"Edge Of Space" - Uma Luz no Final do Túnel

Olá leitor!

Temos muito falado aqui no blog da necessidade do Brasil investir em tecnologias espaciais sensíveis que ainda não dominamos completamente ou mesmo parcialmente. Uma dessas tecnologias é a de motores-foguetes líquidos, passo crucial para que possamos alcançar definitivamente a nossa auto-suficiência no setor espacial.

Como o leitor deve saber, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) do “Comando da Aeronáutica” é a instituição governamental responsável no país pelo desenvolvimento desses tipos de motores para foguetes através do seu Laboratório de Propulsão Líquida (LPL/APE) que fica instalado na bela cidade interiorana de São José dos Campos, estado de São Paulo.

Já o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), outra organização governamental, esta ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), é responsável pelo desenvolvimento de motores-líquidos e de motores com tecnologia de vanguarda para satélites e sondas espaciais através do seu “Laboratório Associado de Combustão e Propulsão (LCP)”, este localizado na cidade de Cachoeira Paulista, estado de São Paulo.

Enquanto o LCP do INPE vem cumprindo seu trabalho de forma satisfatória (até porque esses motores líquidos para satélites e sondas são mais simples) o LPL/APE do IAE está impossibilitado de cumprir a sua missão satisfatoriamente pela falta de recursos financeiros e humanos adequados e principalmente pela falta de atitude do governo.

Assim sendo, com o engessamento do LPL/APE (só Deus sabe até quando) e muito provavelmente pela insegurança da comunidade científica sobre a realização ou não dos projetos em andamento neste laboratório, felizmente, mesmo que ainda timidamente, vão surgindo iniciativas no Brasil de grupos particulares, universitários e de pequenas empresas buscando resolver este buraco tecnológico resultado da incompetência governamental.

Várias iniciativas estão em andamento no país através da UFMG, UnB, UFABC, entre outras universidades, também bem recentemente no Nordeste brasileiro, através do Núcleo Tecnológico do Agreste (NTA) de Bezerros (PE), e em empresas como a Acrux Aerospace Technologies de São José dos Campos (SP).

No entanto, o mais significativo e inovador esforço até o momento nesta de área de motores-foguetes líquidos no Brasil, vem do grupo paulista “Edge Of Space”, que é coordenado pelo engenhoso engenheiro aeroespacial e professor da FIAP, José Miraglia.

Desde novembro de 2007 o grupo vem desenvolvendo motores-foguetes líquidos verdes (não agressivos ao meio ambiente) com o apoio do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), programa este que se encontra em sua segunda fase com prazo de finalização em novembro de 2011.

Durante a primeira fase do programa e esta fase de agora o grupo desenvolveu e vem desenvolvendo os seguintes motores (propulsores):

Propulsor de 10N “Hot”
Propelentes: Etanol Anidro e Peróxido de Hidrogênio
Ano de Desenvolvimento: 2008 / 2010
Utilidade: Controle de altitude e atitude de satélites e sondas espaciais

 Propulsor de 10N "Hot"
Primeira Fase do Projeto (2008)

 Propulsor de 10N "Hot"
Segunda Fase do Projeto (2010)

Propulsor de 100N “Cold”
Propelente: Peróxido de Hidrogênio
Ano de Desenvolvimento: 2009/2010
Utilidade: Controle de altitude e atitude de satélites e sondas espaciais

Propulsor de 100N "Cold"

Concepção Artística do Propulsor de 100N "Cold"

Propulsor de 100N “Hot”
Propelentes: Etanol Anidro e Peróxido de Hidrogênio
Ano de Desenvolvimento: 2010 (em desenvolvimento) 2011
Utilidade: Controle de altitude e atitude de satélites e sondas espaciais

Propulsor de 100N "Hot"

Concepção Artística do Propulsor 100N "Hot"

Além desses motores, o grupo “Edge Of Space” desenvolveu um propulsor de 20N e trabalha agora no desenvolvimento de outro motor verde de 1000N, ambos dentro do programa da FAPESP.

E não pararam por ai, insatisfeitos com o atual quadro de incertezas que cercam o “Programa Espacial Brasileiro”, os valorosos integrantes do grupo liderados pelo engenheiro José Miraglia foram à luta (postura muito comum entre aqueles que fazem as coisas acontecerem) e fecharam este ano um contrato de parceria com a empresa sérvia “EDePro” para o desenvolvimento conjunto de um motor-foguete a propulsão líquida verde de 50kN (propulsor TRM 50K) e um lançador de micro-satélites, passo crucial para que o Brasil possa alcançar a sua auto-suficiência espacial. Em breve estaremos postando aqui no blog maiores informações sobre este contrato assinado pelo grupo “Edge Of Space” com a empresa sérvia “EDePro”.

Concepção Artística do Futuro
Propulsor TRM 50K

Entretanto, os planos da “Edge Of Space” vão mais além, afinal, quem faz motor-foguete, faz também foguetes, e assim não poderia ser diferente com esses valorosos engenheiros aeroespaciais paulistas.

O primeiro foguete planejado pelo grupo que em breve deve está à disposição da "Comunidade Científica Brasileira" para experimentos suborbitais e o Foguete de Sondagem Suborbital “Foguete Edge”. Abaixo segue as suas especificações:

Foguete de Sondagem Suborbital (Foguete Edge)

Estágio: 1
Massa total do estágio: 62 Kg
Propelente: Peróxido de Hidrogênio / Etanol
Material estrutural: Alumínio / Fibra de Carbono - Epóxi
Empuxo: 4000N
Objetivo: Atingir a linha de Kármán (100 Km de altitude)
Carga Útil : 2 Kg

Concepção Artística do “Foguete Edge”

O segundo foguete planejado pelo grupo e o "Lançador Orbital de Picosatélites e Nanosatélites PI". Veja abaixo suas especificações:

Lançador PI

Primeiro Estágio:

Formado por cluster de 4 foguetes
Massa total do estágio: 274.6 Kg
Propelente: Peróxido de Hidrogênio / Etanol
Material estrutural: Alumínio / Fibra de Carbono – Epóxi
Isp = 220 s

Segundo Estágio:

Formado por cluster de 2 foguetes
Massa total do estágio: 137.2 Kg
Propelente: Peróxido de Hidrogênio / Etanol
Material estrutural: Alumínio / Fibra de Carbono – Epóxi
Isp = 260 s

Terceiro Estágio:

Massa total do estágio: 68.6 Kg
Propelente: Peróxido de Hidrogênio / Etanol
Material estrutural: Alumínio / Fibra de Carbono – Epóxi
Isp = 260 s

Quarto Estágio:

Massa total do estágio: 17 Kg
Propelente: Peróxido de Hidrogênio / Etanol
Material estrutural: Alumínio / Fibra de Carbono – Epóxi
Isp = 260 s
Carga Útil Máxima: 2.75 Kg (pico ou nanosatélite)

Concepção Artística do Lançador Orbital PI

Vídeo do Lançador PI

E o terceiro projeto de foguete será fruto da parceria com a "EDePro". Trata-se do Foguete de Sondagem Reutilizável (FSR 2.0) de aparência totalmente diferente de tudo que já tenhamos visto. Não existem maiores informações sobre esse projeto, mas sabe-se que o motor que será utilizado por ele será o TRM 50K, que será desenvolvido em parceria com a EDePro. Abaixo segue a concepção artística deste foguete.

Concepção Artística do FSR 2.0

Por fim leitor, já está certo que o grupo desenvolverá um veiculo lançador de microsatélites para Carga Útil de 26 kg também em parceria com a EDePro.

Concepção Artística do
Veiculo Lançador de Microsatélites


AVANTE "EDGE OF SPACE"

Para maiores informações visite o site desse inovador grupo paulista pelo link: http://www.edgeofspace.org/

Duda Falcão


Fonte: Grupo “Edge Of Space”

Comentários

  1. Puxa! Temos aí alguns avanços bem interessantes! Mais investimentos, portanto...

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  2. Ah!... Devo salientar os imagens, fotos e desenhos em detalhe. Parabéns pela matéria, clara e resumida.

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  3. Temos sim Antônio,

    O grupo da "Edge Of Space" é realmente muito competente e certamente alcançarão seu objetivos. Quanto a matéria, esse é o nosso trabalho, em outras palavras, trazer o melhor na melhor liguagem, logo que possível e da melhor forma possivel para nossos leitores. Que bom que gostou, sinal que acertamos.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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  4. Qual a fórmula Química desse catalisador cerâmico?

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