num voo suborbital, foram testados, hardwares, softwares, sistema de navegação, sistema de controlo de atitude, etc.

      Excluir
  5. Olá Tanoshi!

    Na realidade o que você está se referindo foi uma missão conjunta Brasil-Argentina (a única até agora) realizada em dezembro de 2007 chamada "Operação Angicos". O que acontece é que nessa missão o foguete de sondagem brasileiro VS-30 levou ao espaço uma carga útil composta por uma plataforma suborbital desenvolvida pela CONAE argentina com experimentos de diversas instituições desse pais para serem testadas em ambiente de microgravidade, e da parte do Brasil foi enviado um dispositivo GPS desenvolvido para foguetes pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e não algo ligado ao Projeto SIA. Durante a "Operação Cumã II", realizada em julho de 2007, foi enviado ao espaço um dispositivo GFO, este sim ligado diretamente ao Projeto SIA, tá ok amigo?

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  6. Olá, Duda e Tanoshi.
    Primeiramente, muito obrigado pelos esclarecimentos. Quero dizer que fico muito satisfeito ao saber que o domínio completo da tecnologia desse importantíssimo sistema esteja próximo.
    Gostaria de deixar claro, que quando faço minhas críticas e provocações, são com os olhos voltados à administração governamental e, nunca, voltados aos nossos cientistas e técnicos. Esses, são verdadeiros heróis graças aos quais o PEB teve seus inúmeros êxitos até agora.
    A razão da minha crítica (à administração governamental de C & T) é que considero o sistema inercial algo tão estratégico e necessário, que já deveriamos dominar sua tecnologia há muito tempo. Inclusive, para fins digamos... não civis. Além de tudo, o seu desenvolvimento não dependia e não depende, em princípio, de grandes instalações, podendo ser realizado em diversos laboratórios de instituições e empresas Brasil a fora.
    Além disso, o assunto me causa uma certa paixão, porque está muito relacionado com a minha área - TI - e, também, às atividades aeroespaciais, que é outra paixão. rs..
    Mas, tudo bem. Meu inconformismo já diminuiu bastante ao saber que já estamos nesse estágio avançado de domínio da tecnologia. Rsrs...

    Grande abraço e muito obrigado, novamente, pelos excelentes esclarecimentos.

    Élvio

    P.S.: Mas que dói ler sobre transferência de tecnologia dos argentinos p/ o INPE, isso dói. He he he...

    ResponderExcluir
  7. Olá Élvio!

    Não há o que agradecer amigo, estamos aqui para isso. Entretanto é preciso que fique claro que apesar do avanço do Projeto SIA e da existência hoje de um laboratório no Brasil específico para esse fim, o governo precisa apoiar a continuidade do projeto criando demanda (projetos), caso contrário em pouco tempo todo o conhecimento poderá ser perdido.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir
  8. Valeu Duda pelo esclarecimento,
    Valeu Élvio pelo interesse e dedicação,

    Eu tinha lido algumas coisas importantes sobre o inercial argentino e fui procurar novamente e achei somente algumas partes, mas apesar de não achar o principal(ACDH), segue dois links que fala sobre o assunto e principalmente sobre a carga útil e experimentos:

    http://www.cienciayenergia.com/Contenido/pdf/080803_rad_ta.pdf

    http://empresasvale.com.br/noticias/VS-30_deve_ser_lancado_hoje_cedo-735

    Principalmente no primeiro link, pode-se notar a importância deste voo para os argentinos, la estão experimentos importantes para o TRONADOR e um IFOG.

    ResponderExcluir
  9. Valeu Tanoshi!

    Especialmente pelo envio do link do documento argentino que é muito interessante.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Da Sala de Aula para o Espaço

Top 5 - Principais Satélites Brasileiros

Por Que a Sétima Economia do Mundo Ainda é Retardatária na Corrida Espacial