Saiba Mais Sobre o Projeto LINNA: Pesquisador do ITA Apresenta Tecnologia Brasileira Para Navegação Autônoma na Lua
Caros entusiastas das atividades espaciais!
Dias atrás, o BS divulgou em primeira mão que uma pesquisa do Centro Espacial ITA (CEI), do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), sobre a navegação autônoma na Lua (à Carga Útil Lunar LINNA), havia sido apresentada em uma importante conferência internacional pelo responsável pelo projeto, o aluno e pesquisador Gleisson de Souza Bezerra. Lembram dessa notícia? (Reveja aqui).
Pois bem, na última sexta-feira (26/06), o pesquisador potiguar, nascido em Natal, Pedro Varela, integrante da equipe do Projeto LINNA, publicou em sua página no LinkedIn duas notas bastante interessantes, acompanhadas de um vídeo e de fotos que ilustram os avanços da iniciativa.
Na primeira publicação, Varela relembra que a Missão SelenITA tem como objetivo colocar em órbita lunar o primeiro CubeSat Lunar Brasileiro, como o BS já noticiou em diversas ocasiões. Entretanto, operar em órbitas muito próximas da Lua apresenta um grande desafio de navegação. Nessas altitudes, concentrações de massa existentes no subsolo lunar — conhecidas como mascons — provocam anomalias gravitacionais que comprometem a precisão dos sistemas convencionais de navegação inercial.
Para superar esse desafio, o CEI está desenvolvendo a LINNA (Lunar Intelligent Navigation Neural Architecture), uma carga útil de demonstração tecnológica que utiliza inteligência artificial embarcada para processar, em tempo real, imagens da superfície lunar. Dessa forma, o sistema é capaz de estimar autonomamente a posição do satélite, reduzindo significativamente a dependência de comandos enviados da Terra.
Segundo o pesquisador, o treinamento desse modelo de inteligência artificial exige um grande volume de imagens que reproduzam fielmente as condições reais da missão. Para isso, a equipe desenvolveu um sofisticado pipeline de geração de imagens que utiliza modelos reais de elevação da superfície lunar para reconstruir o relevo e a profundidade das crateras, aplica mapas de refletância fisicamente precisos e posiciona a iluminação solar de acordo com as efemérides correspondentes a cada instante da órbita, tudo integrado ao software Blender.
O resultado é um conjunto de imagens com sombreamento altamente realista, reproduzindo com grande fidelidade o que a câmera da missão deverá registrar durante toda a órbita lunar, como demonstra o vídeo divulgado — acelerado em 150 vezes em relação à velocidade real da órbita. Esse trabalho foi apresentado durante o SmallSat Europe 2026, em Amsterdã, um dos mais importantes eventos europeus dedicados ao setor de pequenos satélites.
Saiba mais pelo link: https://lnkd.in/d95wHqsS
Na segunda publicação, Pedro Varela complementa a explicação levantando uma questão natural: será que essa renderização realmente representa o que uma câmera veria em órbita da Lua?
A resposta, segundo ele, pode ser constatada visualmente. Na comparação apresentada abaixo, a imagem à esquerda foi capturada pela cápsula Orion durante a Missão Artemis II, em abril deste ano, enquanto a imagem à direita corresponde à versão renderizada pelo pipeline desenvolvido pela equipe, utilizando apenas um canal espectral na faixa de 566 nanômetros.
A impressionante semelhança entre ambas demonstra que a simulação reproduz com elevado grau de fidelidade a geometria, o relevo e as condições de iluminação da superfície lunar, reforçando o potencial da tecnologia desenvolvida pelo CEI para aplicações futuras em missões de exploração espacial.
Brazilian Space
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