Pesquisa da Alemanha Propõe Existência de Mini-Universos no Interior de Estrelas
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No dia 16 de junho, o portal Inovação Tecnológica publicou uma matéria sobre um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Goethe de Frankfurt, na Alemanha, segundo o qual mini-universos podem surgir no interior de estrelas.
[Imagem: Jampolski/Rezzolla/Goethe University Frankfurt]
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| Miniuniverso em expansão pode contrabalançar a matéria em colapso de uma estrela, ficando contido em uma estrutura mais palatável do que um buraco negro. |
Gravastar em Vez de Buraco Negro
De acordo com a matéria, uma estrela brilha porque os átomos se fundem em seu interior, liberando energia por esse processo de fusão nuclear. Quando uma estrela muito massiva esgota seu combustível nuclear, a pressão da radiação não consegue mais fornecer força contrária suficiente à gravidade: A estrela então colapsa sob sua própria massa, até que reste apenas um único ponto: a singularidade, o "coração teórico" de um buraco negro.
Parece uma boa explicação, não fosse o fato de que, nesse estágio, as leis da física que conhecemos e usamos para desenhar esse quadro simplesmente deixam de funcionar, tornando impossível prever o que acontece. Embora a formação de um buraco negro pareça plausível (veja a reportagem Não, nós não sabemos como são os buracos negros), restam mais perguntas que respostas: Como dez bilhões de massas solares de uma estrela tão massiva podem se concentrar em um único ponto minúsculo? Como o espaço-tempo pode ser curvado infinitamente nesse ponto, a singularidade?
Além disso, os buracos negros ocultam todas as informações da observação: Tudo, inclusive a luz, desaparece irremediavelmente além do horizonte de eventos.
Isso deixa muitas possibilidades em aberto, e foram essas possibilidades que Daniel Jampolski e Luciano Rezzolla, da Universidade Goethe de Frankfurt, na Alemanha, exploraram agora estudando as estrelas gravitacionais condensadas, ou gravastars - a palavra é um acrônimo para Gra(vitational) va(cuum) star, e poderia ser traduzida como "gravastrela".
Se essa linha de pesquisa estiver correta, é possível que os buracos negros sejam objetos completamente diferentes, muito mais simples: Estrelas ultracompactas, que não podem ser vistas devido à sua intensa gravidade.
Mas a pesquisa da dupla trouxe outras possibilidades ainda mais interessantes.
[Imagem: Jampolski/Rezzolla/Goethe University Frankfurt]
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| Além de "substituir" os buracos negros, as gravastars poderiam parecer uma boneca matryoshka, como se um corpo celeste existisse dentro de outro. |
Miniuniverso
As gravastars são mais fáceis de aceitar do que os buracos negros porque elas não envolvem nem uma singularidade e nem um horizonte de eventos e, ainda assim, são quase tão massivas e compactas quanto os buracos negros. O que permanecia incerto era como essas gravastars poderiam se formar e permanecer estáveis.
Os dois pesquisadores conseguiram agora, pela primeira vez, encontrar uma solução dinâmica para as equações de campo da Relatividade Geral de Albert Einstein, que descrevem o colapso de uma estrela, podendo levar à formação de uma gravastar.
A solução matemática mostrou que o colapso de uma estrela massiva pode desencadear a criação de um miniuniverso dentro da matéria em colapso, não muito diferente do Big Bang do qual o nosso Universo emergiu, só que em uma escala muito menor. Assim como no caso do nosso Universo, a expansão do miniuniverso seria impulsionada pela energia escura. Dessa forma, a expansão do novo Universo contrabalança as forças gravitacionais e impede o colapso da estrela, antes que um buraco negro possa se formar.
Nesse processo, estabelece-se um equilíbrio entre o miniuniverso em expansão e a matéria em colapso, e esse equilíbrio é o que leva à formação de uma gravastar estável.
"Buscar alternativas aos buracos negros não deve implicar ceticismo em relação a eles, que ainda representam a solução mais natural e simples para o colapso gravitacional. No entanto, como cientistas em geral, e como físicos teóricos em particular, é essencial manter uma abordagem imparcial em relação ao que desconhecemos e, portanto, explorar tanto o conhecimento aceito quanto as interpretações mais exóticas. A história nos ensina que não é incomum que estas últimas se tornem aquelas," considerou Rezzolla.
Saiba mais:
Artigo: Formation of gravastars
Autores: Daniel Jampolski, Luciano Rezzolla
Revista: Physical Review D
Vol.: 113, L121502
DOI: 10.1103/c6lw-nx7k
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