Novo Estudo Afirma que a Espaçonave Hayabusa 2 Poderá Encontrar Objeto Tecnológico em Missão ao Asteroide 1998 KY26
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No dia de ontem (02/06), o portal IFLScience divulgou uma reportagem sobre um novo estudo que sugere uma possível surpresa no caminho da Espaçonave Japonesa Hayabusa2. Atualmente em trajetória rumo ao Asteroide 1998 KY26, a sonda poderá encontrar um objeto de possível origem tecnológica durante sua missão, segundo as conclusões apresentadas pelos pesquisadores.
Crédito da imagem: MASCOT/DLR/JAXA
A espaçonave japonesa Hayabusa2 está seguindo para seu alvo final: um pequeno asteroide de rápida rotação, que se acredita ter aproximadamente o tamanho de uma espaçonave. De acordo com um novo e intrigante artigo científico (embora suas conclusões não sejam necessariamente corretas), pode haver uma razão muito interessante para isso: o objeto pode ser de origem tecnológica.
A Hayabusa2, nave da agência espacial japonesa JAXA, responsável pela coleta de amostras de asteroides, já realizou uma jornada impressionante. Ela coletou amostras do asteroide Ryugu e posteriormente as enviou à Terra durante uma passagem próxima ao planeta. Em 2020, pouco antes da chegada dessas amostras, a JAXA anunciou um novo alvo para a espaçonave e uma grande extensão da missão.
“O destino será o pequeno asteroide 1998 KY26. Esta é uma missão de longo prazo que ultrapassa 10 anos e, após uma série de eventos ao longo da trajetória, pretendemos encontrar o asteroide de rápida rotação 1998 KY26”, afirmou a JAXA. “Também poderemos tentar desafios específicos, como lançar um marcador-alvo ou realizar um pouso.”
Acontece que essa tarefa é mais difícil do que se imaginava inicialmente. Em 2024, uma equipe de astrônomos utilizou o Very Large Telescope, do European Southern Observatory, esperando confirmar estimativas anteriores sobre o tamanho e a massa do objeto. Em vez disso, descobriram que ele pode ser extremamente difícil para uma tentativa de pouso.
“Ficamos surpresos ao descobrir que o objeto parecia completamente diferente do esperado; ele era muito menor, três ou quatro vezes menor do que se pensava. Está girando mais rápido, duas vezes mais rápido. E sua composição também... É muito mais brilhante”, explicou o autor principal, Toni Santana-Ros, pesquisador da University of Alicante e da University of Barcelona, à IFLScience.
“O mais engraçado é que o objeto tem cerca de 11 metros de diâmetro, enquanto a própria espaçonave mede 6 metros. Ou seja, ela tem mais da metade do tamanho do objeto que irá visitar. É algo bastante curioso!”
“1998 KY26 Pode Ser de Origem Tecnogênica”
Segundo um novo artigo preliminar (preprint) ainda não revisado por pares, a JAXA pode ter outra surpresa ao se aproximar do objeto em julho de 2031. Ao analisar a trajetória do asteroide e compará-la com possíveis trajetórias de uma antiga espaçonave soviética que fracassou em sua missão rumo à lua marciana Phobos, a equipe sugere que os seres humanos podem ter chegado muito perto desse objeto no momento em que o construíram.
Lançada em 7 de julho de 1988, a sonda Phobos 1 operou normalmente por alguns meses antes de perder contato com a Terra em 2 de setembro de 1988. O problema ocorreu devido ao envio de uma sequência incorreta de comandos — causada por um único hífen fora do lugar. Segundo o novo estudo, esse erro pode ter consequências inesperadas décadas depois: o alvo da JAXA poderia ser, na verdade, essa mesma espaçonave, criando uma situação semelhante ao famoso meme do Homem-Aranha apontando para outro Homem-Aranha — mas no espaço.
“Nosso novo artigo mostra que dois impulsos de velocidade (ΔV) totalizando 1,9 quilômetro por segundo, o primeiro logo após a perda da missão e o segundo em maio de 1996, permitem que as órbitas e fases dos dois corpos se alinhem, com uma separação arbitrariamente pequena no espaço posição-velocidade”, explicou o astrônomo Avi Loeb em uma publicação de blog.
“Também existem evidências de que 1,9 quilômetro por segundo estava dentro da capacidade operacional da Phobos 1, que possuía um potente propulsor autônomo baseado em ácido nítrico e aminas para inserção orbital em Marte.”
Embora a equipe reconheça que seu trabalho está longe de ser conclusivo, há alguns motivos para levar a hipótese a sério, incluindo evidências de que a espaçonave realizou algum impulso após o encerramento inesperado da missão.
Segundo os pesquisadores, a hipótese da espaçonave poderia explicar a alta refletividade do objeto, bem como o fato de ele permanecer intacto apesar de sua rápida rotação — um comportamento incomum para um asteroide composto por fragmentos soltos ("pilha de entulho"). No entanto, uma estrutura mais sólida ou fatores ainda desconhecidos também poderiam explicar esse fenômeno.
A equipe acrescenta que o objeto parece ser “bastante alongado”, com base nas variações de brilho observadas pelos telescópios terrestres.
É uma ideia divertida e certamente seria extraordinário vê-la confirmada em 2031. Caso esteja correta, seria a primeira vez que a humanidade tentaria pousar acidentalmente na superfície de outra espaçonave de tamanho semelhante. Por enquanto, porém, o estudo representa mais um interessante “e se?” do que uma conclusão sólida ou um cenário provável.
“Em antecipação às observações da Hayabusa2 em 2031, que serão decisivas para determinar a origem deste objeto, encorajamos novos estudos observacionais, dinâmicos e teóricos destinados a restringir de forma mais precisa a natureza e as propriedades do 1998 KY26”, conclui a equipe.
O estudo foi publicado no site do Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian.
Brazilian Space
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