Conhecam o POHOX: O Conceito Brasileiro de Aeronave-Lançadora Para Pequenos Satélites em Órbita Baixa
Caros entusiastas das atividades espaciais!
Na última sexta-feira (13/06), anunciei nos grupos "Brazilian Space – Debate" e "Homem do Espaço" que publicaria hoje (15/06) um artigo sobre um projeto espacial privado realmente impactante, capaz de colocar o Brasil em posição de destaque na exploração orbital. Na ocasião, afirmei também que pouquíssimas pessoas no país tinham conhecimento dessa iniciativa. Lembram?
Pois bem. Como já havia mencionado anteriormente, o projeto foi inicialmente apresentado por seus idealizadores ao Exército Brasileiro e à Embraer, ainda antes da criação da Visiona. No entanto, como tantas vezes ocorre no setor espacial nacional, a proposta não despertou interesse dessas instituições.
Após uma série de reuniões fechadas e apresentações realizadas junto a essas organizações, além da participação em diversos eventos espaciais internacionais, os idealizadores decidiram seguir um caminho diferente. Segundo eles, não há mais interesse em qualquer tipo de envolvimento com instituições governamentais, optando pela execução do projeto exclusivamente com recursos provenientes da iniciativa privada.
Na minha avaliação, caso a iniciativa alcance êxito, poderá representar uma demonstração concreta de que grandes projetos espaciais também podem ser viabilizados sem a dependência de recursos públicos, algo que certamente enviará uma mensagem importante ao setor.
Naturalmente, trata-se de um projeto ainda em estágio inicial. Os desafios tecnológicos são significativos e os investimentos necessários serão elevados. Ainda assim, seus idealizadores afirmam possuir contatos e canais capazes de abrir portas para a concretização do empreendimento, inclusive caso surjam obstáculos que impeçam a realização de lançamentos a partir do território brasileiro, objetivo que permanece nos planos da equipe.
Segundo eles, se necessário, o veículo poderá ser lançado a partir de qualquer outro local do planeta, mantendo sua identidade brasileira independentemente da má vontade desses "Cabeças de Ovo" invejosos e irresponsáveis.
Entretanto, um aspecto do artigo chamou minha atenção. Segundo o autor, para que o POHOX deixe de ser apenas uma proposta conceitual e se transforme em um sistema operacional real, serão necessários ensaios progressivos envolvendo motor, sistema de admissão, combustão supersônica, materiais de proteção térmica, controle de voo, estrutura, recuperação, navegação e segurança. Além disso, serão indispensáveis licenças, autorizações e uma estreita coordenação com autoridades espaciais e aeronáuticas.
Nesse contexto, o investimento assume papel fundamental para acelerar o desenvolvimento do projeto, assim como o apoio institucional necessário para sua viabilização. Contudo, caso o autor esteja se referindo especificamente às autoridades brasileiras, esse aspecto pode representar um ponto de fragilidade da proposta. Como sabemos — e como os próprios envolvidos puderam constatar nas reuniões anteriormente mencionadas —, essas instituições tende a demonstrar interesse apenas por iniciativas que possam controlar ou direcionar de acordo com os seus interesses nefastos (Querem um exemplo recente? o próprio RATO 14X).
Diante desse cenário, torna-se essencial a elaboração de um plano alternativo (Plano B ou mesmo C), que contemple não apenas diferentes fontes de financiamento, mas também outras possibilidades de suporte institucional e caminhos regulatórios necessários à viabilização do projeto. Isso inclui a eventual execução em outros países, como a Itália ou qualquer outra nação que ofereça condições mais favoráveis ao desenvolvimento, inclusive na América do Sul — como Argentina, Chile, Paraguai ou Uruguai. Sem esquecer é claro, de preservar a participação de engenheiros brasileiros e garantir a presença da identidade nacional no projeto, inclusive por meio da marcação simbólica da bandeira brasileira no corpo do veículo. Afinal, esses "Cabeças de ovo" em nada representam o povo brasileiro.
Convido à todos os leitores a
acompanharem atentamente o artigo abaixo, escrito pelo Eng. Marco
Gabaldo, e a seguirem os próximos capítulos dessa história. Afinal,
trata-se de um projeto que tem potencial para surpreender muita gente.
E, caso o leitor queira acompanhar o andamento deste projeto, pode fazê-lo por meio da página oficial no LinkedIn, acessando o link a seguir: https://www.linkedin.com/company/riscram-rocket-ignited-supersonic-combustion-ramjet/?viewAsMember=true
Aproveito também para sugerir que aqueles que desejarem conhecer melhor esse engenheiro ítalo-brasileiro — naturalizado brasileiro há 14 anos — e sua empresa, Hyperlift Aerospace & Defense, assistam pelo link abaixo à live realizada em 9 de junho, na qual ele apresenta alguns detalhes e oferece uma prévia dos conceitos que estão por trás dessa iniciativa.
POHOX: O Conceito Brasileiro de Aeronave-Lançadora Para Pequenos Satélites em Órbita Baixa
Fonte: Hyperlift® Aerospace & Defense®
Por Marco Gabaldo
CEO da Hyperlift Aerospace & Defense
Caros leitores das atividades espaciais,
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| Engenheiro Marco Gabaldo |
POHOX, palavra de origem Maxacali associada ao significado de “flecha”, simboliza a missão do veículo: decolar como aeronave, acelerar como sistema hipersônico, lançar pequenos satélites e retornar à Terra para novo ciclo operacional.
Um dos grandes desafios do acesso ao espaço não está apenas no motor ou no satélite, mas na forma como se lança. Hoje, grande parte dos lançamentos orbitais ainda depende de centros espaciais fixos, infraestrutura pesada, áreas de segurança extensas, propelentes de alto custo, logística complexa e janelas de lançamento rigidamente condicionadas pela geografia.
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| Prof. Dr. José Eduardo Mautone Barros |
A proposta conceitual é simples de explicar, embora extremamente complexa de executar: o POHOX seria uma aeronave aeroespacial não tripulada, capaz de decolar de pistas longas previamente autorizadas, acelerar na atmosfera com propulsão de ciclo combinado, liberar uma carga útil ou estágio orbital para inserção de pequeno satélite em órbita baixa da Terra e depois retornar para pouso controlado.
Uma Aeronave-Lançadora, Não Apenas Um Foguete
O diferencial do POHOX está no fato de ele poder ser pensado como uma aeronave-lançadora reutilizável. Isso significa que, em vez de depender exclusivamente de uma base de lançamento vertical, o veículo poderia operar a partir de aeroportos ou instalações aeroespaciais com pistas longas, infraestrutura compatível, segregação de espaço aéreo, suporte de emergência e autorização regulatória.
Essa característica mudaria a lógica econômica e operacional do acesso ao espaço. Um foguete convencional precisa de uma base fixa, geralmente próxima ao mar ou a áreas de baixa densidade populacional, com grande perímetro de segurança. Já uma aeronave aeroespacial reutilizável poderia decolar horizontalmente, ganhar altitude, procurar uma trajetória otimizada e realizar a liberação da carga útil em uma condição mais favorável de velocidade, altitude e direção.
Isso reduziria a dependência de estações de lançamento muito caras e permitiria maior flexibilidade operacional.
O Papel do Motor RISCRAM™
O motor RISCRAM™ é o elemento técnico mais importante desse conceito. Diferentemente de um scramjet puro, que não funciona a partir do repouso, o RISCRAM™ combina motor aspirado a ar, foguete integrado, bypass e combustor supersônico em uma arquitetura de ciclo combinado.
Em termos práticos, isso permitiria ao POHOX operar em diferentes fases da missão:
* decolagem e aceleração inicial com apoio de motor aspirado a ar/turbojato e foguete integrado;
* transição para voo supersônico;
* entrada em regime hipersônico com combustão supersônica assistida;
* subida atmosférica otimizada;
* liberação de estágio orbital ou pequeno satélite;
* retorno controlado à atmosfera;
* pouso em pista longa selecionada.
A grande vantagem dessa lógica é usar a atmosfera a favor do veículo. Durante parte da subida, o sistema aproveitaria o oxigênio atmosférico, reduzindo a necessidade de carregar todo o oxidante desde o solo. Isso pode melhorar a fração de massa útil e tornar o ciclo de lançamento mais eficiente.
Fim da Dependência Absoluta do Equador?
Lançamentos espaciais próximos ao Equador são vantajosos porque aproveitam melhor a velocidade de rotação da Terra, especialmente para órbitas de baixa inclinação. Por isso, centros como Alcântara possuem grande valor estratégico.
Entretanto, uma aeronave-lançadora como o POHOX mudaria parcialmente essa lógica.
Sendo uma aeronave, o veículo não estaria preso a uma plataforma fixa. Ele poderia decolar de uma pista longa, voar até uma região mais adequada, alinhar-se com uma trajetória segura e liberar sua carga em uma condição mais favorável. Isso não elimina as leis da mecânica orbital, mas reduz a dependência absoluta de estar fisicamente instalado em um único ponto geográfico.
Em outras palavras: o centro de lançamento deixa de ser apenas um ponto no mapa e passa a ser parte de uma rede operacional de pistas, rotas, janelas, áreas segregadas e corredores aeroespaciais.
Retorno e Reutilização
Após a liberação da carga útil, o POHOX retornaria à atmosfera de forma controlada. A lógica seria semelhante, em princípio geral, à de veículos reutilizáveis: suportar aquecimento aerodinâmico, dissipar energia, reduzir velocidade, recuperar controle aerodinâmico e planejar a aproximação para pouso.
A comparação com o Space Shuttle é útil apenas como imagem geral de reentrada e pouso planado. O POHOX, porém, teria uma diferença conceitual importante: a presença de motor aspirado a ar dentro da arquitetura RISCRAM™ permitiria considerar recuperação propulsada ou semipropulsada em fases finais do voo, aumentando a margem de escolha do aeroporto de pouso.
Isso é decisivo para a economia do sistema. Um veículo que decola, cumpre missão, retorna, pousa, é inspecionado e volta a voar transforma o lançamento espacial em uma operação de frota. Com duas aeronaves — uma em preparação e outra retornando ou em manutenção — seria possível imaginar uma cadência operacional muito superior à de sistemas descartáveis.
A Mudança Econômica
O custo de acesso ao espaço não depende apenas do combustível. Depende da infraestrutura, da cadência, da reutilização, do tempo de preparação, da manutenção, do seguro, da equipe, da logística, das autorizações e do número de voos por ano.
Se o POHOX conseguir operar como aeronave reutilizável, com ciclos repetidos de decolagem, missão e pouso, o investimento inicial poderia ser diluído por múltiplas missões. Em um cenário favorável, poucas dezenas de voos poderiam acelerar o retorno do capital investido, especialmente se o veículo atender ao mercado de pequenos satélites, constelações, cargas científicas e missões tecnológicas.
Esse ponto é central: o POHOX não seria apenas um projeto de propulsão. Ele seria um novo modelo operacional de acesso à órbita baixa.
O Que Ainda Falta Provar
Apesar da importância do conceito, é necessário separar visão tecnológica de maturidade operacional.
Para que o POHOX deixe de ser uma proposta e se torne um sistema real, seriam necessários ensaios progressivos de motor, admissão, combustão supersônica, materiais térmicos, controle de voo, estrutura, recuperação, navegação e segurança. Também seriam indispensáveis licenças, autorizações e coordenação com autoridades espaciais e aeronáuticas. Investimento é de fundamental importância para aceleração desse projeto, sem falar de apoio institucional.
O RISCRAM™ oferece uma arquitetura tecnicamente promissora. O POHOX oferece uma aplicação estratégica para essa arquitetura. Mas a transformação desse conjunto em sistema operacional dependerá de validação experimental, financiamento, campanha de ensaios e conformidade regulatória.
Conclusão
O POHOX, equipado com a tecnologia RISCRAM™, representa uma visão ousada para o futuro do acesso brasileiro ao espaço: uma aeronave aeroespacial reutilizável, capaz de decolar de pista longa, acelerar até regimes supersônicos e hipersônicos, liberar pequenos satélites em órbita baixa e retornar para pouso controlado.
Se validado, esse conceito poderia reduzir a dependência de bases fixas de lançamento, aumentar a flexibilidade de missão, melhorar a cadência operacional e abrir uma nova rota para o mercado de pequenos satélites.
Mais do que um veículo, o POHOX representa uma mudança de paradigma: sair do modelo clássico do foguete descartável e avançar para uma lógica de aeronave espacial reutilizável, flexível e economicamente repetível.
Para a Hyperlift® Aerospace & Defense®, a aplicação do RISCRAM™ ao POHOX pode se tornar uma das narrativas mais relevantes da engenharia aeroespacial brasileira: transformar uma tecnologia nacional de propulsão hipersônica em uma plataforma real de acesso à órbita baixa.
Saiba mais:
Autores: José Eduardo Mautone Barros, Marco Gabaldo e Marcelo de Souza Lima Guerra
Fonte: 52nd AIAA/SAE/ASEE Joint Propulsion Conference
Autores: José Eduardo Mautone Barros, Marco Gabaldo e Eduardo Oliveira
Fonte: AIAA Space and Astronautics Forum and Exposition
Autores: Marco Gabaldo, Otávio Rodrigues Barros e José Eduardo Mautone Barros
Fonte: SAE Technical Papers
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