Série “Ecos no Papel: A Ufologia nos Jornais Antigos” - Edição 6
Prezados amantes das atividades espaciais!
Pois então, amantes do BS, dando sequência à nossa nova série, "Ecos no Papel: A Ufologia nos Jornais Antigos" trago agora a sexta edição desse projeto criado para apresentar relatos antigos publicados em jornais de diferentes épocas e regiões do mundo. A proposta é mostrar aos nossos leitores e apoiadores que essas histórias — para alguns, “casos”; para outros, meras “estórias” — envolvendo supostos fenômenos ufológicos são muito mais antigas do que muitos imaginam.
Nesta sexta edição, apresento a vocês uma curiosa notícia publicada na edição de 30 de abril de 1910 do jornal The St George Call - página 6 (Kogarah - subúrbio da zona sul de Sydney, Nova Gales do Sul - Austrália). Confira e bom divertimento!
Tradução do artigo para o Português:
"MISTÉRIO DO DIRIGÍVEL.
Diz-se por toda parte neste momento que o ar está cheio de mistério — do mistério do dirigível. Isto está ligado não tanto com o que se sabe ter sido realizado no campo da aviação, mas sim com o que se suspeita ter sido realizado, e mantido em segredo para uso em tempo de guerra por uma ou outra das grandes nações da Terra.
Há poucos dias, surgiu um boato vindo do Pacífico (que, a propósito, é um bom e vasto lugar para se começar um boato) de vestígios da visita de um dirigível tendo sido descobertos no que o falecido Sr. Daniel O'Rourke teria chamado de uma ilha "dissoluta"*. E apenas esta manhã ouvimos algo mais do que um boato, vindo de mais perto de casa, ou de não mais longe, de fato, do que Dobroyd.
Um cavalheiro cuja mera aparência parecia garantir a verdade de sua declaração fez uma visita ao escritório do "Call" e, com uma voz e de uma maneira que quase atestavam, por si mesmas, a verdade, contou uma história estranha. O cavalheiro deu seu nome como Sr. J. Jehosophat Bynks, da Avenida Currybundy, Bexley, e disse que na noite anterior, ele e uma dupla de amigos foram a Dobroyd, como era frequentemente o costume deles, para passar a noite pescando. Eles estavam ocupados no esporte quando, por volta das 21h30, um deles, o Sr. Obadiah W. Tonkyns, da Parada Boilabillo, Carlton, por acaso olhando para a lua nascente, viu no que, de acordo com um termo náutico, acreditamos que seria chamado de seu "olho", algo que se assemelhava a um pássaro gigantesco avançando rapidamente em direção à terra, vindo do leste sobre o mar.
O Sr. Tonkyns chamou a atenção do resto do grupo para esta visão curiosa. E cabe aqui ressaltar que, exceto por uma quantidade muito pequena do que se conhece como confortos médicos, o grupo não tinha consigo absolutamente nada na forma de um estímulo não natural para a imaginação. O estranho objeto avançava com um voo rápido, porém suave e regular, em direção à costa. Quando foi visto pela primeira vez, estava a várias centenas de jardas acima do nível do mar, mas à medida que se aproximava da praia, desceu mais e então pairou acima das cabeças do grupo de pescadores. Ele evidentemente os avistou de repente, porque, sem qualquer tipo de aviso, deu uma bela volta e, com uma rapidez quase inacreditável, sumiu de vista na direção de onde tinha vindo.
No entanto, enquanto o dirigível (pois o visitante misterioso foi facilmente reconhecido como um dirigível) girava, alguns pequenos objetos foram vistos caindo dele e, ao serem recolhidos, descobriu-se que eram uma fatia de salsicha de alho, um pepino em conserva e um pouco de chucrute. Relatamos a história do Sr. Bynks exatamente como ele nos transmitiu, sem qualquer embelezamento ou verbosidade.
O próprio Sr. Bynks recusou-se a tirar quaisquer conclusões do que ele e seus amigos viram, ou a fazer de qualquer forma conjecturas a respeito disso. Ele é um cavalheiro de aparência e modos muito calmos e, além de estar preparado para mostrar a qualquer visitante em seu endereço as coisas que pareciam ter caído do dirigível, ele afirma categoricamente que não pode dizer mais nada sobre todo o ocorrido além do que é relatado aqui. Ao mesmo tempo, ele deseja ressaltar que quem estiver desejoso de ver o que pode ser chamado de as cinzas* do dirigível é melhor ser rápido, porque elas não vão se conservar por muito tempo."
Nota de tradução: * No segundo parágrafo, a expressão "dissolute island" (ilha dissoluta/devassa) é provavelmente um trocadilho ou erro intencional do personagem citado (Daniel O'Rourke) para "desolate island" (ilha desolada).
Nota de tradução: * No último período, o texto usa o termo "airship ashes" (cinzas do dirigível), o que parece ser uma ironia humorística do jornal da época ou do próprio entrevistado para se referir aos restos de comida que caíram (a salsicha, o pepino e o chucrute), já que ele avisa que "não vão se conservar por muito tempo" (vão estragar).
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