O Telescópio Espacial James Webb da NASA Detectou Metano no Objeto Interestelar 3I/ATLAS

Caros entusiastas das atividades espaciais!
 
Pois então, no dia de ontem (01/06), o portal da NASA informou que o Teléscópio Espacial James Webb da agência detecta metano no objeto interestelar 3I/ATLAS.
 
Pois é, de acordo com a nota do portal, o Telescópio Espacial James Webb, da NASA, coletou sua primeira assinatura química em infravermelho médio de um objeto interestelar durante uma recente nova observação do cometa 3I/ATLAS. Os resultados da equipe foram publicados recentemente na revista The Astrophysical Journal Letters.
 
As observações foram realizadas utilizando o MIRI (Instrumento de Infravermelho Médio) do Webb em duas datas distintas, enquanto o cometa seguia seu trajeto de volta para fora do nosso Sistema Solar após passar rapidamente ao redor do Sol (após o periélio). A primeira observação ocorreu entre 15 e 16 de dezembro, quando o cometa estava a cerca de 205 milhões de milhas (329 milhões de quilômetros) do Sol. Em seguida, foi realizada uma segunda observação em 27 de dezembro, quando o cometa estava a aproximadamente 236 milhões de milhas (379 milhões de quilômetros) do Sol.
 
Pela primeira vez em um visitante interestelar, o Webb detectou diretamente gás metano. O metano é altamente volátil, o que significa que ele sublima muito facilmente, passando do gelo sólido para o estado gasoso. Seu aparecimento tardio no cometa 3I/ATLAS sugere que ele estava enterrado abaixo da camada superficial do cometa e protegido da sublimação até que o calor gerado pela passagem próxima ao Sol alcançasse regiões mais profundas do subsolo gelado. A quantidade de metano em relação à água encontrada é surpreendentemente alta, havendo poucos análogos semelhantes em nosso próprio Sistema Solar.
 
As observações do Webb também confirmaram que o cometa 3I/ATLAS permanece excepcionalmente rico em dióxido de carbono, liberando uma quantidade muito maior desse gás em relação à água quando comparado aos cometas típicos do Sistema Solar.
 
Essas duas descobertas apontam para um ambiente de formação e uma composição química muito diferentes daqueles da grande maioria dos cometas que se formaram dentro do nosso Sistema Solar.
 
Além disso, o Webb observou uma queda acentuada na produção de gases à medida que o cometa 3I/ATLAS se afastava do Sol, sendo a água a substância que apresentou a redução mais pronunciada. Esse comportamento é esperado para um objeto desse tipo: à medida que o cometa recebe menos calor solar, sua superfície se torna mais fria e menos gelo é vaporizado. A água, que é menos volátil do que o metano ou o dióxido de carbono, interrompe sua produção gasosa mais rapidamente.
 
O Webb observou o cometa 3I/ATLAS utilizando o Espectrômetro de Média Resolução do MIRI, um instrumento poderoso projetado para decompor a luz infravermelha em seus comprimentos de onda componentes. Esse espectrômetro é uma unidade de campo integral, que fornece um espectro para cada ponto de uma pequena região do céu, permitindo à equipe medir simultaneamente quais gases estão presentes e visualizar sua distribuição ao redor do núcleo do cometa.
 
Créditos: NASA, ESA, CSA, STScI, M. Belyakov (Caltech), I. Wong (STScI). Processamento de imagem: A. Pagan (STScI)
A imagem superior mostra o cometa interestelar 3I/ATLAS visto pelo MIRI (Instrumento de Infravermelho Médio) do Telescópio Espacial James Webb, da NASA, juntamente com contornos que ilustram onde diferentes gases estavam localizados no momento da observação. O vapor d’água se estende muito além do núcleo porque grande parte dele é liberada por grãos gelados presentes na coma (a nuvem difusa que envolve o núcleo do cometa), enquanto o dióxido de carbono e o metano estão mais concentrados nas proximidades do núcleo do cometa. A imagem inferior mostra o espectro, com as legendas indicando as características associadas aos diversos gases que o Webb identificou escapando do cometa.

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