Programa Brasil Com Ciência: Brasil e Alemanha Farão Novo Satélite

Caros entusiastas das atividades espaciais!
 
No dia de ontem (02/06), o Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT), em parceria com o Canal TVT, lançou mais uma edição do Programa Brasil com Ciência, desta vez com o tema: “Brasil e Alemanha Farão Novo Satélite”. Confira abaixo!
 
 
Pois então, compatriotas, lá vamos nós novamente com essa ladainha. E agora eles até deram prazo, kkkkkkkkkk.
 
Neste episódio, os autores informam que a Comissão Especial criada pelo MCTI (seguindo a máxima do PEB: "quer que algo não seja feito? Basta criar uma Comissão Especial", kkkkkkk) para supostamente estudar uma proposta de um "GPS brasileiro" estima que o sistema levará cerca de 15 anos (kkkkkkkkk) para ser completamente implementado. Segundo eles, entretanto, a primeira etapa do sistema PNT (Posição, Navegação e Tempo) poderá começar a operar em apenas dois anos (kkkkkkkkkk).
 
Além dessa conversa fiada e de outros assuntos abordados no programa, os autores também informam que o Brasil desenvolverá um novo satélite, desta vez em parceria com a Alemanha (kkkkkkkkk). De acordo com a informação divulgada, o equipamento será capaz de medir emissões de CO₂ em todo o planeta e utilizará a inédita plataforma brasileira de satélites P100 (inédita mesmo, já que ela não existe).
 
Entretanto, vale lembrar, para quem ainda tem memória, que de todas as iniciativas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de satélites em parceria com outras nações ou grupos de nações, a única que efetivamente produziu resultados concretos foi o Projeto CBERS com a China.
 
Vejamos alguns exemplos:
 
• FBM – Microsatélite Franco-Brasileiro (French-Brazilian Microsatellite)
 
Esse projeto teve um acordo de intenções firmado em 1995 e um acordo específico para sua construção conjunta negociado e assinado em 1996, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
 
A missão científica previa a construção e o lançamento de um microssatélite para estudos da alta atmosfera. No entanto, o projeto foi paralisado em 2002, em razão da falta de financiamento e de mudanças nos objetivos da carga útil. A parceria foi oficialmente encerrada em 2003, quando o Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), da França, desistiu da empreitada após ser informado sobre cortes orçamentários.
 
• Satélite IBAS
 
Tratava-se de um projeto trilateral que o Brasil planejou desenvolver em conjunto com a Índia e a África do Sul (Grupo IBSA – India, Brazil and South Africa). A iniciativa, concebida no final dos anos 2000, tinha como principal objetivo o monitoramento do clima espacial e de fenômenos como a Anomalia Magnética do Atlântico Sul.
 
Os planos originais previam que o satélite seria desenvolvido por meio de cooperação tecnológica entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e instituições sul-africanas, com lançamento a partir de uma base indiana. Segundo foi divulgado, impasses orçamentários e mudanças nas prioridades das agências espaciais envolvidas acabaram enfraquecendo a iniciativa, que foi oficialmente descontinuada antes mesmo de sair do papel. Mas será mesmo que esse foi o verdadeiro motivo?
 
• Satélite SABIA-Mar com a Argentina
 
Essa é uma história que já se arrasta há décadas. As bases da cooperação foram estabelecidas por meio do "Acordo-Quadro sobre Cooperação em Aplicações Pacíficas de Ciência e Tecnologia Espaciais entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Argentina", assinado em 9 de abril de 1996.
 
Mais de dois anos depois, em 10 de novembro de 1998, foi assinado o "Programa de Cooperação entre a Agência Espacial Brasileira e a Comissão Nacional de Atividades Espaciais da República Argentina referente ao Projeto SABIA-3", que previa a execução e o desenvolvimento da Fase A do projeto.
 
Ocorre que, desde então, o projeto jamais saiu efetivamente do papel por falta de compromisso do lado brasileiro. Ao longo dos anos, teve seu nome alterado para SABIA-Mar, enquanto os argentinos, já descrentes da participação brasileira, passaram a conduzir o projeto praticamente sozinhos.
 
No início do atual governo, entretanto, eles foram surpreendidos pela proposta brasileira de utilizar o Satélite AMAZÔNIA-1Boutro projeto que se arrastava dentro do INPE — como solução para o acordo de cooperação. Surgiu, assim, uma espécie de satélite metamorfoseado, apelidado pelo Professor Rui Botelho de Satélite SABIAZÔNIA.
 
Passados mais de três anos do atual governo, essa aberração denominada AMAZÔNIA-1B/SABIA-Mar B/SABIAZÔNIA continua em desenvolvimento no LIT/INPE. Enquanto isso, o Satélite SABIA-Mar A tem lançamento previsto entre o final de 2026 e o primeiro semestre de 2027, sendo que a Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE) já abriu formalmente a licitação internacional para contratação do serviço de lançamento.
 
Portanto, caros compatriotas, não se deixem levar por essas notícias eleitoreiras. Essa gente não vale nada e o que eles desejam é continuar no poder, mamando às custas do erário público do país.
 
Aproveitamos para agradecer publicamente ao nosso amigo e membro do Canal do BS, Carlos Cássio Oliveira, pelo envio de mais uma edição desse programa do SindCT.
 
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